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O que está por trás da queda da Porto (PSSA3)? Conta dos calotes chega, com provisões 48% maiores e mudança no guidance

05 nov 2026, 12:22 - atualizado em 05 nov 2026, 14:49
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(Imagem: LinkedIn / Porto)

As ações da Porto (PSSA3) operam em queda nesta quinta-feira (5), enquanto o mercado repercute o balanço do terceiro trimestre de 2026. Apesar do crescimento das receitas do grupo, a piora dos indicadores de crédito do Porto Bank e a queda do lucro recorrente pesaram sobre o resultado.

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Por volta das 12h05, os papéis PSSA3 caíam 2,09%, a R$ 43,95.



Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de apenas 1% em relação ao mesmo período de 2025. Já o lucro líquido recorrente somou R$ 713 milhões, recuo de 14% na comparação anual.

As receitas totais alcançaram R$ 11 bilhões, crescimento de 10% em um ano. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 20,7%, queda de 2,3 pontos percentuais (p.p) na base anual, enquanto o indicador recorrente foi de 17,6%, 5,3 p.p abaixo do registrado há um ano.

Segundo a companhia, a diversificação dos negócios e a complementaridade entre as verticais contribuíram para sustentar os resultados em um cenário de crédito mais desafiador.

Como foram os resultados das verticais da Porto

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Na divisão de seguros, as receitas totais somaram R$ 6,2 bilhões, avanço de 9,4% na comparação anual. O crescimento, porém, veio acompanhado de uma piora na sinistralidade, que subiu 0,9 ponto percentual, para 59,1%.

Na vertical de saúde, as receitas também avançaram, impulsionadas pela expansão da base de beneficiários dos planos de Saúde e Odonto. Ainda assim, o lucro da unidade caiu 34% em um ano, para R$ 84 milhões.

Na visão do Safra, receitas financeiras mais fracas e maior sinistralidade em saúde pressionaram a rentabilidade, embora a maior parte dessas pressões já fosse esperada.

Já a divisão de serviços segue em processo de estruturação e ampliação de parcerias estratégicas. A companhia afirma que a estratégia busca diversificar os ramos de atuação e ampliar a oferta de serviços.

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Para os analistas do Safra, essa combinação de resultados “provavelmente desencadeará revisões para baixo das estimativas de lucros” para a Porto.

Porto Bank: inadimplência e provisões pressionam resultado

O principal ponto de atenção do balanço ficou no Porto Bank. Embora a receita da divisão tenha crescido 13% em um ano, para R$ 2 bilhões, o avanço dos indicadores de inadimplência exigiu um aumento expressivo das provisões para perdas com crédito.

A carteira de crédito alcançou R$ 23,7 bilhões, alta de 9,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carteira administrada de consórcios também cresceu, com expansão de 28,8% na base anual, para R$ 132 bilhões.

O crescimento dos negócios, no entanto, veio acompanhado de uma deterioração da qualidade do crédito. O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira de 360 dias subiu para 10,2%, ante 9,4% no trimestre anterior e 7,2% um ano antes.

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As despesas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 843 milhões no trimestre, um salto de 48% em relação ao mesmo período do ano passado. Essas despesas representam os recursos que a instituição separa para cobrir possíveis calotes.

A Porto atribuiu a pressão a um ciclo de crédito mais adverso e à adoção de uma postura mais conservadora na gestão de risco.

Ao longo do trimestre, o banco apertou os critérios de concessão, reforçou as estratégias de cobrança e direcionou o crescimento para produtos com garantias mais robustas e perdas consideradas mais previsíveis.

Segundo a companhia, as iniciativas para melhorar a qualidade da carteira já começam a aparecer nos indicadores. Ainda assim, a administração afirmou manter cautela diante do cenário macroeconômico.

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A pressão sobre o crédito também chegou à rentabilidade da divisão. O lucro líquido do Porto Bank recuou 13% na comparação anual, para R$ 170,7 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu 5,8 pontos percentuais, para 20,3%.

Um dos destaques positivos foi a eficiência operacional. O indicador melhorou 3,3 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 27,4%.

Na avaliação da Porto, o crescimento das receitas, a expansão dos negócios e os ganhos de eficiência mostram que a operação mantém fundamentos sólidos, apesar do impacto da deterioração do crédito sobre a rentabilidade.

Mudanças no guidance

Junto com os resultados, a Porto revisou mais uma vez parte das projeções para 2026.

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As principais mudanças vieram no Porto Bank. O guidance para perdas esperadas com crédito foi elevado, enquanto as projeções para receitas encolheram.

Veja como ficou o guidance da Porto para 2026:

IndicadorRangeRevisão
Porto Seguro
Var. Prêmio Ganho Vertical (vs. 2025)+3% a +7%mantido
Sinistralidade Vertical50% a 54%mantido
Índice de G&A Vertical10,0% a 10,6%mantido
Porto Saúde
Var. Prêmio Ganho Vertical (vs. 2025)+14% a +22%+12% a +16%
Sinistralidade Vertical72% a 77%mantido
Índice de G&A Vertical4,7% a 5,7%mantido
Porto Bank
Receita Total VerticalR$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhõesR$ 7,5 bilhões a R$ 7,9 bilhões
Perdas de Crédito-R$ 3,1 bilhões a -R$ 3,5 bilhões-R$ 3,4 bilhões a -R$ 3,8 bilhões
Índice de Eficiência24% a 28%mantido
Porto Serviço
Receita Total VerticalR$ 2,6 a R$ 2,9mantido
Índice de G&A Vertical9% a 10%mantido
Porto (Consolidado)
Resultado FinanceiroR$ 1,4 bilhões a R$ 1,8 bilhõesR$ 1,1 bilhões a R$ 1,5 bilhões
Taxa Efetiva23% a 27%17% a 21%
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Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.
Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

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