Raízen (RAIZ4) enfrenta fuga de investidores e debêntures derretem com alta de risco percebido
Investidores estão se desfazendo das debêntures da Raízen (RAIZ4) no mercado secundário, pressionando os preços para baixo e elevando de forma abrupta as taxas de retorno, em meio a uma piora na percepção de risco da empresa e dúvidas sobre seu suporte financeiro.
Segundo dados de mercado compilados pela XP Investimentos, duas séries de debêntures da Raízen tiveram volumes de negociação expressivos na última semana, mas predominantemente em operações de venda — um sinal de aversão ao risco por parte dos compradores. Entre os papéis mais negociados, a debênture RESA14 teve R$ 253 milhões movimentados, enquanto RAIZ13 alcançou R$ 185 milhões no período.
O movimento de desvalorização também se refletiu na abertura dos spreads contra títulos públicos de referência, especialmente no caso de RAIZ14, cuja diferença de retorno chegou a 4.085 pontos base — equivalente a 40,85 pontos percentuais. Essa escalada nas taxas indica que o mercado passou a exigir prêmio de risco significativamente maior para manter os papéis da empresa.
A queda nos preços das debêntures significa que investidores que desejaram sair das posições no mercado secundário registraram prejuízos, ao vender por valores abaixo do principal. Em termos práticos, quanto menor o preço do título, maior a taxa de retorno implicada — uma consequência direta da aversão do mercado ao risco percebido da dívida da Raízen.
A pressão sobre a dívida coincide com o momento em que as controladoras da Raízen, Cosan e Shell, têm sinalizado cautela quanto a aportes de capital adicionais. Em alguns casos, movimentos corporativos recentes soaram como alerta para credores e investidores, alimentando dúvidas sobre o comprometimento dos controladores com a estrutura de capital da companhia.
Diante desse cenário, a Raízen comunicou ao mercado o início da contratação de assessores financeiros com o objetivo de avaliar opções estratégicas que fortaleçam sua liquidez e reorganizem sua estrutura de dívida. Os trabalhos estão em fase exploratória e ainda não resultaram em um plano definitivo de ação.