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Pré-Market: Contagem regressiva

Olivia Bulla - 19/01/2018 - 7:34

Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado

A contagem regressiva para o julgamento contra o ex-presidente Lula já colocou um pé no freio nos mercados domésticos e esta sexta-feira deve ser ainda mais arrastada, com os investidores aguardando uma definição sobre o futuro do petista na corrida presidencial para, então, assumirem uma postura mais firme. O fôlego de alta dos ativos de riscos deve ser testado na próxima semana – ou enquanto o exterior seguir favorável.

Nesta manhã, o sinal continua negativo em Wall Street, após as perdas de ontem, o que não impediu uma sessão de ganhos na Ásia, com o índice MSCI da região caminhando para a sexta semana seguida de valorização. O dia foi positivo em Xangai, Tóquio e Seul. As principais bolsas europeias também apontam para uma abertura no azul.

Já o dólar volta a perder terreno para as moedas rivais, sendo negociado no menor nível em quatro meses ante uma cesta de moedas. O destaque fica com o yuan chinês, que ultrapassou a marca de 6,4 yuans por dólar pela primeira vez desde 2015. O petróleo, por sua vez, tem queda acelerada e é cotado no menor nível em mais de uma semana.

Entre os bônus, o rendimento (yield) dos títulos norte-americanos (Treasuries) segue em alta, com os investidores monitorando a possibilidade de paralisação (shutdown) do governo. Na véspera de completar seu primeira ano de mandato como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump pode ficar sem recursos, uma vez que os senadores republicanos pressionam para aprovar um acordo orçamentário para 2018.

Os congressistas do partido de Trump, que domina o Senado e a Câmara, querem um orçamento para 2018 que aumente o gasto militar, mas esbarram na questão dos jovens imigrantes (dreamers), que correm o risco de deportação. O texto já foi aprovado pelos deputados e, se não houver um acordo entre os senadores, o governo dos EUA pode parar, como ocorreu em 2013.

Assim, ainda não se sabe até quando vai durar o apetite global por ativos mais arriscados. O entendimento é de que enquanto os bancos centrais seguirem dispostos em não apertar muito o ritmo de redução dos estímulos e as principais economias continuarem impulsionando o crescimento econômico mundial, a busca por maiores retornos deve continuar.

Por isso, nem a piora no cenário de inflação no Brasil, com leituras mais salgadas de índices de preços, combinada com as chances cada vez menores da reforma da Previdência, com o governo cogitando suspender a votação marcada para fevereiro, tem pesado nos negócios locais. O mais importante, por enquanto, continua sendo o desfecho do caso do tríplex no Guarujá (SP) em segunda instância, na próxima semana.

Até porque, a reação dos mercados domésticos à decisão do chamado TRF4, em Porto Alegre, deve acontecer em uma sexta-feira espremida entre o feriado na cidade de São Paulo e o fim de semana. A estimativa é de que o caso tenha início em 24 de janeiro, mas o veredicto final só deve ser conhecido no dia do aniversário da capital paulista, na quinta-feira da semana que vem, quando os mercados de renda fixa e variável estarão fechados.

Hoje, a semana chega ao fim novamente com poucos indicadores econômicos relevantes. O calendário traz apenas o índice de confiança do empresário industrial no Brasil em janeiro (10h) e também a prévia deste mês do índice de confiança do consumidor norte-americano (13h). Ainda sem data definida para divulgação, a arrecadação de dezembro deve atingir quase R$ 140 bilhões, no maior resultado mensal em mais de um ano.

 

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