Raízen (RAIZ4) puxa quedas do Ibovespa com novo impasse para capitalização e sem aporte da Cosan (CSAN3)
As ações da Raízen (RAIZ4) despencavam 11,59% por volta de 11h desta quarta-feira (4), negociadas por R$ 0,61. No entanto, às 14h24, os papéis reduziram as perdas e passaram a cair 2,9%.
A queda para os papéis acontece após notícias da Reuters sobre um fracasso para as negociações entre Cosan e Shell, coproprietários da joint venture, para uma capitalização da produtora de açúcar e etanol.
Ontem, o presidente-executivo da Shell Brasil disse que a empresa estava comprometida em investir R$ 3,5 bilhões na Raízen e que também esperava que a Cosan se comprometesse com o mesmo valor.
Nesta tarde, o Broadcast informou que a Cosan não fará esse aporte. Após um impasse envolvendo a divisão da área de renováveis, a holding de Rubens Ometto decidiu não utilizar os R$ 1 bilhão que seriam investidos pelo novo sócio, o BTG Pactual, na companhia.
Com isso, a Shell passa a conduzir sozinha as negociações com os credores e, caso a capitalização seja concluída, a participação da Cosan poderá ser diluída.
Segundo fontes, se avançar de forma independente na capitalização, a Shell deverá promover um saneamento financeiro da Raízen, possivelmente com redução do endividamento (haircut) e conversão de dívida em ações. Dessa forma, a petroleira poderia consolidar a empresa em seu balanço já reestruturada, evitando incorporar o elevado passivo atual.
O Valor Econômico e a Bloomberg News noticiaram anteriormente o desenvolvimento das negociações.
A Cosan disse que não poderia igualar o apoio financeiro que a Shell concordou em oferecer à Raízen, enquanto algumas das outras propostas da Cosan foram rejeitadas pela Shell, informou a Bloomberg, citando uma fonte.
Fundos administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, segundo a Reuters.
A dívida líquida da Raízen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro devido a uma combinação de investimentos pesados, clima instável e incêndios florestais, que levaram a colheitas mais fracas e volumes de moagem mais baixos.