Política

Lula reúne senadores e deve discutir mudanças em ministérios para tentar reverter impopularidade

02 abr 2025, 16:14 - atualizado em 02 abr 2025, 16:14
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(REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode fazer novas mudanças em sua equipe ministerial nos próximos dias com o objetivo de atender insatisfações do Senado, disseram nesta quarta-feira fontes envolvidas nas discussões, em um momento em que o petista e seu governo passam por seu pior momento de popularidade.

Lula irá nesta quarta à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para uma reunião com líderes partidários, diante da cobrança de senadores por uma maior representação na Esplanada dos Ministérios, afirmou uma fonte ligada a Alcolumbre. Lula tinha em sua agenda participação em um evento para marcar os 60 anos do Banco Central, mas cancelou presença.

O presidente já promoveu mudanças no primeiro escalão do governo neste início de ano, mas apenas pontuais e em aceno ao próprio partido, como a nomeação da ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, como ministra das Relações Institucionais.

Outra mudança ocorreu na Secretaria de Comunicação Social, em que o marqueteiro Sidônio Palmeira substituiu o deputado petista Paulo Pimenta após os primeiros sinais de queda na aprovação de Lula e do governo.

No entanto, em linha com a queda de popularidade registrada em outras sondagens nos últimos meses, pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta apontou que a avaliação positiva do governo Lula apresentou uma deterioração em março e a desaprovação se descolou da aprovação, avançando com 15 pontos percentuais de diferença.

Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados avaliaram o governo como “positivo” em março. Na rodada anterior, em janeiro, eram 31%. Os que consideram a gestão negativa foram de 37% para 41%. Já a aprovação de Lula caiu de 47% para 41%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 56%.

Fontes do governo, do PT e do Congresso reconhecem que a gestão Lula não tem empolgado as pessoas e não conversa com grande parte do eleitorado em meio ao recrudescimento da polarização. Apesar de pontualmente haver o reconhecimento de ações governamentais, disseram, não há a percepção de proveito e gratificação das pessoas.

Para uma das fontes, do PT, não se pode colocar a culpa da baixa aprovação apenas na comunicação porque, apesar da mudança na área, a situação segue na mesma toada, sem gerar novas pautas.

“O governo não se comunica bem com C maiúsculo porque está faltando política, sentimento popular. Isso está sendo sentido em todo o país, em todos os segmentos da população”, destacou essa fonte, ao citar a queda da aprovação de Lula no Nordeste, principal reduto eleitoral petista.

Essa fonte elogiou a iniciativa do presidente de se encontrar com Alcolumbre e líderes do Senado, defendendo que é preciso buscar tranquilidade no Congresso para, então, buscar a aprovação das ruas.

Uma outra fonte, essa do Palácio do Planalto, disse que a alta dos preços dos alimentos tem causado um forte impacto na popularidade do governo, mesmo com indicadores macroeconômicos, como PIB e desemprego, positivos para a atual gestão.

Aliados de Lula consideram que há tempo para reverter a alta desaprovação ao governo, apostando que diversas medidas já tomadas irão surtir efeito nos próximo meses. Uma fonte citou como exemplo o crédito consignado para o trabalhador do setor privado e a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$5 mil, além de estimar que a inflação dos alimentos deve ser contida com uma safra maior este ano.

Na quinta-feira, em um movimento para buscar melhorar sua aprovação, o governo vai realizar um balanço dos dois primeiros anos em um evento chamado “O Brasil dando a volta por dia”, em um centro de convenções de Brasília, em que Lula deve falar sobre conquistas no período e sinalizar metas futuras.

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reuters@moneytimes.com.br
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