Manifestantes anti-Trump se reúnem em Washington e em outras cidades dos EUA e Europa

Cerca de 1.200 manifestações estão planejadas em todos os Estados Unidos neste sábado (5), no que os organizadores esperam ser o maior dia de protesto contra o presidente Donald Trump e seu aliado bilionário Elon Musk desde que eles lançaram um esforço para demitir milhares de funcionários públicos do país, reduzir gastos sociais e expandir a autoridade presidencial.
Milhares de pessoas estavam se aglomerando no centro de Washington enquanto os protestos começavam sob um céu sombrio e uma chuva leve. Os organizadores disseram à Reuters que mais de 20 mil pessoas eram esperadas na manifestação no National Mall.
Os protestos nos EUA darão aos oponentes de Trump uma oportunidade de demonstrar seu descontentamento em massa em resposta à série de ordens executivas de Trump.
Cerca de 150 grupos de ativistas se inscreveram para participar, de acordo com o site do evento. Os protestos estão planejados em todos os 50 Estados dos EUA, além do Canadá e do México.
Manifestantes estavam alinhados na movimentada avenida Connecticut, em Washington, D.C., aguardando os ônibus que os levariam ao centro da cidade. Eles carregavam cartazes com slogans como “No Kings in the USA” e “Deport Musk” (“Sem Reis nos EUA” e “Deportem Musk”).
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Terry Klein, uma cientista biomédica aposentada de Princeton, Nova Jersey, estava entre as centenas de pessoas que se reuniram cedo em frente ao palco abaixo do Monumento a Washington.
Ela disse que veio de carro para participar do comício para protestar contra as políticas de Trump em “tudo, desde a imigração até as coisas do DOGE, as tarifas desta semana e a educação. Quero dizer, todo o nosso país está sendo atacado, todas as nossas instituições, todas as coisas que fazem dos EUA o que eles são”.
David Madden, um veterano de 75 anos do Exército dos EUA e advogado aposentado, disse que voou de Dayton, Ohio, para se manifestar contra “a injustiça que está dominando este país, as instituições que estão sendo roubadas do povo norte-americano, a confusão nos tribunais, o fato de que temos uma população que acredito ser essencialmente racista”.
Com a bênção de Trump, a equipe do Departamento de Eficiência Governamental (Doge) de Musk eliminou mais de 200 mil funcionários públicos dos 2,3 milhões de trabalhadores federais do país. Os cortes têm sido aleatórios e forçara a retirada de especialistas necessários em uma série de funções do governo dos EUA.
Na sexta-feira, a Receita Federal dos EUA (IRS) começou a demitir mais de 20 mil funcionários, o que corresponde a 25% de seu quadro de pessoal.
Várias centenas de pessoas se reuniram neste sábado em frente à sede da Administração da Seguridade Social, um dos principais alvos do Doge, perto de Baltimore, para protestar contra os cortes na agência que oferece benefícios a idosos e deficientes.
O clima era de raiva e desafio, depois que a agência anunciou recentemente 7 mil demissões e o fim dos serviços telefônicos para milhões de requerentes.
Os membros do Doge estão dentro do prédio há semanas. Muitos dos presentes, em sua maioria aposentados, seguravam cartazes feitos à mão, incluindo “Where Has My Country Gone?”, “FIRE DOGE!”, “Send Musk to Mars” e “Hands off Social Security!” (“Onde foi parar meu país?”, “Demite Doge!”, “Mandem Musk para Marte” e “Tirem a mão dos meus direitos sociais!”).
Linda Falcão, que completará 65 anos daqui a dois meses, disse à multidão que fazia pagamentos para o fundo do Seguro Social desde os 16 anos de idade.
“Estou apavorada, com raiva, irritada e perplexa com o fato de isso poder acontecer com os Estados Unidos”, disse ela. “Eu amo os EUA e estou com o coração partido. Preciso do meu dinheiro. Quero meu dinheiro. Quero meus direitos!”
Em resposta, a multidão gritou: “É o nosso dinheiro!”
A secretária de imprensa assistente da Casa Branca, Liz Huston, afirmou que “a posição do presidente Trump é clara: ele sempre protegerá a Previdência Social, o Medicare e o Medicaid para os beneficiários elegíveis. Enquanto isso, a posição dos democratas é dar benefícios da Previdência Social, do Medicaid e do Medicare a estrangeiros ilegais, o que levará esses programas à falência e esmagará os idosos norte-americanos”, disse Huston por email.
Grande parte da agenda de Trump tem sido contida por ações judiciais que alegam que ele ultrapassou sua autoridade com tentativas de demitir funcionários públicos, deportar imigrantes e reverter direitos de transgêneros.
Trump retornou ao cargo em 20 de janeiro com uma série de ordens executivas e outras medidas que, segundo os críticos, estão alinhadas com uma agenda delineada pelo Projeto 2025, uma iniciativa política da extrema direita voltada a remodelar o governo norte-americano e consolidar a autoridade presidencial.
Horas antes do início dos protestos nos Estados Unidos, centenas de norte-americanos anti-Trump que moram na Europa se reuniram em Berlim, Frankfurt, Paris e Londres para expressar sua oposição à ampla reformulação das políticas domésticas e externas dos EUA feita por Trump.
Cerca de 200 pessoas, em sua maioria norte-americanas, se reuniram na Place de la Republique, em Paris, ouvindo discursos e agitando faixas que variavam de “Resist Tyrant” (Resista ao tirano), “Rule of Law” (Estado de direito) a “Feminists for Freedom not fascism” (Feministas pela liberdade, não pelo fascismo) e “Save Democracy” (Salvem a democracia).
“Temos que mostrar solidariedade com todas as manifestações em mil cidades hoje nos EUA”, disse o porta-voz do Democrats Abroad, Timothy Kautz, em Frankfurt. O manifestante Jose Sanchez disse que Trump é um vigarista que está destruindo a democracia dos EUA.