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Pré-market: Sem trégua no noticiário eleitoral

Olivia Bulla - 13/09/2018 - 8:05

Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado.

O mercado financeiro brasileiro segue sensível ao noticiário eleitoral, que não dá trégua e redobra a cautela dos investidores. A cirurgia de emergência na noite de ontem em Jair Bolsonaro mostra o delicado quadro de saúde do candidato, deixando os negócios locais vulneráveis não apenas às pesquisas de intenção de voto, mas também aos boletins médico.

O candidato passa bem, mas foi reencaminhado para a UTI. Ontem, a notícia de que o vice na chapa presidencial do PSL, o general reformado do Exército Hamilton Mourão, pediu à Justiça Eleitoral para substituir Bolsonaro nas entrevistas e nos debates na TV, sem consultar a cúpula do partido, tirou o fôlego do mercado doméstico, que respirava aliviado com os números do Ibope.

O medo de racha na equipe também atingiu outro candidato de direita. A decisão do partido de Ana Amélia, vice na chapa de Geraldo Alckmin, de declarar apoio a Bolsonaro no Rio Grande do Sul, mostra que a base eleitoral do PSDB não é muito sólida. Desde a união com o tucano, o PP mostrava insatisfação, já que a senadora liderava a corrida pela reeleição no Estado.

Ao mesmo tempo, a força-tarefa da Polícia Federal em candidatos tucanos no Paraná e no Mato Grosso do Sul causam embaraços em Alckmin, dificultando as chances da candidatura dele decolar em meio a novos escândalos de corrupção. Enquanto isso, a esquerda faz um esforço adicional pela transferência de votos que iriam para o ex-presidente Lula.

Ou seja, o cenário eleitoral segue totalmente incerto e indefinido, o que tende a manter os ativos locais com alta volatilidade. Em linhas gerais, a percepção foi de que Ibope e Datafolha não mostraram um cenário muito diferente, com Bolsonaro consolidando-se na liderança, enquanto mais de um candidato tem se mostrado competitivo para disputar o segundo turno.

Nesse caso, chama atenção o derretimento de Marina Silva e a pouca força de Alckmin. Com isso, crescem as chances de o rival direto do deputado ser de esquerda. Ciro Gomes tem mostrado avanço expressivo. Já Fernando Haddad pode se consolidar com dois dígitos na preferência do eleitorado em breve, diante do apoio oficial de Lula.

Resta ver o que dirão os números da pesquisa Datafolha, cuja coleta começa hoje, mas a pesquisa só será conhecida amanhã à noite. Na agenda econômica do dia, destaque para as decisões dos bancos centrais do Reino Unido (8h) e da zona do euro (8h45). Em ambos os casos, a expectativa é de manutenção da taxa básica de juros em 0,75% e em zero, respectivamente.

Mas será importante observar as sinalizações dos BCs britânico (BoE) e europeu (BCE) em relação aos próximos passos, em meio ao processo de retirada dos estímulos monetários. Por isso, ganha atenção a entrevista coletiva do presidente do BCE, Mario Draghi (9h30).

No mesmo horário, nos EUA, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país e o índice de preços ao consumidor (CPI) em agosto, que devem reforçar os sinais de acúmulo de pressão inflacionária. Aliás, a aceleração da inflação nas economias desenvolvidas é uma questão de tempo. Não se trata mais sobre “se” irá ocorrer – mas quando.

E isso demanda taxas de juros mais elevadas no curto e médio prazo nos EUA, no Reino Unido, na zona do euro etc. Trata-se de um processo natural, às vésperas de se completar 10 anos desde o fim da quebra do Lehman Brothers, que abriu a torneira dos principais BCs globais, injetando liquidez ao redor do mundo.

Com isso, a retirada desses estímulos artificiais atinge em cheio os países emergentes, que foram beneficiados pela enxurrada de dinheiro farto e agora sofrem com o dólar mais forte em meio à reversão do processo. Por isso, a dinâmica dos ativos de maior risco têm sido mais negativa nos últimos meses.

Ainda no calendário econômico do dia, à noite, saem dados da indústria e do varejo na China em agosto. Por aqui, será conhecido o desempenho do comércio varejista em julho (9h). A previsão é de um leve avanço na comparação mensal, ao redor de 0,2%, mas queda no confronto anual, de -2,0%.

À espera desses eventos, os mercados internacionais mantêm o tom positivo no Ocidente, após uma sessão de recuperação na Ásia, que encerrou a maior sequência de perdas em 16 anos com 11 quedas seguidas do índice MSCI da região. Os investidores seguem monitorando a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que trouxe um fato positivo.

Os mercados no exterior saudaram a notícia de que o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, propôs uma nova rodada de conversações com Pequim, poucos dias depois de o presidente Donald Trump ter ameaçado impor aumentos nas tarifas sobre quase todos os produtos chineses. A notícia ajudou a aliviar a tensão entre os dois países e se o convite for aceito, um novo encontro entre representantes do alto escalão deve acontecer em Washington.

Nos demais ativos, o dólar está estável, o que dá espaço para o euro e a libra esterlina ganharem terreno antes das decisões de juros na Europa. Já o petróleo interrompe o rali de alta e segue cotado abaixo de US$ 70 por barril, após o furacão Florence perder força, com ventos mais fracos.

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