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Política e Shale nos EUA conduziram o petróleo em 2018; Cenário é igual para 2019

Investing.com Brasil - 30/12/2018 - 10:15

Por Ellen R. Wald, Ph.D., da Investing.com

Sem dúvida, o principal destaque do petróleo em 2018 foi sua volatilidade de preços. A commodity já teve uma desvalorização de quase 30% em relação a este mesmo período do ano passado.

O WTI iniciou o ano de 2018 negociado a cerca de US$ 60 por barril; agora, está sendo cotado na faixa de US$ 44 a US$ 47 por barril. O Brent começou o ano em US$ 66,65 e encerrou no pregão de quarta-feira próximo a US$ 54 por barril.

Nos primeiros quatro meses de 2018, houve volatilidade nos mercados de petróleo, mas a commodity ainda continuou subindo firme, graças à ajuda oferecida pelo acordo de cooperação firmado entre a Opep e não membros do cartel para reduzir a produção petrolífera.

Com diversas organizações externas (entre elas, S&P Global Platts, cujos números de produção são citados com frequência nestas colunas) e reuniões regulares do Comitê de Monitoramento Ministerial Conjunto (JMMC, em inglês), da Opep, foi possível determinar que a maioria dos países realmente aderiu às suas alocações de produção. Mesmo assim, ficou evidente que o Iraque e o Cazaquistão elevaram consistentemente suas produções.

Um segundo fator que impulsionou os preços durante esse período: muitos importantes países produtores sofreram declínios involuntários em suas extrações. Em particular, a antiga potência do setor, a Venezuela, cuja produção despencou para 1,41 milhão de barris por dia em abril, e Angola, que produziu apenas 1,53 milhão de barris por dia no mesmo período. Ao mesmo tempo, também houve queda de produção na Líbia e no Gabão.

Revés surpreendente pressiona os preços

Entretanto, os oito meses seguintes de 2018 fizeram com que a primeira parte do ano parecesse até calma e tranquila. A combinação de uma série de reveses inesperados acabou pressionando os preços para baixo.

No início de maio, o governo Trump anunciou que aplicaria novas sanções à indústria petrolífera do Irã, as quais entrariam em vigor no início de novembro. A decisão em si não foi particularmente surpreendente, mas a reação do mercado, sim, foi impressionante.Apesar de o WTI atingir US$ 72 por barril em meados de maio, esses ganhos foram eliminados em junho.

O real impacto da nova política de sanções do governo Trump ficou patente a partir de junho e ao longo de julho e agosto. Inicialmente, os analistas consideraram que o governo Trump simplesmente restituiria as sanções da era Obama à indústria petrolífera do Irã e as implementaria da mesma forma.

Essas sanções incluíram isenções significativas a importadores asiáticos do petróleo iraniano que reduzissem suas aquisições daquele país. À época, esses países também tiveram permissão para importar a quantidade que desejassem de condensado, contanto que diminuíssem suas compras de petróleo bruto.

Entretanto, o governo Trump adotou uma forte retórica, indicando que não concederia isenções e que esperava que os compradores do petróleo iraniano reduzissem suas importações a zero até 5 de novembro, data de implementação.

A indústria do shale nos EUA também ajudou a impulsionar a volatilidade. No Seminário Internacional da Opep, realizado no dia 20 de junho, Scott Sheffield, CEO da Pioneer Natural Resources (NYSE:PXD), soltou uma bomba. Ele declarou aos participantes que a falta de oleodutos e mais infraestrutura poderia restringir a produção do petróleo americano no Texas Ocidental e no Novo México. Sheffield afirmou ainda que a Opep precisaria colocar mais petróleo no mercado, ou os preços disparariam acima de US$ 80 por barril e, nos 3 ou 4 meses seguintes, os produtores seriam forçados a fechar poços.

Com isso, de 20 de junho a 5 de julho, os preços do petróleo alcançaram valores que geraram preocupações entre os políticos. Houve um salto no preço da gasolina, atingindo os consumidores bem na alta temporada de viagens de verão nos EUA.

O WTI ganhou US$ 10, subindo para US$ 74 por barril, o que desencadeou uma onda de pressão pública e privada do presidente Trump sobre a Opep, especialmente sobre a Arábia Saudita, para que aumentasse a produção de petróleo, de forma que, quando entrassem em vigor as sanções ao Irã, os preços da commodity não tivessem um pico de três dígitos. A Opep já havia indicado que, devido a cortes involuntários de produção, alguns produtores estavam sofrendo.

O cartel e seus membros associados anunciaram que não respeitariam mais suas cotas. Ao contrário, o grupo determinou que os produtores que estivessem com capacidade ociosa poderiam exceder suas cotas para compensar os declínios em outros países.

Mesmo assim, até meados de setembro, analistas previam o barril de petróleo a US$ 100. Traders “compraram” essa previsão, mesmo havendo sinais de que o aumento da oferta de petróleo e a desaceleração do crescimento da demanda não dariam suporte a um preço tão alto. Apesar de relatórios da EIA durante o mês indicarem que os EUA provavelmente haviam superado a Arábia Saudita e a Rússia como maiores produtores de petróleo do mundo, os preços continuaram em ascensão.

O WTI atingiu a máxima de quase US$ 77 por barril no início de outubro. Ao longo do mês, a Arábia Saudita aumentou silenciosamente a produção e depois a elevou mais um pouco, mas desta vez, em novembro, com mais alarde, alcançando um recordede 11,02 milhões de barris por dia (de acordo com Platts).

O esforço deu resultado. Os preços caíram ao longo de outubro, à medida que mais petróleo da Arábia Saudita, Rússia e EAU chegava ao mercado, ficando claro que a falta de infraestrutura no Permiano não era nem de perto tão ruim quanto se previa. Os produtores de shale aproveitaram os altos preços, moveram as sondas para áreas com mais oleodutos e usaram outros meios para transportar seu petróleo para fora do Permiano, em vez de cortar a produção.

A decisão da EPIC Midstream Holdings de converter os dutos EPIC para o transporte de petróleo bruto também ajudou a aliviar o déficit de infraestrutura, mantendo o forte crescimento da produção.

Mas, no início de novembro, o governo Trump surpreendeu os mercados ao anunciar que não exigiria que os importadores do petróleo iraniano reduzissem suas aquisições a zero no dia 5 de novembro. Em vez disso, seriam emitidas isenções a determinados importadores regionais.

Embora a quantidade de petróleo iraniano que poderia legalmente permanecer no mercado fosse menor do que a permitida durante as sanções da era Obama, as isenções foram significativas. Os preços despencaram.

A queda livre continuou ao longo de novembro e dezembro. De fato, no último mês, os mercados viram diversas quedas de 6% ou 8% em um único dia. A Opep, durante uma reunião no início de dezembro, tomou a decisão prevista de cortar a produção em 1,2 milhão de barris por dia.

Os mercados, no entanto, ficaram insatisfeitos por considerarem que a redução não chegaria nem perto do suficiente. A produção petrolífera norte-americana continuou crescendo mesmo com a expectativa de desaceleração do crescimento da demanda.

Esse fato, juntamente com temores de uma recessão, jogou os preços do petróleo para o seu menor ponto em todo o ano. Nos dias de baixa de 2018, o petróleo parece estar recuperando algumas das suas perdas, mas esses ganhos (8% para o Brent e 10% para o WTI no dia 26 de dezembro) não necessariamente indicam uma tendência.

Petróleo a US$ 100 não é mais uma possibilidade

Há apenas alguns meses, muitos acreditavam que veriam o barril de petróleo sendo vendido a US$ 100 antes do fim do ano. Com a chegada dos primeiros meses de 2019, o mercado terá sorte se o Brent permanecer acima dos US$ 50 por barril. O WTI pode perfeitamente ficar nos US$ 40.

No início deste mês, eu descrevi os três fatores-chave que, em minha visão, poderiam afetar os mercados de petróleo em 2019. Os principais catalisadores provavelmente seriam a Opep e as sanções ao Irã.

A Opep se reunirá em abril, e os EUA revisarão e reconsiderarão suas isenções às sanções logo em seguida. No entanto, se ficar aparente que o WTI não romperá a marca de US$ 50 em janeiro, os traders também devem ficar atentos às empresas petrolíferas de shale, à contagem de sondas e às estatísticas semanais de produção. Esses preços baixos, em conjunto com práticas mais restritivas de empréstimo em Wall Street, podem forçar as empresas a desacelerar seu crescimento na primeira metade de 2019.

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