PIB da China sobe 6,5% no 3º tri, menor crescimento desde 2009
Por Arena do Pavini – No terceiro trimestre deste ano, a economia chinesa cresceu 6,5% em termos anualizados na comparação com o mesmo período de 2017, de acordo com o órgão oficial de estatísticas do país, que também divulgou dados de atividade referentes a setembro. O crescimento é o menor desde 2009, logo depois da crise mundial do subprime iniciada nos EUA, e ficou abaixo da observada no primeiro trimestre do ano, de 6,7%, e das expectativas do mercado, de 6,6%. Na comparação com o segundo trimestre, já descontados os efeitos sazonais, a desaceleração foi notável, passando de um crescimento de 1,8% no segundo trimestre, para outro de 1,6% no terceiro, dentro das expectativas.
O desempenho da economia chinesa, a segunda maior do mundo, é importante para o mercado de commodities e para os países emergentes, fornecedores de matérias-primas para a indústria da China, caso do Brasil.
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Os dados de atividade de setembro especificamente tiveram um movimento misto, com arrefecimento da produção industrial e ligeiro avanço dos investimentos e das vendas do varejo, segundo análise do Departamento Econômico do Bradesco. A produção industrial desacelerou de 6,1% anualizados em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado para 5,8% em setembro, ficando abaixo da mediana das expectativas, que indicava moderação para 6,0%. Os investimentos em ativos fixos, ou seja, os investimentos em máquinas e outros bens para produção, passaram de uma alta de 5,3% para outra de 5,4% considerando o acumulado do ano, impulsionados pela indústria manufatureira, enquanto os setores de infraestrutura e imobiliário continuaram perdendo ritmo.
Já as vendas no varejo subiram 9,2%, ficando acima das expectativas e do crescimento registrado em agosto, ambos de 9,0% (ver gráfico abaixo).
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O Bradesco diz que continua acreditando em uma desaceleração da economia chinesa em 2018, com crescimento de 6,5% do PIB. “Ainda assim, devemos reconhecer que os riscos são baixistas neste momento, levando em conta os ajustes internos em curso e o potencial de perda de exportações, decorrente das tensões comerciais com os EUA”, diz o banco em relatório. Ao longo dos últimos meses, o governo chinês tem aliviado as políticas econômicas, mas a resposta da economia tem sido lenta e aquém da esperada. “De todo modo, mantemos nossa visão de que esses estímulos seguirão presentes, o que deve garantir estabilidade nos próximos meses.”
Já a LCA Consultores destaca como principal fator para a desaceleração do PIB chinês a indústria, que avançou apenas 5,8% em relação ao ano anterior, ante a média de 6,2% ao longo deste ano.
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A boa notícia foi que o PIB do setor de serviços se manteve em aceleração: 7,7% no terceiro trimestre, contra 7,6% no segundo e 7,5% no primeiro. No ano, o PIB da China cresceu 6,7% sobre o mesmo período do ano passado, em termos anualizados.
A meta do governo chinês é um crescimento de 6,5%, lembra a LCA. A disputa comercial com os EUA pode causar efeitos mais fortes na atividade econômica, em especial na indústria. Assim, continua a expectativa de que voltem a ser utilizadas novas medidas de estímulo econômico como forma de conter essa desaceleração. Novas reduções do compulsório bancário e expansão dos gastos públicos em infraestrutura são prováveis, diz a consultoria.