IRB (IRBR3): O ‘erro’ do mercado (e o motivo da ação disparar nesta quinta)
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O IRB (IRBR3) sobe 9,82% nesta quinta-feira, após despencar 17% na última quarta-feira (26), sem que nada relevante tivesse acontecido nesse meio tempo.
O motivo é que talvez o mercado tenha errado a mão após resultados que, apesar de fracos, mostrarem que a resseguradora, que já passou por poucas e boas nos últimos anos, está no caminho certo para se recuperar.
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A queda ontem foi tanta que fez o Safra revisar a recomendação de venda para neutra.
O voto de confiança vem após a empresa conseguir recuperar parcialmente seu potencial de lucratividade, apesar de enfrentar grande obstáculo devido às enchentes no Rio Grande do Sul e fatores negativos no quarto trimestre.
Mesmo assim, o analista Daniel Vaz, diz que a queda de ontem nada tem a ver com operação em si e foi provocada por uma realização de lucro pura e simples, após a ação disparar 30% no ano.
“Para nós, esse movimento reequilibrou expectativas e o valuation, e as ações da IRB agora oferecem um potencial de alta de quase 20%, sem mencionar a confiança aumentada nas decisões estratégicas da gestão, por isso a empresa merece a elevação de recomendação para neutro”, diz.
IRB: Fim do primeiro ato
Segundo o analista, o primeiro ato acabou, ou seja, lidar com contratos antigos e reduzir sinistros para um nível mais saudável de 70% (ante 100% em 2022), devido a condições mais rigorosas para novos contratos e maior retrocessão, o que impactou os prêmios ganhos.
“Agora, mais próximo de um ritmo constante, não há indicação de que a gestão queira recuperar participação de mercado a qualquer custo, sugerindo que o crescimento dos prêmios não disparará”.
Para o Safra, a disciplina de preços tem sido um mantra e não é loucura esperar uma melhor relação combinada daqui para frente, com a IRB já indicando uma melhoria de 200 pontos-base nesta recente janela de renovação (40% do total de contratos).
À medida que a IRB se aproxima gradualmente de alcançar ROEs (retorno sobre o patrimônio) de dois dígitos:
- a relação de suficiência de capital agora representa menos preocupação, o que pode abrir espaço para um aumento moderado na exposição de subscrição (por exemplo, menor retrocessão);
- a ativação de créditos fiscais finalmente deve acelerar;
- e os pagamentos de dividendos provavelmente serão retomados a partir do terceiro trimestre de 2025.
E por falar em dividendos…
Para o Safra, juros sobre capital próprio (JCP) não é uma “certeza absoluta, pois reduz a renda tributável e limita a capacidade de ativar os ativos fiscais diferidos (DTAs) relacionados ao prejuízo fiscal”.
Com o cancelamento de suas ações em tesouraria, a IRB agora tem R$ 300 milhões em prejuízos acumulados, e os lucros possivelmente se tornarão positivos no terceiro trimestre de 2025.
Assim, a IRB deve retomar os pagamentos de dividendos conforme estabelecido em seus estatutos.
BTG reforça compra
O BTG Pactual reforça uma visão positiva, apoiada na elevação da taxa Selic e na expectativa de recuperação da receita, impulsionada pelo aumento da demanda por seguros e resseguros, e estimulada pelos efeitos climáticos.
“No geral, a tendência dos resultados deve continuar positiva, mas não de forma linear”, diz. “Em resumo, continuamos acreditando que o IRB está bem provisionado, com índices saudáveis no balanço, benefícios de um cenário de juros mais altos à frente e operações em recuperação”.
Bruno Henriques, Luis Mollo e Marcel Zambello, que assinam o documento, ainda pontuam que consideram natural esperar alguma volatilidade no curto prazo, embora oportunidades interessantes no IRB ainda sejam visíveis, incluindo perspectivas de crescimento e M&As (operações societárias). Por fim, a equipe reitera a recomendação de compra.