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Ivan Sant’Anna: Para onde vai o preço do petróleo após tentativas de controle artificial?

Opinião - 21/02/2019 - 11:07

Por Ivan Sant’anna, autor das newsletters de investimentos Warm Up Inversa e Os Mercadores da Noite

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Caro leitor,

Desde o primeiro embargo de petróleo dos países da OPEP, a partir da guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, volta e meia os integrantes da organização, e mesmo alguns produtores não filiados, tentam sustentar os preços por intermédio de acordos de cortes na produção.

Quase sempre isso resulta em fracasso, pois eles trapaceiam. Usam dos mais diversos artifícios, inclusive contrabando por intermédio de caminhões-tanque, para não cumprir suas cotas.

Por ocasião do primeiro choque, tudo funcionou direitinho. Para os produtores, é claro.

Liderados pelo ministro do petróleo da Arábia Saudita, xeque Ahmed Zaki Yamani, os integrantes da OPEP não só diminuíram sua produção como passaram a fazer cortes mensais progressivos.

Como não podia deixar de ser, o preço do barril subiu de maneira descomunal, saindo de US$ 3,00 para US$ 17,40.

Foi a única tentativa que deu certo de controlar os preços artificialmente. Nas outras vezes em que tentaram, deram com os burros n’água.

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No momento está havendo nova tentativa de cortar a produção. Só que as coisas não estão saindo como planejado nas reuniões. Apenas 10 dos 21 países que assinaram o último acordo de cortes estão honrando o texto que subscreveram.

Embora dentro da OPEP a adesão seja de 86%, só 25% dos independentes estão cumprindo com a palavra. Entre os indisciplinados, destacam-se a Rússia e o Cazaquistão.

A verdade nua e crua é que há abundância de petróleo no mundo. E só não sobra mais porque a Venezuela está produzindo muito abaixo de sua capacidade e o Irã sofre sanções econômicas.

Pouco mais de uma década atrás, mais precisamente em maio de 2008, a cotação chegou a US$ 148,00, catapultada pelo crescimento chinês. Depois não fez outra coisa a não ser cair, com alguns piques de alta provocados por incidentes e acidentes esporádicos.

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O fiel da balança continua sendo a Arábia Saudita, que em algumas jazidas consegue extrair petróleo a US$ 3,00 o barril. Se eles resolverem iniciar uma guerra de preços, como já fizeram no final de 1985 e início de 1986, quando baixaram a cotação para seis dólares, os demais produtores terão prejuízo.

Só como exemplo da maneira de agir dos sauditas, nessa época o príncipe Sultan, por ordem do rei Fahd, adquiriu da Boeing dez novos 747s (jumbos) para a Saudi Airlines, que não precisava dos aviões, pelo preço total de um bilhão de dólares.

O pagamento foi feito em petróleo, que inundou o mercado, já saturado.

Quanto aos Boeings 747, estes foram vendidos para outras empresas aéreas. O episódio está narrado nas páginas 180 e 181 de meu livro O Terceiro Templo (Editora Objetiva, 2015).

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