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Minimalismo e arrumação sinalizam mudança do consumismo nos EUA

12/01/2020 - 18:20
Minimalismo se trata de se confrontar e aprender sobre as coisas que você mantém ao redor” diz a consultora de arrumação Kristyn Ivey (Imagem: Unsplash/@benchaccounting)

Em uma recente tarde de sábado no centro de Chicago, o apartamento de Tara Latta, no 36º andar, com vistas deslumbrantes para o rio, é uma completa bagunça.

Estou observando Latta, de 39 anos, tentar encaixar os objetos que estavam num depósito em seu novo quarto, e parece que não está funcionando. A mesa da cozinha de Latta está repleta de recibos de farmácia, cartões de agradecimento não utilizados, catálogos, contas de luz e listas de tarefas. As caixas de mudança estão empilhadas até a metade do teto. Os balcões estão cheios de xícaras de chá, tigelas e garrafas de água.

Mas nem tudo é como parece. Latta está no meio de sua segunda de três sessões de cinco horas com a consultora de arrumação Kristyn Ivey. Um dos primeiros passos que Ivey exige de seus clientes é tirar tudo dos armários. Isso significa que todas as coisas – até roupas íntimas velhas – ficam à vista e depois ela começa a trabalhar. Por cerca de US$ 100 por hora, a ex-engenheira química promete organizar casas e muito mais.

“Trata-se de se confrontar e aprender sobre as coisas que você mantém ao redor”, diz Ivey, que me permitiu acompanhá-la na visita. “Isso é mais do que uma estratégia organizacional.”

Ivey é discípula de Marie Kondo. Para os não iniciados, Kondo, também conhecida como KonMari, é a guru de arrumação e autora de best-sellers que estreou um programa de sucesso da Netflix há um ano e que a lançou no mainstream. Kondo disse que ficou obcecada com organização quando criança – supostamente organizando estantes de livros durante as férias – e, depois de um surto sobre o que jogar fora, teve uma revelação: o que ela realmente deveria fazer é ficar com as coisas que a fazem feliz.

Isso evoluiu para o mantra “faísca de alegria” de Kondo, que agora está sendo difundido por quase 400 consultores certificados como Ivey, que teve seu próprio “momento Kondo” quando doou roupas no valor de US$ 300 que ainda tinham as etiquetas. Depois, deixou o emprego na consultoria Booz Allen Hamilton e, há três anos, abriu a empresa For The Love of Tidy (slogan: arrume sua casa, mude sua vida).

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Em Latta, que paga a Ivey US$ 1.350 por 15 horas de consulta, Ivey encontrou uma devota animada. Ela acaba de fazer uma trilha sozinha em Sedona, no Arizona, onde praticou seu novo ethos de comprar menos. No Natal, ela se concentrou em experiências em vez de presentes físicos, incluindo ingressos para uma réplica do “O Expresso Polar” para duas sobrinhas.

Esse expurgo é “mais ou menos como quando você faz terapia”, diz Latta sobre suas sessões de arrumação. “Isso me deu as ferramentas para um processo de realmente enfrentar essas coisas e projetar uma vida que aprecio.”

Latta é uma recém-convertida de uma crescente tribo de norte-americanos que estão rejeitando o consumismo pós-Segunda Guerra Mundial, que serviu como o motor da maior economia do mundo. Os gastos dos consumidores representam cerca de 70% da economia dos EUA – uma das taxas mais altas do mundo – e são ainda mais cruciais agora, porque a produção se desacelerou.

Última atualização por Diana Cheng - 10/01/2020 - 15:54

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