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Ivan Sant’Anna: Os mercados estão chatos

Opinião - 10/09/2019 - 14:02
Colunista fala sobre a baixa volatilidade do mercado financeiro

Por Ivan Sant’Anna, autor das newsletters de investimentos Warm Up Inversa e Os Mercadores da Noite

Caro leitor,

Se há uma coisa que atrai os especuladores, é a volatilidade. Quando os ativos se movimentam com violência para cima ou para baixo, é aí que surgem boas oportunidades de lucro. Só que isso não acontece neste momento. Está tudo muito chato.

Comecemos pelas declarações e twitters de Donald Trump e Jair Bolsonaro. Como as pessoas se acostumam com tudo, já não ligam muito para as excentricidades (para usar um termo light) de ambos.

Num dia, Trump debocha de Kim Jong-un, chamando-o de “aquele gordinho baixinho”. Uma semana depois o classifica como grande líder, num encontro entre ambos em Cingapura.

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Mais uma reunião entre os dois, desta vez em Hanoi, capital do Vietnã. Eles não entram em acordo sobre o programa nuclear norte-coreano e Donald Trump parte no Air Force Number One deixando a mesa posta para o jantar de gala. Quem deve ter se dado bem foi o pessoal da cozinha, que possivelmente levou a “janta” pra casa.

Parou nisso? Não. Pouco tempo depois, eles surgem dando pulinhos pra lá e pra cá sobre a listra branca que demarca a fronteira entre as duas Coreias, em Panmunjon, um dos pontos mais fortificados do mundo. Pareciam estar brincando de amarelinha (se você é da era dos jogos eletrônicos, não sabe do que estou falando).

Esse tipo de coisa, que entusiasmou alguns americanos, e revoltou outros, já deixou de ser importante. Caramba! Acontece todo dia. Não causa nenhum efeito nos mercados, que querem saber de assuntos mais sérios: unemployment; decisões do Fomc; pronunciamentos do chairman do Fed, Jerome Powell.

Aqui no Brasil, não é diferente. Seja na guarita do palácio da Alvorada, seja em seus twitters, Jair Bolsonaro ora diz que a Noruega chacina baleias num festival bárbaro (a celebração é realmente sanguinolenta e absurda; só que acontece na Dinamarca), ora se autodenomina “capitão motosserra”. Isso quando não está insultando estadistas de outros países.

Ofende a primeira-dama da França, Brigitte Macron, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o provável futuro presidente da Argentina, Alberto Fernández, de graça. Simplesmente de graça.

Como se não bastasse, desautoriza Ricardo Galvão, diretor do Inpe, por ter afirmado o óbvio: a floresta amazônica está sendo dizimada para extração de madeira e ouro, criação de pastos e plantio de soja.

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Nos Estados Unidos, os arrazoados de Trump ainda causam certo espanto, por se tratarem de novidade. No Brasil, ao contrário, já virou piada desde que Lula assumiu em 2003: “Minha mãe nasceu analfabeta”, disse ele. Veio então Dilma que falou em estocar o vento. Com um intervalo de 853 dias, nos quais trocamos os disparates pelas mesóclises, as asneiras vêm agora do capitão-presidente.compra

“Hitler era de esquerda”, ele proclamou ao visitar o museu do Holocausto em Israel.

Concluindo: em meu juízo, essas bobagens já não afetam mais os mercados, que se acostumam com tudo. O que pesará daqui pra frente serão as taxas de juros, o avanço nas reformas e no programa de privatização, além de IPOs atraentes.

Nos Estados Unidos, logo o grande fundamento se resumirá às eleições presidenciais do dia 3 de novembro de 2020. Aí, sim. Cada palavra do candidato à reeleição vai se transformar em voto ganho ou perdido.

Um abraço,

Ivan

Se você quiser fazer comentários, elogios, críticas, dúvidas ou sugestões ao autor desta newsletter, só enviar pelo e-mail warmup@inversa.com.br.

P.S.: Hoje eu quero te fazer uma pergunta: você investiria em Petrobras ou Correios? Isso pode ser uma das maiores oportunidades de ganhos da década para investidores atentos. A última vez que tivemos uma onda de privatizações, ainda com o ex-presidente FHC, algumas porradas, não raramente milionárias, foram vistas na Bolsa. Entenda todos os detalhes aqui.

Última atualização por Bruno Andrade - 10/09/2019 - 14:02