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Pré-Market: Semana de expectativas e feriados

Olivia Bulla - 12/11/2018 - 8:23

Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado.

A semana começa com um feriado nos Estados Unidos, o que apenas reduz a liquidez em Wall Street mas não interrompe o pregão – negativo – por lá, e reserva uma nova pausa, desta vez, no Brasil, na quinta-feira, enxugando a liquidez dos negócios locais a partir de quarta-feira à tarde. Mas nem é por isso que o mercado financeiro brasileiro tem perdido ritmo.

A falta de anúncios por parte do novo governo e a série de gafes da equipe de transição têm deixado o investidor – estrangeiro, principalmente – ressabiado quanto à estratégia do presidente eleito em relação às propostas para enfrentar o rombo das contas públicas. Afinal, ainda nem se sabe qual é o plano para a Previdência que será apresentado ao Congresso.

Nesse sentido, chama atenção a decisão de Jair Bolsonaro de cancelar os compromissos previstos para amanhã com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira. Se, por um lado, a resposta do próximo presidente pode agradar, após o Congresso aprovar medidas que impactam as contas públicas, a mensagem transmitida pelo Executivo é de que não tem mais conversa com o atual Legislativo.

Assim, qualquer nova discussão sobre assuntos que Bolsonaro achar que o Congresso deve avaliar fica adiada para os deputados e senadores eleitos neste ano, com renovação em grande parte de ambas as Casas. Amanhã ele retorna a Brasília, onde tem compromissos com as instâncias superiores dos tribunais eleitoral (TSE), do trabalho (TST) e militar, que também pode tratar de temas polêmicos.

Já o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, parece ter avançado na formação de sua equipe. Relatos dão conta de que ele irá manter Ivan Monteiro na presidência da Petrobras e Mansueto Almeida no Tesouro Nacional, trazendo Joaquim Levy – ex-ministro da Fazenda no governo Dilma – para assumir o BNDES.

Mas a dúvida sobre quem irá comandar o Banco Central permanece e traz apreensão, apesar dos riscos menores à inflação à frente. Enquanto aguardam o anúncio oficial sobre o presidente da autoridade monetária e muitos nomes circulam, os investidores monitoram a votação de um projeto de lei para tornar o BC formalmente independente.

Se aprovada, a proposta tende a aumentar o otimismo sobre a promessa de reformas de Bolsonaro, com efeitos econômicos positivos a longo prazo. Isso significa que qualquer alívio pode empurrar o dólar para uma cotação mais próxima de R$ 3,70, sustentando a Bolsa ao redor dos 90 mil pontos.

Porém, com o feriado nacional no dia 15, dificilmente o mercado terá alguma resposta em breve. A nova pausa, na terça-feira que vem em algumas cidades brasileiras – entre elas, São Paulo – pode prolongar a ausência de novidades no front, ampliando a ansiedade do investidor. A tendência, então, é de que os negócios locais andem de lado.

Mas isso também vai depender dos desdobramentos no cenário internacional, onde são cada vez mais iminentes os sinais de um mercado de baixa (bear market). Essa percepção começou nos negócios com o petróleo, que já são negociados 20% abaixo da máxima em um ano, alcançada ainda no mês passado.

E esse derretimento do óleo começa a levantar questionamento sobre o crescimento econômico global no horizonte à frente. Mas em tempos de guerra comercial, a China continua mostrando sua força, seja no consumo doméstico, seja nas exportações. Em apenas um único dia, a gigante do comércio eletrônico Alibaba quebrou o recorde de vendas, somando quase US$ 31 bilhões.

Durante o Dia do Solteiro (双十一, “duplo par de um”, na tradução livre), a Alibaba vendeu US$ 24,3 bilhões em apenas 16 horas, faltando ainda oito horas para encerrar a data na China, marcada por megadescontos e que supera as vendas das tradicionais BlackFriday e CyberMonday nos EUA.

Os produtos das marcas Xioami, Apple e Dyson lideraram as encomendas feitas por chineses, enquanto as compras no exterior eram basicamente roupas e acessórios, além de telefones celulares, com os pedidos feitos principalmente por Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul. Os números mostram que os consumidores estão adotando totalmente a internet como opção.

Em reação, a bolsa de Xangai fechou em alta de 1,2%, enquanto Hong Kong e Tóquio ficaram de lado, apagando as perdas registradas durante a sessão. Mas o que chama atenção é a sinalização negativa dos índices futuros das bolsas de Nova York, que caem cerca de 1% nesta manhã. Porém, as celebrações pelo Dia dos Veteranos de Guerra nos EUA ontem prolongam a pausa no país.

As principais bolsas europeias caminham para uma abertura em queda, atentas às negociações no Reino Unido e na Itália com a União Europeia (UE). A libra esterlina e o euro recuam em relação ao dólar, em meio à falta de avanço sobre o Brexit e o orçamento fiscal em Roma. Já o petróleo se recupera, apesar do avanço da moeda norte-americana.

Entre os indicadores econômicos, dados de atividade são destaque no exterior. Amanhã à noite, saem a leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão no terceiro trimestre deste ano e o comportamento da indústria e do varejo chinês em outubro. Um dia depois, é a vez do PIB preliminar na zona do euro e também do índice de preços ao consumidor (CPI) nos EUA.

Durante o feriado no Brasil, o mercado financeiro reage ao discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na quarta-feira à noite, e também serão conhecidas as vendas no comércio varejista norte-americano no mês passado. Na sexta-feira, é a vez da produção industrial nos EUA e da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro, ambos em outubro.

Já a agenda brasileira traz como destaque as vendas no varejo em setembro, amanhã, e o desempenho do setor de serviços, na quarta-feira. No dia seguinte, é feriado no Brasil, o que mantém os mercados domésticos fechados e pode adiar a divulgação do índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br).

Hoje, o BC publica a pesquisa Focus com as previsões do mercado financeiro, que deve seguir confortável com a ausência de pressões inflacionárias relevantes no horizonte à frente, o que tende a estender o cenário de “juros baixos por um período prolongado”. Para um novo governo que assume com desafios em promover um ajuste fiscal, essa perspectiva já é um grande alívio…

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