Nova alta no IPCA pode apagar trimestre de deflação; o que esperar da inflação de novembro
Entre julho e setembro, o mercado viveu algo inédito: foram três meses seguidos de deflação. Só no período, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou uma queda de 1,33%.
No entanto, o indicador de novembro já pode começar a apagar de vez essa queda. Em outubro, a inflação avançou 0,59%; para o mês passado, a expectativa do mercado é de uma nova alta no patamar de 0,5%.
“A última divulgação do IPCA-15 apontou para considerável aceleração com leitura de 0,53%, dando sinais de possível reversão a um patamar positivo”, afirma Felipe Sichel, economista-chefe do Banco Modal.
Felipe destaca que, por mais que a Black Friday possa trazer um certo alívio para o IPCA, o grupo de Transportes deve registrar a maior contribuição no período, com alta de 0,93%. O segmento voltou a subir após as medidas do governo de controle dos preços dos combustíveis perderem força.
O avanço da inflação deve ser liderado pela gasolina, que deve ter o maior avanço desde maio deste ano, embora ainda seja parcialmente aliviado por passagens aéreas com deflação de 9,48%.
Já Alimentação e Bebidas ficariam em segundo lugar, com alta de 0,78%. Este resultado é proveniente de uma aceleração de Alimentação no Domicílio (0,91% vs. 0,80% anterior) e de um pequeno arrefecimento de Alimentação Fora do Domicílio (0,47% vs. 0,49%).
Inflação nos serviços
O setor de serviços é o que mais estava se mostrando persistente quando o assunto era inflação.
No entanto, Raone Costa, economista-chefe da Alphatree Capital, destaca que os números de serviços podem vir um pouco mais fracos, o que pode agradar o Banco Central – ontem, o Copom optou por manter a Selic em 13,75% ao ano.
“Essa novidade que é a queda de preço e serviço é muito recente, mas com certeza está dando respiro para o Banco Central”, afirma.