JBS, BEEF3 e MBRF3: UBS BB inicia cobertura de frigoríficos e só não recomenda compra para uma ação
O UBS BB iniciou sua cobertura para frigoríficos e mantém preferência para JBS (preço-alvo de US$ 19,50) e Minerva (BEEF3) (preço-alvo de R$ 8), com recomendação de compra para as ações, e uma posição neutra para MBRF (MBRF3) (preço-alvo de R$ 23).
Os analistas têm uma preferência ao segmento de carne bovina do Brasil em relação a outras proteínas e geografias, pois acreditam que o país está em uma posição única para capturar o crescimento da demanda global por carne.
Tudo isso, dada a ampla disponibilidade de ração proveniente de grandes safras de grãos e o espaço para expansão impulsionada por ganhos de produtividade — enquanto os ciclos de outras commodities parecem menos construtivos no momento (embora a pecuária bovina brasileira enfrente um cenário desafiador no curto prazo).
Neste contexto, o UBS vê Minerva e JBS como as processadoras de carne mais bem posicionadas para transformar essas vantagens estruturais em maior geração de caixa e potencial de dividendos.
A visão do UBS para os frigoríficos
JBS
O UBS inicia cobertura da JBS com recomendação de compra, vendo a ação ainda em processo de reprecificação após a listagem nos Estados Unidos.
Mesmo com o início desse movimento, o banco destaca que o papel negocia a múltiplos descontados frente a pares globais, com espaço para expansão adicional à medida que a companhia seja incluída em índices americanos nos próximos anos.
Outro pilar central da tese é o capex de crescimento — cerca de US$ 1 bilhão por ano — que, segundo o UBS, ainda não está refletido nos preços e pode adicionar geração incremental de caixa no longo prazo.
Apesar do momento cíclico mais fraco em algumas proteínas, o banco entende que os fundamentos micro e a diversificação da JBS sustentam desempenho superior das ações.
Minerva
Para a Minerva, o UBS também inicia cobertura com recomendação de compra, destacando que a empresa começa agora a colher os frutos dos investimentos e aquisições feitos desde 2023.
Com a integração concluída e o Ebitda praticamente dobrando em relação a 2023, o foco passa a ser a redução da alavancagem e a retomada do pagamento de dividendos, com yields atrativos já a partir de 2026.
O banco vê alívio relevante nas preocupações com o balanço, impulsionado por forte geração de caixa e normalização do capital de giro.
Estruturalmente, a Minerva se beneficia de dois vetores-chave: maior dependência global da carne bovina brasileira e ganhos de produtividade no país, onde a companhia tem forte concentração de originação e perfil de baixo custo.
MBRF
No caso da MBRF, o UBS adota uma visão mais conservadora e inicia cobertura com recomendação neutra.
O banco avalia que o momento é desafiador tanto no negócio de aves no Brasil — com expectativa de normalização de margens diante do aumento da oferta — quanto no segmento de carne bovina nos Estados Unidos, ainda pressionado por um ciclo de gado extremamente apertado.
Esse cenário limita a geração de caixa no curto prazo, especialmente em um contexto de alavancagem ainda elevada. Com a ação negociando próxima às médias históricas de valuation e sem catalisadores claros no horizonte imediato, o UBS entende que o risco-retorno está equilibrado