Ministério da Agricultura volta atrás e atende regras defendidas por tradings para embarques de soja
O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa) flexibiliza as regras de classificação e inspeção da soja do Brasil com destino à China. O documento atende a decisão de tradings como a Cargill, que criticou controles fitossanitários mais rigorosos, e chegou a suspender exportações para o país.
O assunto movimentou o agronegócio na semana passada, e após a reclamação do presidente da Cargill, o Mapa afirmou que os embarques da oleaginosa e seus derivados seguem normas e os protocolos estabelecidos pelos países importadores.
O ofício deve estabelecer que as amostras inspecionadas sejam coletadas por empresas supervisoras de embarques, contratadas pela próprias tradings, e não mais pelos fiscais do Mapa.
Segundo Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios, o documento surge em um momento crucial para as exportações brasileiras de soja.
“Há muita soja em processo de colheita no país, e ainda enfrentamos gargalos causados pelo excesso de chuvas. Estados como Minas Gerais, Goiás e parte do Centro-Oeste e Centro-Leste do Mato Grosso, além de Tocantins e algumas regiões de Rondônia, registram altos acumulados pluviométricos, o que dificulta a retirada da soja do campo”, afirma.
A expectativa do setor é de que o ritmo dos embarques seja normalizado nas próximas semanas.
Nesta semana, representantes do Ministério da Agricultura e autoridades chinesas devem discutir os protocolos e processos fitossanitários para dar maior fluidez ao comércio da commodity.