Payroll de março ainda não reflete incerteza nos EUA, mas próximas leituras já devem incorporar tarifaço de Trump

O payroll de março ainda não reflete o ambiente de incerteza elevada que a economia dos Estados Unidos (EUA) enfrenta no momento, avaliam economistas.
A economista do ASA, Andressa Durão, afirma que o mercado de trabalho continuou apresentando crescimento em ritmo sólido e a taxa de desemprego permanece em nível baixo.
O país criou 228 mil vagas de emprego no terceiro mês do ano — bem abaixo das expectativas do mercado, que esperava a criação de 137 mil vagas. Já a taxa de desemprego foi de 4,2%.
Apesar de os dados continuarem apontando para uma economia forte, o aumento das chances de recessão na economia norte-americana alteram o balanço de riscos da política monetária, afirma a economista do ASA.
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Isso, portanto, sugere uma mudança de postura do Federal Reserve (Fed), que deve se manter disposto a agir para conter os possíveis efeitos.
Em linha, o economista sênior do Inter, André Valério, diz ainda que os próximos relatórios de emprego dos EUA devem começar a incorporar os impactos das medidas protecionistas anunciadas por Trump esta semana.
“Vemos o Fed em uma posição reativa, aguardando o desenvolvimento dos fatos para sua tomada de decisão, justamente porque um corte preventivo, como o mercado parece desejar neste momento, pode dificultar ainda mais o trabalho do Fed à frente, caso a inflação acelere em resposta às tarifas”, afirma.
Powell e Trump divergem
Nesta sexta-feira (4), inclusive, o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, disse a política monetária está bem posicionada para esperar por maior clareza das taxas anunciadas por Donald Trump antes de considerar quaisquer ajustes nos juros. “Não precisamos ter pressa”.
Powell espera que as taxas “maiores do que o esperado” gerem mais inflação e desacelerem o crescimento da economia do país. Ele disse também que será “muito difícil” avaliar os efeitos das medidas protecionistas até que haja maior certeza sobre os detalhes.
O presidente Trump, por sua vez, disse que é o “momento perfeito” para reduzir os juros e pediu que Powell comece a flexibilizar a política monetária.
“Esse é o momento perfeito para o presidente do Fed, Jerome Powell, cortar os juros. Ele está sempre ‘atrasado’, mas agora ele poderia mudar sua imagem”, disse Trump em uma postagem na rede social Truth Social.