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Inflação e hiato do produto geram revisão para a taxa Selic

Opinião - 21/06/2019 - 16:42
No comunicado divulgado em maio, no cenário com juros e câmbio extraídos da pesquisa Focus, a inflação esperada para 2019 e 2020 ficava em 4,1% e 3,8% (Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Por Análise Macro

O Banco Central divulgou na última quarta-feira a sua decisão sobre a taxa básica de juros. Os membros do Comitê de Política Monetária optaram, nesse momento, por manter a taxa Selic inalterada em 6,5% ao ano. No comunicado, o COPOM subiu um pouco o tom em relação à abertura do hiato do produto e ao cenário benigno da inflação esperada para 2019 e 2020. Por outro lado, também ressaltou que os riscos de não aprovação da reforma da previdência permanecem preponderantes nesse momento.

No comunicado divulgado em maio, no cenário com juros e câmbio extraídos da pesquisa Focus, a inflação esperada para 2019 e 2020 ficava em 4,1% e 3,8%, respectivamente. Agora, a inflação esperada fica em 3,6% e 3,9%, respectivamente. Já no cenário de juros constantes e câmbio a 3,95 R$/US$, a inflação ficava em maio em 4,3% esse ano e em 4% no próximo ano. Agora, com câmbio a 3,80 R$/US$, a inflação fica em 3,6% e 3,7%.

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Houve, ademais, uma revisão importante no Focus, com redução na expectativa da taxa básica para o final do ano. Ao invés de 6,5%, espera-se agora 5,75%. O quadro abaixo resume a expectativa dos agentes para as quatro variáveis macroeconômicas mais importantes.

À exceção do câmbio esperado, que pega a média das instituições, as demais variáveis referem-se à mediana. Destaque para a queda monotônica do crescimento esperado para esse ano, que agora está abaixo de 1%. A inflação esperada também cedeu na ponta, após o repique verificado em abril. A tabela abaixo, a propósito, resume a inflação observada e os núcleos construídos pela autoridade monetária.

IPCA vs. Núcleos de Inflação (%)
Mensal Mai/19Mensal Mai/18Anual Mai/19Anual Mai/18
IPCA0,130,404,662,85
Médias Aparadas com Suaviz.0,290,224,083,20
Médias Aparadas sem Suaviz.0,220,183,292,42
Exclusão 0-0,05-0,012,992,55
Exclusão 10,160,253,942,69
Dupla Ponderação0,180,213,762,94
Exclusão 20,180,112,961,92
Exclusão 30,220,182,882,25

A despeito do repique no índice cheio, que permanece acima da meta de 4,25%, os núcleos permanecem bem comportados. O gráfico abaixo ilustra.


A tendência, por suposto, é que os choques recentes sobre o índice cheio se dissipem, de modo que a inflação convirja para valores próximos à meta até o final do ano. É o que indica o comportamento dos núcleos de inflação, que buscam justamente limpar o índice cheio de choques de curto prazo.

Por outro lado, as pesquisas de alta frequência têm indicado que abril também não foi um mês bom, de modo que o segundo trimestre também pode ter um resultado abaixo do esperado. É basicamente o que levou o COPOM a subir o tom em relação ao nível de atividade. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da indústria e do comércio ampliado.

A soma de hiato do produto mais negativo do que o esperado a essa altura do ano com inflação subjacente comportada é basicamente o que está levando o mercado a reduzir a expectativa de juros para o final do ano.

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Última atualização por Vitória Fernandes - 21/06/2019 - 16:43