O sinal amarelo com os dados da inflação, segundo gestora de ex-BC
A gestora Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, segue otimista com o cenário doméstico brasileiro.
Em sua carta mensal, obtida com exclusividade pelo Money Times, Luca Mercadante, economista da gestora, e Evandro Buccini, sócio e diretor de gestão de crédito e multimercado, dizem que os dados do IPCA, principal termômetro para medir a inflação, seguiu reforçando a desaceleração das medidas de preços.
“O alívio não se limitou ao índice geral, com desaceleração também para as medidas subjacentes de inflação, especialmente núcleos e serviços, que recuaram a 5,5% e 5,6%, respectivamente”, escrevem.
Apesar disso, a dupla diz que mesmo com a melhora, a inflação subjacente não condiz com os objetivos da política monetária.
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Na carta, a gestora argumenta ainda que o mês foi marcado pela expectativa de corte de juros, que se confirmou no início de agosto, “com uma redução mais veloz do que o esperado”.
“O início desse ciclo foi se materializando à medida que dados econômicos mais benignos começaram a ser divulgados ao longo do mês. No cenário político, o recesso parlamentar fez com que o mês tivesse poucas novidades, mas o upgrade de rating do Brasil pela Fitch consagrou a melhora na percepção de risco brasileiro vivida no segundo trimestre”, completa.
A Rio Bravo diz que sabendo da enorme pressão política que a Autoridade Monetária sofreu desde o início do ano, “a decisão de um corte maior no início do ciclo pode incitar dúvidas sobre a influência política na decisão do BC, pois os modelos indicavam inflação ligeiramente acima da meta no ano que vem”.
“Além da preocupação imediata com a credibilidade do BC, para prazos mais longos, temos dúvidas sobre as futuras indicações de dirigentes quando o novo regime de metas for estabelecido, a partir de 2025”, completa.
Por fim, a Rio Bravo diz que o país melhorou nos últimos anos e que o governo, apesar de apresentar falas populistas, tem adotado postura pragmática.
“Sobre o cenário político, a consagração do momento mais ameno que temos vivido nos últimos meses, com a apresentação do arcabouço fiscal e a discussão da reforma tributária, veio com o upgrade da nota de risco soberano no Brasil”, discorre.