Últimas Notícias Comprar ou vender Finanças Pessoais Criptomoedas Economia Política

Comprar ou vender?

Mercado não está “plenamente consciente” sobre risco eleitoral, dizem analistas

Conrado Mazzoni - 11/10/2017 - 21:20

Brasília

“Não vai passar reforma da Previdência neste ano.” Em meados de janeiro, isso soaria como imperdoável pelo mercado. Agora na reta final de 2017 tal cenário é tratado cada vez com mais naturalidade entre gestores e analistas. Por trás dessa resiliência encontra-se a aposta em vitória da centro-direita na eleição de 2018. Alguns analistas, no entanto, veem aí um excesso de otimismo, temperado pelos sinais de retomada da economia e da farta liquidez externa.

Gostou desta notícia? Receba nosso conteúdo gratuito

A consultoria de Nouriel Roubini teme que o mercado não esteja “plenamente consciente” dos riscos que o Brasil enfrenta. Em relatório, o economista Pedro Tuesta pondera que, enquanto as pesquisas sugerem um eleitorado ávido por uma figura centrista, como João Doria ou um outsider, elas mesmas indicam a possibilidade de eleição de um populista.

“Diante disso, recomendamos que investidores fiquem bastante cautelosos sobre suas posições em Brasil, embora ainda reconheçamos que o rali provavelmente continuará até que possamos saber quais candidatos o Brasil terá em 2018”, diz o texto da Roubini Global Economics. Para Tuesta, o entusiasmo desaparecerá sem um nome centrista viável para o pleito.

O principal desalento é o desafio de equilibrar as contas públicas, conforme reitera a Fitch em análise divulgada nesta quarta-feira (11) sobre ratings da América Latina, na qual cita a recuperação econômica dos países, mas em ritmo abaixo da média. O crescimento potencial, avalia, tem sido prejudicado pela baixa taxa de investimento e falta de produtividade.

“Além disso, consequências negativas de casos de corrupção em vários países e um calendário movimentado de eleições em 2017-2018 podem prejudicar as reformas”, lamenta a agência de classificação de risco, que mantém perspectiva negativa para a nota de crédito soberana de três nações na região: Brasil, Equador e Suriname.

Além de elevar a previsão de expansão do PIB brasileiro (0,7% neste ano e 1,5% em 2018), o Fundo Monetário Internacional (FMI) adiou em um ano a perspectiva de quando o Brasil apresentará superávit primário: de 2020 para 2021. “Prevemos que a reforma da Previdência será adotada, mas com leve atraso”, declarou Vitor Gaspar, diretor do Departamento de Assuntos Monetários do FMI. Essa pauta “será crucial para ancorar caminho de ajuste fiscal”.

 

Últimas Notícias