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Por que o mercado de títulos soberanos fez o bitcoin (BTC) cair abaixo dos US$ 90 mil?

21 jan 2026, 11:17 - atualizado em 21 jan 2026, 11:17
Bitcoin (BTC) cai com avanço dos títulos soberanos (Imagem Copilot)
Bitcoin (BTC) cai com avanço dos títulos soberanos (Imagem Copilot)

Um movimento nem tão silencioso ameaça a estrutura do mercado financeiro global. Isso porque os ativos mais seguros do mundo, os títulos do Tesouro norte-americano (T-bonds) e outros títulos soberanos ligaram o alerta laranja para os investidores — e ajudaram na derrubada do mercado global de criptomoedas, contribuindo para a queda do bitcoin (BTC) 

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Voltando alguns passos, títulos soberanos são dívidas emitidas pelos países e, tendencialmente, são os ativos mais seguros de uma nação por estarem atrelados diretamente ao governo. 

Naturalmente, existem países mais e menos arriscados de se investir. Não apenas os T-bonds são considerados os mais seguros, mas também os títulos do Japão são usados como referência desse mercado — ou, pelo menos, era nisso que se acreditava.  

Na última terça-feira (20), os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram com força na volta do feriado após a elevação dos temores de uma escalada da guerra comercial entre os EUA e a Europa. 

O rendimento (yield) do T-bond de 10 anos chegou a operar em 4,290%, enquanto os vencimentos mais longos avançavam ainda mais: o retorno dos títulos de 20 e 30 anos chegou a tocar os 4,871% e 4,916%, respectivamente, patamar considerado extremamente elevado para os padrões norte-americanos.  

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Do mesmo modo, os títulos japoneses (JGB, na sigla em inglês) de dez anos, após décadas de yields próximos de zero, subiram para cerca de 2,29%. 

E o que isso tem a ver com o bitcoin (BTC) e as criptomoedas 

De acordo com André Franco, CEO da Boost Research, as sucessivas ameaças do governo norte-americano sobre uma possível invasão da Groenlândia culminaram no ressurgimento do chamado Sell America Trade (ou “venda a América”, em tradução livre), levando os investidores a reduzirem a exposição a ativos dos EUA. 

“Esse movimento provocou forte sell-off em Wall Street, queda significativa nos principais índices futuros e um deslocamento de capital para ativos considerados porto-seguro, como ouro e prata, que atingiram máximas recordes”, comenta. “O bitcoin também sofreu diante desse cenário, sendo cotado a aproximadamente US$ 89,4 mil, com uma expectativa de curto prazo neutra a levemente negativa”.  

Na visão dos analistas do QCP Asia, em vez de se comportar como um hedge (proteção) em momentos de tensão, o BTC está sendo negociado como um ativo de risco de alto beta, isto é, mais volátil e altamente sensível a juros e geopolítica entre mercados. 

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“Nesse contexto, o Bitcoin permanece sob pressão abaixo de US$ 90 mil, após apenas recentemente ter recuperado os US$ 97 mil. O momentum tem dificuldade para se restabelecer à medida que o apetite por risco diminui e a liquidez se estreita nas margens”, comentam. 

Por isso, os especialistas entendem que as criptomoedas tendem a permanecer mais reativas e não firmar uma direção única em um primeiro momento até que surjam sinais mais claros da geopolítica global.  

Por enquanto, o mercado está mais focado na preservação de capital do que em uma convicção de alta ou queda mais consistente. 

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É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
É editor-assistente do Money Times, atua na cobertura de criptomoedas, criptoeconomia e tecnologia para o Crypto Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, graduando em Economia na Unifesp. Foi repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
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