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Marink Martins: O Enigma – Para onde estão indo os mercados?

Opinião - 20/06/2019 - 19:05

Por Marink Martins, do MyVOL e autor da newsletter Grupo do 1%

Em fevereiro de 2005, Alan Greenspan – o mais longevo entre os presidentes do FED – fez seu famoso discurso sobre o que ele considerava ser um “conundrum” (enigma) na economia americana. Greenspan estava impressionado pois enquanto o FED elevava as taxas de juros de curto prazo, não só as taxas de longo prazo não subiam (na verdade caiam), mas o dólar se desvalorizava e os ativos de renda variável se apreciavam.

Hoje o enigma parece ser outro. “Há cheiro de sincronismo global!” exclamou o comentarista Josh Brown após a entrevista concedida por Jerome Powell nesta quarta-feira. Em um período de uma semana os mercados foram impactados por discursos de afrouxamento monetário não só de Mario Draghi, mas também por iniciativas no mesmo sentido vindas do Banco da Inglaterra, do Banco Central Chinês, e agora pelo discurso de Powell.

E assim, o preço do ouro dispara… Pudera! Com o mundo intensificando o movimento em direção a taxas reais negativas, o custo de carregamento de metais como o ouro, a prata, e outros também passa para o campo negativo, tornando-os alternativas interessantes.

Mas vamos ao que realmente importa… e o preço das ações? Será que estes deveriam se valorizar?

Durante o “conundrum” de Greenspan tais preços subiram de forma expressiva, mas sabemos muito bem como o foi o término daquele ciclo. Foi um desastre que impactou diversas famílias, inclusive a minha!

Nesta quinta-feira – feriado no Brasil – o índice S&P 500 atinge um novo recorde; está, neste momento, bem próximo de 2.950 pontos.

O EWZ, referência brasileira nos EUA, sobe 2,21%. O destaque do dia é certamente a alta no preço do petróleo.

A mídia busca encaixar como explicação um possível ataque iraniano a um drone americano. Mas na verdade especulo que a razão para a valorização do petróleo seja a mesma que impulsiona o ouro: um possível movimento coordenado de depreciação do dólar!

Se você acompanhou a minha série sobre a Guerra Comercial através da Inversa Publicações, provavelmente se lembra do episódio em que falei sobre um possível Acordo de Plaza Light. (Ver episódio 7: Falcões vs Dragões).

O Acordo de Plaza ocorreu em 1985 e foi assinado por representantes dos EUA, Inglaterra, França e Japão. Promoveu uma forte valorização da moeda japonesa que muito contribuiu para o que ficou conhecido como a grande bolha imobiliária japonesa dos anos 90.

É possível que uma versão mais light, desta vez envolvendo os EUA e a China, seja concretizada. Embora esta alternativa não seja o cenário base com a qual os estrategistas da Gavekal trabalhem, é certamente uma possibilidade. Um dólar mais fraco promoveria uma apreciação em ativos de risco, contribuindo para que Trump ganhe créditos junto ao seu eleitorado. O “timing”, entretanto, parece um tanto precoce. Ainda estamos bem distantes das eleições americanas em novembro de 2020.

Por tudo isso, há quem acredite que o impasse entre EUA e China persista por mais um tempo e que uma solução seja mais provável para o primeiro trimestre de 2020, em um momento estratégico para alçar Trump para um segundo mandato.

Para a China, tal Acordo de Plaza Light estaria alinhado com a sua visão de longo prazo que busca transformar o renminbi em uma moeda internacional.

Agora, voltando a questão do preço das ações, quero compartilhar com vocês o seguinte: uma importante transformação em um dos ETFs mais importantes nos EUA.

Me refiro ao MTUM – Ishares Edge MSCI USA Momentum Factor ETF. Trata-se de um ETF dedicado a investir no que está dando certo. Aqueles que estão alinhados com a busca pela tendência – os “trend followers” – simplesmente amam este ETF.

Observe que este ETF também está na máxima. Contudo, a sua composição foi alterada desde a última vez que ele atingiu um patamar próximo ao atual. Em agosto de 2018, as principais ações deste ETF eram as ações de tecnologia. Hoje, porém, as 10 maiores posições do ETF são: Microsoft, Visa, Mastercard, Procter & Gamble, Disney, Cisco, Comcast, Merk, PayPal, Starbucks.

E qual é o problema que busco destacar?

O problema é que todas essas empresas são empresas já consolidadas e, por isso mesmo, não apresentam crescimento em seus respectivos lucros que justifiquem negociar com um P/L projetado acima de 30x.

O MTUM negocia com um P/L de 31x e P/B de 6x.

É justamente por isso que, mesmo estando vendido no índice S&P 500, como estou na carteira internacional que conduzo junto a Inversa, venho conseguindo manter o resultado estável devido a um pequeno “hedge” comprado em ações brasileiras.

Finalizo este texto buscando oferecer ao leitor um certo alinhamento por parte do MyVOL. Saiba que após ter registrado ótimos resultados tanto no Clube como no GlobalPass até o fim de maio deste ano, estou neste momento em compasso de espera por um salto na volatilidade.

Não estou comprado em VOL. Estou simplesmente aceitando ganhar menos. Ando preocupado, ando cismado com um possível “GAP” de baixa.

Quanto a bolsa brasileira, o momentum é certamente mais positivo. Mesmo assim, acredito que a reforma da previdência já esteja precificada, de forma que vejo os riscos de forma simétrica. Em outras palavras, as chances de subir para 110k é, para mim, a mesma de cair para 90k.

Amanhã é vencimento trimestral de opções nos EUA. Tais vencimentos muitas vezes representam pontos de inflexão nos mercados. Vou observar e buscar retratar tais eventos de forma mais objetiva possível.

Última atualização por Gustavo Kahil - 20/06/2019 - 21:47