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La Casa de Papel, Escola Austríaca e Inflacionismo

Terraço Econômico - 24/06/2019 - 10:50
Artigo relata a lei da procura e oferta relacionando com a série da Netflix (Imagem: Facebook oficial da Netflix)

Por Terraço Econômico

La Casa de Papel é uma série da Netflix, que estreou em 2017 e faz muito sucesso. O enredo pode ser resumido como: a execução de um assalto à Casa da Moeda Espanhola. Contudo, o plano do grupo não consiste em roubar o cofre e, consequentemente, o dinheiro guardado lá, mas, se apoderar do prédio por alguns dias para imprimir o próprio dinheiro.

Como Mises discorre em sua obra Sobre dinheiro e inflação, há duas formas diretas de gerar o aumento do nível geral de preços:

i) diminuição, via manipulação, da taxa de juros;

ii) impressão de papel-moeda;

O grupo de assaltantes da série La Casa de Papel, liderados pelo chamado Professor, se utiliza da segunda. Porém, não como política econômica e sim como meio de enriquecimento pessoal, impactando não apenas a Casa da Moeda Espanhola, mas a Europa como um todo.

O fato de não estarem, diretamente, roubando o dinheiro de alguém, abriu margem para que essa atitude ganhasse a aceitação dos telespectadores, assim como da população representada na série. No entanto, essas mesmas pessoas não têm noção do mal que o grupo está causando. Mesmo mal, inclusive, que muitos governos e bancos centraisfazem à população todos os anos e, ao contrário dos protagonistas da série, não são taxados de criminosos.

Impressão de dinheiro e a inflação

A inflação é um reflexo da lei da oferta e demanda, pois, assim como tudo que está disponível no mercado, o dinheiro também está sob esse domínio. Essa lei atua de forma que, quanto mais papel-moeda (dinheiro físico) no mercado, maior é o poder de compra das pessoas. Assim sendo, haverá uma maior demanda por produtos, os quais aumentarão de preço devido à maior procura.

o papel-moeda não possui nenhum valor agregado em comparação à quantidade de dinheiro que ele representa, portanto, se houver mais dinheiro no mercado do que deveria existir, haverá o aumento de preços (Imagem: Pixabay)

Isso ocorre porque o papel-moeda não possui nenhum valor agregado em comparação à quantidade de dinheiro que ele representa, portanto, se houver mais dinheiro no mercado do que deveria existir, haverá o aumento de preços. Em última instância, o dinheiro perderá o valor devido à própria abundância.

Os governos fazem uso dessa prática para aumentarem seus gastos, sem precisar aumentar os impostos ou tomar empréstimos, pois, essas últimas são medidas impopulares. Contudo, quando os bancos centrais imprimem dinheiro, acabam taxando os contribuintes de forma velada. Afinal, não tiram o dinheiro da população e sim diminuem o seu poder de compra. É por isso que a inflação é conhecida como imposto disfarçado.

Malefícios da impressão de papel-moeda

Como visto anteriormente, a impressão de dinheiro leva à inflação. No entanto, esse processo não é instantâneo e depende da circulação do dinheiro no mercado. Dessa forma, prejudica partes da população e beneficia outras.

Esse prejuízo ocorre, pois o primeiro grupo (primeiros a receberem mais dinheiro), se beneficiam com a possibilidade de gastá-lo com os preços pouco ou ainda não inflacionados. Já o segundo grupo, (quem demora a receber mais dinheiro, isso é, geralmente os mais pobres) terá que gastar em preços inflacionados, sendo que ainda não receberam a maior leva de moeda impressa. Logo, os mais pobres perdem um pouco do poder de compra em relação a  uma parcela beneficiada da população.

Trata-se do que ocorre na série. O primeiro grupo representa a equipe do Professor, que detém o dinheiro impresso e poderá gastá-lo com os preços ainda não inflacionados.

A lição econômica do Professor

Uma grande lição dada na série é enunciada ao longo da passagem do tempo, mas é simbolizada pela fala do Professor,  no oitavo episódio da segunda temporada:

“[…] No ano de 2011 o Banco Central Europeu fez, do nada, 171 bilhões de euros. Do nada. Igual estamos fazendo, só que em grande estilo. 185 bilhões em 2012. 145 bilhões em 2013 […] diretamente para os mais ricos […]”

O Professor diz o mesmo que Mises, Hayek, Rothbard, Friedman e tantos outros economistas disseram durante toda a sua vida, mostrando aos telespectadores a gravidade dessa prática. Dando a importante lição de que gerar inflação é ruim para a população, e que o governo, mesmo o fazendo quando deseja, não é taxado como um criminoso.

No entanto, cabe a quem está assistindo fazer essa ligação, entre a impressão de dinheiro na série, as políticas econômicas estatais e a fala do professor realizando uma verdadeira denúncia a essas políticas inflacionistas.

Conclusão

A atitude do grupo foi bem mais prejudicial à população do que um simples assalto a banco. Visto que eles não estão roubando os bens materiais de alguém, mas, o poder de compra, e afetando principalmente os mais pobres, que gastam uma maior parcela dos próprios salários com bens de consumo.

Também é passível de conclusão que políticas públicas de manipulação de crédito no mercado devem ser condenadas, pois, elas possuem a inflação e a diminuição do poder de compra como resultados de suas aplicações. Obrigado, Professor, por essa importante lição de economia.

Última atualização por Bruno Andrade - 24/06/2019 - 10:51