IRB Re (IRBR3) despenca 11%: O que está por trás da queda nesta quarta-feira (26) — e o que fazer com as ações agora?
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As ações da IRB (Re) (IRBR3) operam em queda nesta quarta-feira (26), pressionadas pelo balanço publicado pela empresa na noite de ontem (25), referente ao quarto trimestre de 2024 (4T24). No período, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 112 milhões.
A cifra representa um salto em relação ao lucro de R$ 37,9 milhões registrado no mesmo período em 2023, além de um avanço expressivo de 196,6% na comparação anual, apesar do leve recuo de 3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
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Na avaliação da Genial Investimentos, o resultado superou o consenso em 7% e ficou em linha com as expectativas. A melhora na comparação anual foi impulsionada por:
- Normalização do índice de comissionamento, que recuou 16,4 pontos percentuais (p.p.) na comparação anual;
- Redução no índice de despesas com tributos, que caiu 3,0 p.p. na mesma base;
- Contribuição positiva do imposto, refletindo um impacto favorável na alíquota efetiva.
Às 13h55 (horário de Brasília), IRBR3 caía 11,29%, a R$ 48,73.
Com base nesse cenário e visando a performance do IRB em 2025, Eduardo Nishio, Henrique Alhante, Luis Degaspari e Luis Assis, que assinam o relatório, estimam um crescimento expressivo de 57,1% no lucro líquido da companhia na comparação ano a ano, impulsionando o retorno sobre patrimônio (ROE) para 12,7% (aumento de 4 p.p.).
“Embora ainda abaixo dos níveis ideais, a tendência de recuperação segue, indicando maior previsibilidade nos resultados”, apontam.
A nova fase pós-reestruturação deve ter como o principal desafio para o IRB a retomada do crescimento da carteira de prêmios sem comprometer a rentabilidade.
“Apesar da trajetória positiva de recuperação, vemos que o valuation já reflete boa parte dessa melhora, negociando a 1 vez o preço-lucro do valor patrimonial (P/VP), enquanto o ROE projetado de 12,7% ainda segue abaixo do custo de capital (16,65%), limitando um potencial de valorização mais expressivo no curto prazo”, finalizam.
Contudo, a equipe mantém a recomendação de compra, ainda que com um preço-alvo de R$ 53,50, o que representa uma leve queda de 2,6% em relação as cotações de fechamento da última terça-feira (25).
Já o BTG Pactual reforça uma visão positiva, apoiada na elevação da taxa Selic e na expectativa de recuperação da receita, impulsionada pelo aumento da demanda por seguros e resseguros, e estimulada pelos efeitos climáticos.
“No geral, a tendência dos resultados deve continuar positiva, mas não de forma linear”, diz. “Em resumo, continuamos acreditando que o IRB está bem provisionado, com índices saudáveis no balanço, benefícios de um cenário de juros mais altos à frente e operações em recuperação”.
Bruno Henriques, Luis Mollo e Marcel Zambello, que assinam o documento, ainda pontuam que consideram natural esperar alguma volatilidade no curto prazo, embora oportunidades interessantes no IRB ainda sejam visíveis, incluindo perspectivas de crescimento e M&As (operações societárias). Por fim, a equipe reitera a recomendação de compra.
O desempenho de IRB Re (IRBR3) no 4T24
A resseguradora encerrou o último trimestre do ano passado com um índice de sinistralidade de 64%, 8,8 p.p. acima do desempenho de um ano antes.
No ano, o lucro da empresa somou R$ 372,7 milhões, mais de 3 vezes o registrado em 2023, desempenho apoiado por uma combinação de “subscrição de qualidade e da aplicação adequada dos ativos financeiros”, afirmou a IRB(Re).
“Nossa estratégia ao longo de 2024 foi concentrar os negócios no Brasil”, acrescentou a companhia em mensagem que acompanha o relatório de resultados.
Do lado negativo do balanço, as despesas administrativas registraram um forte aumento de 91,6% trimestralmente e 58,1% na comparação com o 4T23, impactadas principalmente por um efeito não recorrente de R$ 62,6 milhões relacionado a um processo fiscal sobre a tributação de IRPJ e CSLL da sucursal na Argentina.
Outro ponto negativo foi o resultado financeiro, no qual sofreu uma forte deterioração (queda de 44,5% na passagem do trimestre e 12,5% na comparação anual), refletindo uma perda de R$ 24 milhões na marcação a mercado, decorrente da venda de parte da dívida soberana — além do impacto de juros e correção sobre um auto de infração local.