Petrobras (PETR4): O balde de água fria que joga a Braskem (BRKM5) na lona
As ações da Braskem (BRKM5) caíram com força após a Folha de S. Paulo noticiar que a Petrobras (PETR4) teria interesse em comprar a participação da Novonor, antiga Odebrecht. Por volta das 14h37, a ação da petroquímica derretia 6,46%, a R$ 22,75.
Segundo o jornal, o presidente da estatal Jean Paul Prates teria dito, em conversas privadas, que avalia exercer o direito de preferência da companhia.
A Novonor detém 50,1% do capital votante da petroquímica, enquanto os outros 36,1% e 25,6% pertencem à Petrobras (PETR4) e outros acionistas, respectivamente. Porém, em caso de venda, a estatal possui prioridade para comprar a outra parcela.
Ainda segundo a informação, a ideia teria aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deseja aumentar a participação em ativos estratégicos.
Por volta das 13h, porém, a Petrobras divulgou fato relevante negando qualquer tratativa de comprar a companhia.
“Nesse sentido, a companhia esclarece que decisões sobre investimentos e desinvestimentos são pautadas
em análises criteriosas e estudos técnicos, em observância às práticas de governança e os procedimentos
internos aplicáveis”, diz.
Até o momento, parece que o mercado não deu bola, já que o papel continua derretendo.
Petrobras pode parar a negociação
Analistas já calculam cenário em que a Petrobras freia as negociações com os árabes.
Desde a última sexta-feira (5), o mercado avalia potencial compra pela petroleira estatal Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), em parceria com a gestora Apollo, da participação da Novonor. As ações dispararam desde então.
Segundo o BTG, caso a compra seja realizada, com um preço de R$ 47 por ação, a participação da Novonor na Braskem valeria R$ 14,4 bilhões, alinhando seus interesses (resolvendo grande parte de sua dívida) com os dos credores (recuperando parte de seu investimento).
Atualmente, as ações da empresa são negociadas a R$ 22,70. No último mês, os papéis tiveram um aumento de 36%.
Pedro Soares e equipe de analistas do BTG dizem que a Petrobras pode representar um risco para o negócio e os acionistas minoritários da companhia “podem não capturar nenhum upside”.
Isso porque uma mudança de controle na Braskem desencadearia direitos de tag along para os acionistas minoritários, que é a oportunidade desses investidores venderem suas participações e receberem, no mínimo, 80% do valor que é oferecido aos majoritários.
Contudo, os analistas do BTG argumentam que a atual postura da Petrobras de “reacender o modo crescimento” pode fazer com que ela exerça seu “direito de preferência e cubra a oferta da Apollo/Adnoc”.
Nesse caso, “acreditamos que a oferta seria apenas para comprar a participação da Novonor”, pontua o BTG. Portanto, sem uma mudança de controle, a operação não incluiria direitos de tag along para acionistas minoritários de ações preferenciais.
Com Iasmim Paiva