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Interessado em participar do IPO do BMG? Veja avaliação de 5 casas de análise

Investing.com Brasil - 18/10/2019 - 20:45
A faixa indicativa de preços da oferta é de R$ 11,60 a R$ 13,40 para a aquisição das 103,45 milhões de novas ações preferenciais

Por Investing.com

Os interessados no IPO do Banco BMG têm até a próxima quarta-feira (23) para solicitar a reserva de participação na sua corretora, com um investimento mínimo de R$ 3 mil.

A faixa indicativa de preços da oferta é de R$ 11,60 a R$ 13,40 para a aquisição das 103,45 milhões de novas ações preferenciais – sem direito a voto – na oferta base, que se somam às 16,49 milhões que o fundador Flávio Pentagna Guimarães irá vender.

Porém, dúvidas persistem em alguns investidores de varejo, que terão de 10% a 20% da oferta. Diferentemente no IPO da C&A, há divergências sobre a recomendação, embora prepondere a não participação.

Das quatro casas de análises consultadas pelo Investing.com, apenas uma recomenda seus clientes a se tornar acionistas da instituição pertencente à família Magalhães, que busca captar R$ 1,5 bilhão no mercado.

Veja abaixo um resumo da avaliação sobre o banco BMG de Eleven Financial Research, Nord Research, Capital Research, Levante Investimentos e Suno.

Banco Central
O atual ciclo de queda da taxa de juro à mínima histórica favorece o funding na captação de recursos para novos empréstimos o financiamento ao consumo (Imagem: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Eleven Financial

A Eleven Financial Research recomenda a participação no processo de IPO em relatório enviado a clientes, dividindo a análise em cenário macroeconômico com a avaliação da instituição financeira. O preço-alvo da Eleven é R$ 19,00, o que representa uma valorização de 52% com base em R$ 12,50, centro da faixa indicativa.

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Na parte macro da avaliação, os analistas da Eleven apostam no papel devido à potencial performance da empresa neste momento de retomada do crescimento da atividade econômica, o que vai impulsionar espaço para um novo período de expansão do crédito, especialmente o financiamento ao consumo – carro-chefe de receitas do BMG.

O atual ciclo de queda da taxa de juro à mínima histórica favorece o funding na captação de recursos para novos empréstimos o financiamento ao consumo.

O crédito consignado, que corresponde a 77% da carteira de crédito – tem potencial de continuar crescendo com o envelhecimento da população, já que boa parte desse tipo de empréstimos é direcionado a aposentados e pensionistas.

Além disso, os analistas da Eleven apostam na diversificação de receita, especialmente com direcionamento de parcela dos recursos obtidos na abertura de capital para o desenvolvimento do banco digital.

Mesmo assim, a Eleven aponta riscos, como a própria concentração de receitas no consignado, a inadimplência além do projetado, acirramento da competição com as fintechs e mudanças regulatórias.

A avaliação da Nord é que, mesmo no centro da faixa, o BMG está mais caro do que os bancos “analógicos” (bancões) e os “semidigitais”, mas mais barato que o Banco Inter (Imagem: Divulgação/Banco Inter)

Nord Research

Por outro lado, a Nord Research tem dúvidas quanto ao potencial da diversificação de receitas do BMG a partir da criação de um banco digital. O BMG é “banco de crédito consignado que quer se vender como banco digital”, de acordo com o analista Bruce Barbosa em texto publicado pelo Investing.com, no qual ele não apenas recomenda a não participação, mas que os investidores fujam deste IPO.

Barbosa também apresenta histórico do desempenho dos outros pequenos bancos que decidiram trilhar o mesmo caminho do BMG, como Banco Indusval, Banco Pine (PINE4), Banco Pan (BPAN4), Paraná Banco, Sofisa (SFSA4), Cruzeiro do Sul e Daycoval durante o último bull Market na bolsa brasileira, no final da década passada. Estes bancos tiveram histórico difícil na bolsa, com desvalorização no período entre 9% e 94%, enquanto os grandes bancos subiram entre 270% e 450%.

Assim, a avaliação da Nord é que, mesmo no centro da faixa, o BMG está mais caro do que os bancos “analógicos” (bancões) e os “semidigitais”, mas mais barato que o Banco Inter (BIDI4), que Barbosa questiona se sua valorização desde o IPO no ano passado não configuraria uma bolha.

A Nord ainda chama a atenção para o chamado “risco Lava Jato”, lembrando que o BMG teve problemas jurídicos por dois empréstimos, que somam R$ 12 milhões, concedidos à agência de Marcos Valério.

Capital Research

Já a Capital Research não recomenda a entrada no IPO do BMG por filosofia de investimentos da casa, baseada em análise fundamentalista para ganhos no médio-longo prazo.

O analista Ernani Reis, em entrevista ao Investing.com, apontou que o histórico pequeno de resultados para analisar a empresa e compará-la a seus pares do setor. Além disso, a casa não recomenda participar de IPOs na expectativa de valorização rápida para lucrar n o curto prazo.

“No caso do BMG, o lock-up não permite o ganho rápido”, aponta Reis, sobre o bloqueio de 45 dias para a venda de ações do banco para investidor de varejo de até R$ 1 milhão e de 90 dias para o private – com investimentos entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões.

Sobre a expansão para banco digital, a Capital também apresenta questionamentos. “Uma das principais características do banco digital é o custo zero ou baixíssimo”, avalia Reis, sobre o potencial de rentabilização neste segmento pelo BMG.

O potencial de valorização das ações do BMG é de 27% no piso do intervalo de preços de oferta, de 18% no preço médio e de apenas 10% no teto do intervalo

Levante Investimentos

A casa de análise Levante Investimentos tampouco recomenda a participação neste IPO, mesmo colocando o preço alvo R$ 14,75 por ação com a projeção de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 16% no longo prazo – 13,7% em 2020.

Assim, o potencial de valorização das ações do BMG é de 27% no piso do intervalo de preços de oferta, de 18% no preço médio e de apenas 10% no teto do intervalo.

Segundo o analista Eduardo Guimarães em texto publicado no Investing.com Brasil, a recomendação de não participar é devido “à relação risco/retorno das ações do banco BMG não é favorável ao investidor, com potencial de ganho baixo, dada a limitação de crescimento do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de um banco que tem foco em crédito consignado”.

Apesar de ressaltar o bom posicionado para continuar capitalizando em cima de sua marca e absorver de forma crescente a ampla demanda por financiamento no Brasil, Guimarães aponta a fase inicial do processo de o BMG se tornar um banco digital completo.

Itaú
No Patrimônio Líquido por ação, P/VPA, os 1,92x do BMG ficam pouco atrás dos 2,7x do Itaú “Um gigante, com risco muito menor e ROE de 23,5%”, avalia Tiago Reis (Imagem: Gustavo Gomes/Bloomberg)

Suno Research

A casa foi mais uma a não recomendar a entrada no IPO por considerá-lo caro neste momento. Nas contas de Tiago Reis, analista da Suno, o múltiplo preço/lucro está entre 23,2x a 25x, acima da média do setor.

Na comparação, o Banco Pan está com 20,3x, seguido por 12,1x do Banco Alfa, 12,4x do Itaú (ITUB4), 9,0x do Banestes e 7,5x do Banrisul (BRSR6).

No Patrimônio Líquido por ação, P/VPA, os 1,92x do BMG ficam pouco atrás dos 2,7x do Itaú “Um gigante, com risco muito menor e ROE de 23,5%”, avalia Reis em relatório a clientes.

A projeção de crescimento do banco também é posto em xeque pelos modelos da Suno. “Dificilmente este crescimento será mantido (…) Caso o banco comprove, futuramente, sua capacidade de execução e negocie eventualmente em múltiplos mais atrativos, poderemos recomendar as ações”, conclui.

Peculiaridade

Uma peculiaridade do IPO do BMG será a opção do banco de entregar somente units para os investidores.

Cada unit BMGB11 será composta por 1 ação preferencial BMGB4 e 3 recibos de subscrição. Cada recibo dará direito a receber 1 ação preferencial após a aprovação do aumento de capital pedida pelo BMG ao Banco Central.

Até a homologação do aumento de capital, não haverá a negociação de ações preferenciais do banco.

Os dois papéis serão negociados no Nível 1 de governança da B3.

Última atualização por Renan Dantas - 18/10/2019 - 20:53