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Pré-Market: Mercado aguarda pesquisa eleitoral

Olivia Bulla - 04/09/2018 - 8:21

Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado

A primeira pesquisa de intenção de voto após o início da campanha eleitoral na TV será conhecida hoje, após o fechamento do pregão local, e só deve agitar o mercado financeiro brasileiro amanhã. Com isso, os investidores tendem a redobrar a cautela, à espera dos números do Ibope, que podem aliviar ou intensificar as preocupações com as eleições.

O instituto foi a campo desde a quarta-feira passada – portanto, antes do início do horário político em rádio e TV e também da decisão da Justiça Eleitoral de barrar a candidatura do ex-presidente Lula. O levantamento foi encerrado hoje e, no questionário aplicado, Lula aparece como candidato do PT, já que o partido ainda não alterou a chapa presidencial.

A ver, então, se o resultado a ser divulgado pela Rede Globo e o Estadão será inconclusivo, mostrando novamente Lula na liderança, seguido por Jair Bolsonaro e Marina Silva. Na quinta-feira, é a vez da pesquisa do Datafolha, que inicia os trabalhos hoje e, portanto, já deve seguir a orientação do TSE, de não considerar o ex-presidente como candidato, trazendo um novo cenário. O levantamento da Folha de S.Paulo vai até depois de amanhã.

Aliás, Lula decidiu adiar a apresentação de Fernando Haddad como candidato a presidente, mas já admite retirar a candidatura no dia 11. O ex-presidente quer aguardar a apresentação de recurso na Suprema Corte, tendo como base a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, seguindo também a divergência no voto de Edson Fachin, na semana passada.

Para a vice-presidente do órgão da organização, Sarah Cleveland, a decisão de negar o registro da candidatura de Lula é uma violação aos tratados internacionais assinados pelo país e o governo brasileiro deverá ser notificado. Mas o mérito do caso do ex-presidente só deve ser tratado pela ONU em 2019.

Entre os indicadores econômicos, destaque para o desempenho da produção industrial brasileira em julho, que deve recuar 1,00% em relação a junho. É bom lembrar que os resultados dos dois meses anteriores foram distorcidos pela greve dos caminhoneiros, com a queda de 11% em maio sendo seguida pelo salto de 13,1% no mês seguinte.

Já na comparação com julho de 2017, a atividade na indústria deve ter crescido 2%. Os números oficiais serão conhecidos às 9h e devem reforçar a percepção de que o otimismo com a retomada econômica visto no início do ano foi exagerado. Também merecem atenção os dados da produção industrial na Argentina, que saem à noite (hora local).

Ontem, o governo Macri anunciou uma série de medidas econômicas, com destaque para o aumento de impostos sobre a exportação de grãos (retenciones), com o tributo ficando duas vezes maior. O presidente Mauricio Macri planeja alcançar um equilíbrio fiscal em 2019, com parte do resultado vindo do corte de gastos. Ele admitiu que a pobreza no país deve aumentar.

O Brasil vem sendo contaminado pela situação no país vizinho em duas frentes. Primeiro, por causa da pressão sobre os países emergentes em geral, em meio ao processo de aumento de juros nos Estados Unidos e à retirada de estímulos dos principais bancos centrais, dando fim à era de farta liquidez global, que teve início com a eclosão da crise financeira há 10 anos.

Em outro front, as incertezas eleitorais têm deixado os ativos brasileiros mais sensíveis, diante da possibilidade de eleição de um presidente avesso à agenda de reformas – tidas como essenciais para colocar as contas públicas em ordem. Além disso, mesmo que o governo eleito tente emplacar mudanças estruturais, é preciso ter apoio do Congresso para aprová-las.

Assim, o processo de normalização monetária nas economias desenvolvidas – principalmente nos EUA – aliado à ausência de reformas em países emergentes e ao excesso de fluxo para esses mercados desde a quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, é o principal fator responsável para esta dinâmica negativa nos ativos de maior risco agora. É o chamado “ciclo da volta”.

De volta à agenda econômica, o dia reserva a divulgação de indicadores da indústria em agosto nos Estados Unidos, pela manhã, e no setor de serviços na China, à noite. As fabricantes norte-americanas de veículos também anunciam as vendas em agosto, ao longo do dia. Às 11h, saem os gastos com a construção civil nos EUA em julho.

Lá fora, os mercados internacionais ganham tração, com Wall Street voltando do feriado ontem, que marcou o fim das férias de verão. Com isso, os negócios tendem a ganhar mais volume financeiro, evitando distorções nos ativos. Como pano de fundo, prevalece a guerra comercial e a dificuldade nas negociações dos EUA com Canadá e China.

Nesta manhã, o sinal positivo prevalece entre os índices futuros das bolsas de Nova York, embalando o pregão na Europa, após uma sessão de ganhos em Hong Kong e Xangai. Entre as moedas, o rand sul-africano, o peso mexicano e a rupia indiana recuam, com o dólar mostrando força frente aos rivais mais fortes, como euro, libra e iene. Nas commodities, o cobre cai pelo quinto dia seguido, enquanto o petróleo está no maior nível em oito semanas.

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