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Movida precisa mostrar a que veio, avaliam analistas

Gustavo Kahil - 22/03/2018 - 19:14
A geração de caixa para o ano ficou negativa em R$ 435 milhões, R$ 298 milhões pior do que um ano antes

O crescimento acelerado da Movida (MOVI3) ainda precisa mostrar resultados concretos de margens e sustentabilidade financeira, avaliam analistas após a empresa de aluguel de carros apresentar o seu resultado de 2017 nesta quarta-feira (21). A companhia obteve um lucro líquido de R$ 65,7 milhões, cifra 104,4% maior ante o acumulado no ano anterior.

“Enquanto a Movida continua sofrendo para ‘digerir’ seu rápido crescimento, que resultou em maior inadimplência, maiores vendas de carros danificados, roubo de carros e vendas de carros menores do que o esperado por meio de sua própria rede, o que ainda traz impacto significativo no segmento aluguel de carros e nas margens do Seminovos”, explicam os analistas Tobias Stingelin, Pedro Pinto e Leandro Bastos do Credit Suisse.

Segundo eles, apesar de esta visão ser considerada uma notícia antiga, será importante ver como a companhia irá resolver estas questões durante 2018 e além. A geração de caixa para o ano ficou negativa em R$ 435 milhões, R$ 298 milhões pior do que um ano antes, explicado principalmente pelos fracos resultados operacionais em conjunto com o crescimento dos custos para renovação de frota e expansão.

“Para 2018, a administração reiterou seus planos de crescer fortemente no negócio de frotas, que vem registrando bons resultados nos últimos trimestres, ao mesmo tempo em que desacelerou o crescimento no aluguel de carros para melhorar o foco em elevar a lucratividade”, destaca o Credit Suisse.

Em andamento

Em seu relatório de administração, a Movida explicou que “os resultados positivos” colhidos em um ano de dificuldades “provam” a capacidade de execução e sinalizam espaço para melhorar ainda mais no futuro. Ela cita a readequação das perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa para níveis melhores que os de 2016, por exemplo.

Para o Bradesco BBI, os resultados do ano passado da Movida resolvem duas de quatro importantes questões: perdas relacionadas a veículos danificados e dívidas incobráveis. As outras duas mostraram “alguma evolução”. As provisões para carros roubados e danificados caíram quase 18% no último trimestre do ano passado e duas concessionárias foram fechadas. Ainda assim, a margem de Seminovos se deteriorou com a decisão de vender menos no atacado.

É por ainda estar lidando com problemas operacionais relevantes, aponta o analista Victor Misuzaki, que as ações negociam a um desconto de 47% em relação aos pares locais. A recomendação é de compra e o preço-alvo estabelecido é de R$ 10. O Credit Suisse avalia o papel a R$ 11 e o BTG Pactual a R$ 12, ambos também sugerem a aquisição dos papéis.