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Pré-Market: Guerra comercial esfria

Olivia Bulla - 16/08/2018 - 8:31

Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado

Os sinais de redução da tensão comercial entre Estados Unidos e China, que enviará o vice-ministro do Comércio, Wang Shouwen, a Washington para negociar animam o mercado financeiro internacional nesta quinta-feira, dia de agenda econômica fraca. São as primeiras trocas oficiais entre as duas maiores economias do mundo em dois meses, o que renova as esperanças do fim de uma guerra ao livre comércio e resgata o apetite por risco.

No Brasil, os investidores também devem se empolgar com a contestação feita pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, na Justiça Eleitoral (TSE) sobre a candidatura do ex-presidente Lula à Presidência. O PT registrou ontem seu principal cabo eleitoral como candidato, após uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas. O questionamento será analisado pelo juiz Luís Roberto Barroso.

Esses dois fatores devem impulsionar os negócios locais, um dia após o dólar se aproximar da faixa de R$ 3,90 e a Bovespa cair quase 2%. Lá fora, a moeda norte-americana perde terreno para as rivais, sendo que o yuan chinês (renminbi) avançou pela primeira vez em sete dias. O sinal positivo também predomina nas bolsas do Ocidente, mas Hong Kong e Xangai fecharam no vermelho, apesar do convite feito pela Casa Branca.

De acordo com Pequim, Wang se encontrará com o subsecretário norte-americano do Tesouro encarregado de Assuntos Internacionais, David Malpass, no fim deste mês, a convite dos EUA. Antes disso, na próxima semana, o governo Trump irá impor taxas adicionais sobre US$ 16 bilhões em produtos chineses importados ao país.

Será, portanto, um encontro com representantes de baixo escalão para negociar e ver se há a possibilidade de uma conversa de mais alto nível entre os dois países. Em junho, o secretário do Comércio nos EUA, Wilbur Ross, se reuniu em Pequim, com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, para abordar questões comerciais, mas o encontro falhou em  reduzir as tensões.

Desta vez, um potencial avanço no impasse comercial sino-americano alivia parte da cautela com a crise na Turquia, que disparou uma forte onda vendedora (sell off) desde o fim da semana passada. Hoje, a lira turca continua a se fortalecer, com a notícia de que o Catar irá investir US$ 15 bilhões na economia do país euro-asiático.

A questão turca reduz a pressão nos ativos emergentes, com os investidores descartando um risco de contágio nesses países, diante da percepção que os fatores que estão abalando a moeda da Turquia são específicos e não devem contaminar os demais mercados. Nesse contexto, a principal questão é como (e se) o Brasil está preparado para enfrentar maior instabilidade no cenário externo.

O vaivém dos negócios locais nos últimos dias serve de alerta por parte dos investidores de que a rota do país precisa ser alterada, contornando a trajetória da dívida pública e fazendo as reformas que o mercado vê como essenciais. Por isso, a preferência por um governo reformista a partir de 2019, que coloque em prática o ajuste fiscal.

As pesquisas de intenção de voto continuam sendo importantes, embora os levantamentos sigam sem mostrar novidades. O ex-presidente Lula e o deputado Jair Bolsonaro lideram a disputa, em cenários alternativos, com o segundo lugar embolado entre os demais candidatos – considerando-se as margens de erro.

A expectativa recai, então, no início da campanha eleitoral na TV, no dia 31, que pode firmar algum nome na corrida presidencial. O desejo do mercado é de que seu candidato preferido, o tucano Geraldo Alckmin, consiga ganhar tração, alcançando os dois dígitos. Já o maior receio é que um candidato de esquerda desponte, principalmente se tiver o apoio de Lula.

A agenda econômica norte-americana segue carregada de indicadores econômicos, porém de menor relevância. Às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA, os dados sobre a construção de moradias em julho e o índice regional de atividade na Filadélfia neste mês.

No Brasil, o calendário do dia também está fraco, sem destaques. Pela manhã, tem mais uma leitura parcial da inflação ao consumidor (8h) e detalhamento dos números do desemprego no país ao final do primeiro semestre deste ano (9h).

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