Klabin (KLBN11) tem 1T26 pressionado por custos e caixa negativo; BTG e Santander divergem em recomendação
A Klabin (KLBN11) apresentou resultados em linha no primeiro trimestre de 2026, mas com pressão relevante na geração de caixa e avanço limitado na desalavancagem, segundo avaliações de BTG Pactual e Santander.
O Ebitda ajustado somou R$ 1,7 bilhão, praticamente em linha com as estimativas, mas com queda de 9% na comparação trimestral e de 10% na anual. O resultado foi impactado por paradas programadas para manutenção na unidade de Monte Alegre.
Apesar de volumes acima do esperado, o fluxo de caixa livre (FCF) ficou negativo no trimestre, pressionado por maiores investimentos e consumo de capital de giro. A alavancagem seguiu elevada, em 3,3 vezes dívida líquida/EBITDA em dólar, sem evolução relevante no período.
Na visão do BTG, o trimestre reforça um cenário de “momentum fraco”, com condições de mercado ainda desafiadoras, pressão nos preços da celulose e impacto de um real mais forte. O banco mantém recomendação neutra para a ação (preço-alvo de R$ 23), citando valuation elevado e falta de catalisadores no curto prazo.
A visão do Santander para Klabin
Já o Santander destacou que o EBITDA ficou levemente abaixo do consenso, embora ligeiramente acima de suas projeções, e apontou estabilidade nos volumes de celulose, em 401 mil toneladas (+16% na base anual).
Os preços realizados de hardwood avançaram 7% no trimestre, enquanto softwood e fluff recuaram 4%, resultando em leve alta nos preços médios em dólar, mas queda em reais. Ao mesmo tempo, os custos pressionaram o resultado: o custo caixa unitário subiu para US$ 252 por tonelada, impulsionado principalmente pela alta de 15% no custo da madeira, além de aumentos em combustível e químicos.
Ainda assim, o EBITDA da divisão de celulose cresceu 29% no trimestre, com expansão de margens para 47%.
Na divisão de papel, os volumes ficaram estáveis, com recuperação em containerboard, mas queda em cartão revestido. Os preços médios recuaram 3% no período, refletindo a continuidade da pressão nesse segmento. Já embalagens registraram leve queda de volumes no trimestre, com preços estáveis.
No consolidado, o custo caixa total atingiu R$ 3.342 por tonelada, impactado por 14 dias de manutenção em Monte Alegre, com custo direto de R$ 124 milhões.
O Santander também destacou que a companhia consumiu R$ 102 milhões em fluxo de caixa livre ajustado no trimestre, ainda refletindo pressão de capital de giro, enquanto os investimentos somaram R$ 839 milhões.
Apesar do cenário pressionado, o banco mantém recomendação de compra para KLBN11, com preço-alvo de R$ 29, e espera uma reação neutra do mercado aos resultados.