Petróleo despenca mais de 6% com aumento da produção pela Opep+ e tarifas de Trump

Os preços do petróleo derreteram mais de 6% nesta quinta-feira (3) em reação à decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) em aumentar a produção a partir de maio e ao plano tarifário dos Estados Unidos.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para junho, encerraram com recuo de 6,42%, a US$ 70,14 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para maio caíram 6,64%, a US$ 66,95 o barril, em New York Mercantile Exchange (Nymex).
O que derruba o petróleo hoje?
Nesta quinta-feira, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, que são liderados pela Rússia, (Opep+) decidiu avançar com o plano de eliminar gradualmente os cortes na produção de petróleo a partir de maio — e surpreendeu o mercado.
No próximo mês, a Opep+ deve aumentar produção do óleo bruto em 411.000 barris por dia (bpd).
Para a Ativa Investimentos, “a antecipação do reestabelecimento das quotas por parte da Opep contribui para aumentar o sentimento negativo em um mercado onde os prognósticos para a oferta já se mostravam mais fortes que para a demanda”.
Anteriormente, oito membros da Opep+ (Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque, Argélia, Cazaquistão e Omã) já haviam se programado para aumentar a produção em 135 mil barris por dia em maio, como parte de um plano para desfazer gradualmente a camada mais recente de cortes de produção.
No comunicado da decisão, o grupo disse que a decisão foi tomada com base em “fundamentos de mercado saudáveis contínuos e a perspectiva positiva do mercado”. “Isso inclui o aumento originalmente planejado para maio, além de dois incrementos mensais”, disse a Opep. “Os aumentos graduais podem ser pausados ou revertidos, sujeitos à evolução das condições de mercado.”
A Opep+ também tem 3,65 milhões de bpd de outros cortes de produção em vigor até o final do ano.
Tarifas de Trump
O petróleo também é considerado um “termômetro” de aversão ou apetite ao risco em escala global. Em resumo: o preço do óleo bruto tende a cair em dia de queda nos mercados acionários internacionais.
Antes da decisão da Opep+, os preços do petróleo já registravam baixa de mais de 4% com o anúncio das tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos países que são parceiros comerciais.
Trump informou que o país adotará uma nova política comercial que combina uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações com tarifas recíprocas adicionais, direcionadas a países com grandes déficits comerciais e barreiras mais elevadas à entrada de produtos norte-americanos.
A tarifa-base de 10% entra em vigor em 5 de abril, enquanto as tarifas recíprocas — que podem chegar a 49% — serão aplicadas a partir de 9 de abril. Hoje (3), as taxas de 25% sobre a importação de automóveis nos EUA entrou em vigor.
De acordo com a Casa Branca, China (com taxa de 34%), Vietnã (46%), União Europeia (20%) e Taiwan (32%) serão os mais impactados. A América Latina, com exceção do México, será sujeita à alíquota-base, de 10% — já que nesses países, os EUA têm superávits comerciais.
No caso do petróleo, o impacto está relacionado a uma possível guerra comercial global, que deve restringir o crescimento econômico mundial e, assim, limitar a demanda por combustível. Os EUA, por exemplo, é o maior consumidor do petróleo no mundo.
*Com informações de Reuters