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Mercado está à espera da bala de prata

Gustavo Kahil - 29/08/2018 - 10:51

O comportamento das bolsas nesta quarta-feira (29) pode indicar que o mercado está em cima do muro. Apesar de a corrida eleitoral estar próxima da reta final, o elevado nível de indecisos e a proximidade com o início da campanha na televisão e rádio deixam os investidores com apostas menos agressivas. 

No dia 31, esta sexta-feira, o mercado terá a real noção do poder que a campanha na mídia tradicional poderá ter sobre as intenções de voto. Isso porque os dois candidatos com maior tempo de exposição, Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), ainda não decolaram nas pesquisas. É a última bala de prata de cada um deles.

Sabe-se que haverá uma polarização no segundo turno, mas os representantes de cada um dos lados ainda não está claro. Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas sem Lula, terá menos de 10 segundos. Enquanto isso, o candidato se aproveita das ocasiões que têm, como a entrevista concedida ontem ao Jornal Nacional.

Na avaliação da equipe de análise política da XP Investimentos, ele se saiu bem na sabatina global. De acordo com o relatório distribuído nesta quarta-feira (29), Bolsonaro defendeu pontos de seu programa, trajetória e discurso. “O candidato não fugiu dos conflitos, e seu ponto fraco foi a explicação da votação da PEC das domésticas e a diferença salarial das mulheres”, destaca a XP.

Só o básico

O investidor estrangeiro continua de olho e o real na mira. Atualmente em R$ 4,14, o nível já é o segundo mais elevado do Plano Real. Não é segredo para ninguém o que o País precisa para voltar a atrair os gringos e recolocar o país em destaque entre os emergentes, mas um relatório de ontem produzido pela Moody’s Analytics ajuda a nos lembrar.

Alfredo Coutiño, diretor para América Latina, explica que a disciplina macroeconômica, a consistência das políticas e as reformas estruturais são essenciais para que o Brasil retorne a um crescimento maior e mais estável no médio e longo prazo. No entanto, para implementar mudanças profundas e aumentar a eficácia das políticas, a credibilidade precisa ser consolidada, diz.

“Aumentar o estoque de capital produtivo é a chave para acabar com a fraqueza estrutural. O desafio é fortalecer essa fonte fundamental de crescimento permanente por meio do acúmulo de capital físico e humano em um clima político estável”, conclui Coutiño. É o básico, mas é mais do que o suficiente para o Brasil sonhar com um crescimento da economia parecido ao americano (4,2% no segundo trimestre, divulgado hoje).

Para Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora e colunista do Money Times, a “emoção está prevalecendo sobre a razão”. “Mas continuamos com a firme percepção de que o movimento especulativo vai acabar se esvaziando por si só no momento em que os fomentadores do movimento especulativo tomarem consciência que, desta vez, não há como fazer do preço do dólar no mercado brasileiro o sensor mais efetivo do elevado grau de insegurança advinda das dúvidas e incertezas”, avalia.

 
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