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Os 7 pecados capitais ao investir em ações

Opinião - 19/02/2019 - 20:48

Por Inversa Publicações

Dante Alighieri nos fez a gentileza de apresentar seu inferno em nove círculos. Começando pelo limbo, local dos virtuosos sem fé, cada um dos círculos acolhe os pecadores conforme os seus erros em vida, seus pecados.

Gula? Que tal ser dilacerado por um cão de três cabeças atolado em lama sob forte chuva?

Ira? Você passaria a eternidade amontoado com outras pessoas em um lago de água e sangue borbulhante, batendo-se e torturando-se.

Corrupção? Submersão em um lago de piche fervente…

Enfim, o inferno de Dante talvez seja a representação mais popular desse local destinado a purgar os pecadores. Os sete pecados capitais talvez sejam a mais popular lista de vícios humanos. E, ao contrário do que muitos imaginam, essa lista é anterior até mesmo ao cristianismo.

Mas não estou aqui para falar de religião. Será que podemos aprender algo para melhorar nosso comportamento como investidores ao dar uma olhadinha nesses sete pecados?

Será que conseguimos escapar do inferno dos investidores?

Gula

Querer ter sempre mais e mais, não se contentar com o que já tem… A raiz da gula está nesse egoísmo natural do ser humano, quando não controlado.

Lógico que, ao investir, buscamos ter a melhor performance possível. Aliás, não deveria ser algo exclusivo dos investimentos, mas de qualquer atividade humana: melhorar a cada dia.

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Mas falo de um ponto além na curva… Um dos paralelos da gula no mundo dos investimentos é alavancar-se. Investir acima de suas capacidades ou limites pré-definidos esperando, assim, potencializar ganhos. Seja com posições abertas, contraindo empréstimos ou utilizando recursos reservados a outras finalidades.

Aqui, o risco está nas mudanças de cenário ou erros de avaliação que fazem com que “apostas” não se concretizem positivamente. E estando alavancado (investimento maior do que sua capacidade de honrar), as perdas podem ser irreversíveis.

Uma versão mais “suave” desse pecado ao investir é quando, mesmo não estando alavancado, esquecemos os fundamentos e aumentamos posições esperando que os ganhos sigam avançando sem fim. Eles sempre têm um fim, mesmo que seja para uma retomada de crescimento  mais à frente. E se os fundamentos mudaram, pode ser que não voltem mais aos níveis anteriores.

Invista no limite de sua capacidade, tenha objetivos de rentabilidade – não se desespere se o mercado seguir avançando depois que você saiu – e nunca perca de vista os fundamentos.

Avareza

Dinheiro é um meio e não um fim. E no mercado financeiro é fácil perder essa perspectiva tornando-se apegado de forma excessiva a ele, afinal, é prazeroso ver o patrimônio se multiplicar, reforça o seu ego e carrega em si a ludicidade de um jogo.

Deveríamos sempre nos perguntar para que investimos. Essa pergunta ajuda a tirar o foco do dinheiro e também traz o reforço positivo que essa jornada desgastante demanda. É para tirar férias? Então desfrute delas quando chegar o momento. É para a escola dos filhos? Então invista parte desse dinheiro conquistado neles de forma efetiva.

Vale também adicionar outras perspectivas nessa jornada financeira, como o aprendizado que pode conquistar. Ao investir em ações, você pode aprender mais sobre economia, empresas e finanças comportamentais, por exemplo. Começa a perceber que vai além do dinheiro.

Finalmente, evite “competição”. Tenha em mente que está numa caminhada de Santiago de Compostela, você versus seus targets, não em uma corrida de 100 metros tentando bater o Usain Bolt. Você não precisa quebrar o recorde mundial, mas sim curtir a jornada e chegar bem ao final dela, conforme suas próprias expectativas e planos.

Luxúria

Luxúria nos investimentos? Essa ficou difícil. Vejamos…

Vamos voltar ao seu sentido original: “deixar-se dominar pelas paixões”. Às vezes, o problema não é o dinheiro, mas o prazer que estar investindo em ações, participando do mercado com grandes investidores, pode proporcionar. A busca por esse prazer, de forma exagerada, pode ser prejudicial para suas finanças e até mesmo para sua vida pessoal.

Pode consumir seu tempo útil, colado em uma tela de Home Broker vendo os tickers pulando de verde para vermelho e vice-versa. Ou mesmo consumido sua atenção, tornando-o o cara que só sabe falar de ações. E a família? Será que já chegou ao ponto de não ter tempo para eles pois está perdido em livros, relatórios e planilhas?

Pode também te atrapalhar em performance, ao estimular um número excessivo de operações. A vontade de estar em todas as oportunidades ou a dificuldade de passar um dia sem operar, sem a adrenalina de estar posicionado.

Moderação é a palavra. Entender que frequência e intensidade não são sinônimos de performance. Conciliar com outras atividades e, de vez em quando, praticar a saudável desconexão do mercado (não só nas férias, mas de tempos em tempos de forma deliberada) podem ajudar.

Ira

No mercado, ninguém vai dar a mínima para sua raiva e ódio. E estar certo não é mais importante do que ter boa performance (ou, no mínimo, seguir vivo no jogo).

Uma ação não sabe quem você é. Por mais dinheiro que tenha, você é insignificante para o mercado. Os mercados são bipolares. A verdade não está lá fora…

A ira pode lhe empurrar para decisões erradas: manter-se em uma posição perdedora por não aceitar que a direção mudou, influenciar sua maneira de analisar o mercado ou as empresas e até mesmo te fazer abandonar o jogo (e deixar de aprender as lições que recebeu).

Pratique o perdão no mercado, principalmente com você mesmo. Se errou (ou erraram com você), corrija o rumo, aprenda o que tem que aprender e siga adiante. Não se cobre em demasia, já que todos erraram, erram e seguirão errando.

Ficar preso na raiva e no ódio ou deixar que a ira te tire do jogo, pode te mandar para algum círculo do inferno financeiro…

Inveja

Esse está fácil e até já passamos por ele quando falamos da avareza. O que importa é o seu crescimento e suas expectativas, cobiçar o que o outro tem é inútil, além de frustrante.

Pior ainda se você não consegue valorizar o que conquista, onde chegou. Perde energia vital para ir além e seguir sua jornada e perde a oportunidade de aprender com suas experiências até este momento.

E a inveja carrega também uma armadilha: será que o que você inveja é realmente tão bom? Será que aquela pessoa é tão bem-sucedida, feliz ou o caminho dela serviria para você? Provavelmente você não viu o todo. E nem sabe se realmente lhe interessaria o pouco que viu.

Mas sim, aprender com quem teve sucesso é bacana, desde que lhe sirva e você consiga adaptar para seus próprios planos e realidade. E que não fique no desejo e cobiça, mas sim em ações que lhe façam seguir adiante.

Aquele investidor já fez um milhão na Bolsa? Ótimo, vejamos o que podemos aprender e que pode servir para a sua jornada, para onde quer chegar.

Preguiça

Ao investir, vejo pelo menos dois momentos em que a preguiça se manifesta e pode nos atrapalhar muito: se não buscarmos aprender continuamente e não registrarmos nossos movimentos/operações para aprender com eles.

Ambos os casos, têm a ver com aprendizado:

1 – Buscando referências externas, como livros, cursos ou observação.

2 – Olhando para dentro de si mesmo, aprendendo com a própria jornada, seja de erros ou acertos.

Mas podemos ir além. Também deixamos a preguiça nos atrapalhar ao saltar para dicas quentes sem termos o trabalho de fazer a própria análise e validação. Ou, de maneira mais simples, ao não buscar alternativas mais rentáveis ou custos mais baixos ao investir.

Soberba

Vaidade, orgulho, arrogância…

Fácil imaginar como esse pecado pode nos atrapalhar, especialmente quando estamos em um mercado altista ou com posições ganhadoras. Difícil não associar essa boa performance à nossa incrível capacidade e habilidade como investidores. Nosso ego fica feliz e aconchegado.

Com isso, ignoramos fundamentos, opiniões contrárias, prudência, novas oportunidades e nos expomos mais ao risco. Também deixamos de dedicar tempo para aprender ou questionar o que acreditamos já saber. Nossa base de conhecimento passa a ser tudo o que vale.

Mas, a verdade é que iremos errar, o mercado vai mudar, novas oportunidades vão surgir e nossos conceitos sempre podem ser revistos ou, no mínimo, melhorados. E a soberba não vai te ajudar.

Não quer dizer que não deva celebrar suas conquistas ou ficar feliz com suas habilidades. Mas sim que deve sempre colocar ambas em perspectiva e sob a saudável luz da humildade. Constantemente se desafiar também ajuda.

Ah, a Divina Comédia, de Dante, não fala somente sobre o Inferno. Pelo que entendi, também tem uma parte que fala do Paraíso…

Bons negócios!