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Netflix: riscos cada vez maiores podem fazer a ação entrar em tendência de baixa?

Investing.com Brasil - 10/07/2019 - 12:57
Netflix
Ações com desvalorização superior a 9% nos últimos doze meses (Imagem: Facebook oficial Netflix)

A gigante de streaming de vídeos, Netflix Inc. (NFLX), tem tido um ano inusitadamente monótono. Suas ações não fizeram nada por seus investidores nos últimos 12 meses, gerando preocupações de que a melhor fase do atual ciclo de crescimento da produtora de algumas das séries mais populares já pode ter passado.

Negociados a US$ 380,55 no fechamento de sexta-feira, os papéis da Netflix se desvalorizaram mais de 9% nos últimos 12 meses, depois de atingirem a máxima histórica de US$ 423,19 em junho de 2018.

Na última década, a empresa, que evoluiu de um negócio de aluguel de vídeos, trouxe resultados incríveis para os investidores. Suas ações dispararam cerca de 6.000% ao longo de 10 anos.

Gráfico Netflix
Gráfico Netflix
É comum que empresas de tecnologia que voavam alto percam vigor e parem de apresentar o nível de crescimento que os mercados já haviam precificado, o que geralmente resulta em breves períodos de baixa.

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Para a Netflix, no entanto, a atual fraqueza é mais pronunciada em razão da rápida mudança do panorama competitivo. Saiba quais são as três maiores ameaças que, em nossa visão, estão mantendo as ações da Netflix sob pressão:

1. A concorrência está aumentando

A concorrência da Netflix sem dúvida está aumentando, e a companhia já começou a sentir as consequências. O maior desafio, em nossa visão, virá da gigante mundial de entretenimento Walt Disney Company (NYSE:DIS), que está construindo um fundo de guerra e se armando para enfrentar seus rivais no mercado de streaming de vídeo, após uma persistente tendência de queda nos negócios de TV a cabo.

A Disney anunciou, em abril, que irá rivalizar com a Netflix lançando o aplicativo Disney+ nos EUA, em 12 de novembro. Seu custo será de US$ 6,99 por mês, ou seja, metade do preço cobrado pela Netflix.

Ele oferecerá a programação das maiores franquias da Disney, como Star Wars e Marvel Studios, além de novos programas originais. A previsão é que o serviço tenha entre 60 e 90 milhões de assinantes até o fim do ano fiscal de 2024.

A Disney declarou, neste ano, que renunciará a cerca de US$ 150 milhões em receita operacional depois de cortar o licenciamento a serviços concorrentes, como a Netflix. A superprodução “Capitão Marvel” será o primeiro filme da Disney em anos a não aparecer na Netflix.

Na semana passada, a NBCUniversal anunciou seus planos de retirar a série popular “The Office” da Netflix e começará a veiculá-la em sua própria plataforma on-line a partir de 2021. “The Office” é a produção mais vista na Netflix, responsável por mais de 52 bilhões de minutos de visualização no ano passado, de acordo com a NBCUniversal, uma unidade da Comcast Corp (CMCSA).

A Apple Inc. (AAPL) e a Amazon (AMZN) também têm grandes planos de garantir uma grande fatia na área cada vez mais concorrida de streaming. Em março, a Apple revelou o lançamento de um serviço de conteúdo original chamado Apple TV+, um aplicativo de TV remodelado, bem como o serviço de canais Apple TV em parceria com fornecedores externos, como HBO, Showtime e Starz.

2. Queima de caixa cada vez maior

Toda essa nova concorrência obrigará a Netflix a gastar mais para criar uma programação original, comercializar esse conteúdo de forma mais agressiva e continuar atraindo novos assinantes que, em breve, serão bombardeados por novas ofertas e atrações.

No ano passado, a Netflix gastou mais de US$ 12 bilhões para comprar, licenciar e produzir conteúdo. Neste ano, a expectativa que esse número suba para US$ 15 bilhões, enquanto a companhia aloca mais US$ 2,9 bilhões em marketing. Esses custos surgem no momento em que a Netflix deve registrar US$ 20,2 bilhões em receita em 2019, de acordo com analistas entrevistados pela Refinitiv.

Desde meados de 2014, a Netflix tem apresentado fluxo de caixa negativo, uma preocupação constante para quem está pessimista com a ação e acredita que a empresa não está nem perto de atingir um fluxo de caixa positivo, realidade esta que, em breve, também começará a perseguir os touros.

“Concorrentes com muito caixa disponível devem contratar os mesmos produtores e criar conteúdos cativantes. Por isso, não têm a mesma vantagem competitiva da Amazon nem do Google (GOOGL)”, declarou Andrew Left durante um programa da CNBC. Left ganhou fama por apostar contra ações como Valeant Pharmaceuticals (BHC).

3. Crescimento apático em mercados domésticos

Outro grande desafio para o serviço de streaming é impulsionar o crescimento diante da impaciência dos investidores que querem ver lucratividade.

Depois de elevar os preços em seus maiores territórios neste ano, a Netflix prevê adicionar apenas 5 milhões de novos clientes no segundo trimestre encerrado em 30 de junho, bem abaixo das previsões de Wall Street, de 6,09 milhões. A companhia atribuiu essa desaceleração em parte às suas ofertas mais caras.

Embora as elevações de preço devam ajudar a melhorar os resultados da Netflix, elas ocorrem em um momento em que os concorrentes de streaming se preparam para deixar o mercado mais concorrido. Mas, e se o crescimento do número de assinantes em seu mercado mais lucrativo, a América do Norte, continuar desacelerando e a companhia seguir gastando mais a cada ano para cobrir o custo do seu sucesso?

Os investidores achariam difícil ignorar uma combinação desse tipo, e o preço das ações da companhia poderiam, cedo ou tarde, refletir essa realidade.

Resumo

A jornada ascendente das ações da Netflix ocorreu em grande parte sem sobressaltos na última década. Mas, com o aumento da concorrência, custos crescentes e a saturação do mercado doméstico, será cada vez mais difícil para a gigante do streaming repetir esse desempenho. O balanço trimestral da companhia, cuja divulgação está marcada para 17 de julho, nos dará uma ideia melhor desses riscos potenciais.

Leia mais sobre: EUA, Netflix, Opinião

Última atualização por Valter Outeiro da Silveira - 10/07/2019 - 12:59