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Mais sobre o biodiesel, certificação do RenovaBio será desafiadora

Giovanni Lorenzon - 17/07/2019 - 16:54
Até que o combustível certificado no RenovaBio chegue ao mercado, análise das emissões de carbono requerem atenção  Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na medida em que o RenovaBio começa a chegar perto da entrada em operação, também as certificadoras devem acelerar sua base operacional para encarar os desafios na interpretação das informações sobre a menor emissão de carbono feita pelas empresas sobre seus processos produtivos. E já se sabe que o grau de dificuldade será maior sobre o biodiesel do que no etanol.

A Green Domus foi a primeira certificadora aprovada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) a operar o RenovaBio a partir de 1º de janeiro, e seu diretor institucional, Felipe Bottini, começa mostrando uma particularidade essencial que deverá prevalecer.

As certificações comuns são baseadas em normatizações. A certificada mostra seu trabalho e a certificadora vai lá nas regras e confere. Pela nova Política Nacional dos Biocombustíveis, a auditoria “vai requerer uma capacidade consultiva”, porque se a planilha de cálculo for entregue errada ou o relatório atestando também estiver errado, “sai de consulta pública” e pode travar o processo por até seis meses, explica o executivo da Green Domus.

Lembre-se que só após a emissão do certificado a processadora de biodiesel ou a usina de etanol poderão vender para as distribuidoras os Certificados de Desbiocarboniação (CBios), que por sua vez os negociarão na B3, correspondentes ao lote comercializado. Quanto menos uso de agentes fósseis (em fertilizantes e máquinas/caminhões), maiores os ganhos.

Exemplos do grau de conhecimento necessário são tanto quanto ao ciclo de vida – no qual está modelado o RenovaCalc (régua que vai mediar a quantidade de emissão desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente) -, quanto em termos de análise de área.

De acordo com Bottini, uma unidade produtiva apresenta o número de área produtiva e o cálculo do volume correspondente, porém há um balanço de biomassa que poderá não ser elegível, que só a análise por georreferenciamento vai conseguir capturar. Variáveis como quantidade de áreas e margens de erros são importantes.

Para as unidades produtoras – acima de 50 atualmente, já cadastradas na ANP como aptas ao RenovaBio – ele não vê maior complexidade. O RenovaCalc foi desenvolvido para não complicar, além do que os grandes grupos já operam georreferenciados, entre outros pontos, analisa o diretor da Green Domus, que já conta com 38 plantas a serem certificadas.

Biodiesel

No caso específico do biodiesel da soja, por exemplo, para a Green Domus a operacionalidade típica do negócio agregará mais cuidado.

Ao contrário da cana, sem intermediários, a oleaginosa é muito intermediada, de modo que aquela informação que a processadora terá que dar, a respeito da sua originação de biomassa, precisará ser verificada voltando até mais de dois elos da cadeia.

A pulverização produtiva e intermediada é muito elevada.

Na cana, ou a usina produz ou compra diretamente dos produtores. E estes são em número cada vez menor.

Última atualização por Giovanni Lorenzon - 17/07/2019 - 17:03