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Ibovespa (IBOV) abre sem direção definida com repercussão das tarifas de Trump; 5 coisas para saber ao investir hoje (3)

03 abr 2025, 10:11 - atualizado em 03 abr 2025, 10:12
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Ibovespa abre sem direção nesta quinta-feira, 3 (Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

O Ibovespa (IBOV) abre o pregão desta quinta-feira (3) sem direção definida. O principal índice da bolsa brasileira recuava 0,06%, aos 131.112,86 pontos, por volta de 10h02 (horário de Brasília).



O dólar à vista despencava frente ao real hoje, acompanhando as perdas amplas da moeda norte-americana no exterior, à medida que os investidores reagiam ao anúncio na véspera de novas tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevaram os temores de uma recessão global.

Por volta das 10h (horário de Brasília), o dólar à vista caia 0,59% R$ 5,6275

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5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quinta (3)

1 – Dos males, o menor

Ontem, Donald Trump anunciou as tarifas recíprocas que os EUA passam a cobrar sobre importados a partir da semana que vem e o Brasil foi um dos “privilegiados”.

Os produtos brasileiros serão taxados em 10%, a partir do sábado (5), com outros países, como Reino Unido, Colômbia, Chile e Emirados Árabes.

Vale lembrar que os produtos mais vendidos aos EUA são: petróleo bruto, minerais betuminosos crus, produtos semi-acabados, ferro e aço na forma de matéria-prima e peças de aeronaves.

Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi de US$ 7 bilhões, considerando somente bens. Quando somados bens e serviços, o superávit totalizou US$ 28,6 bilhões — terceiro maior superávit comercial dos EUA em todo o mundo.

A notícia não é boa, mas poderia ser pior. As taxas impostas chegam a quase 50% — caso de Camboja (49%), Laos (48%) e Madagascar (47%). A China será taxada em 34%, enquanto a União Europeia ficou com 20%. Essas taxas mais altas começam a valer na próxima quarta-feira (9).

As tarifas recíprocas impostas pelos EUA é, em torno de, metade da alíquota cobrada pelos outros países sobre os produtos estadunidenses. Ao todo, serão taxados 185 países.

2- “Surrealismo econômico” da conta adotada pelo governo

A política comercial do presidente Trump voltou ao centro das atenções com uma nova abordagem tarifária que beira o “surrealismo econômico”, segundo análise de Matheus Spiess, da Empiricus Research. O critério adotado pela equipe econômica para definir tarifas de importação parte de uma equação controversa: metade do déficit comercial bilateral dividido pelas importações totais dos EUA daquele país, com um piso mínimo de 10%.

Na prática, a medida penaliza nações com superávit comercial com os EUA — como China e União Europeia — e “beneficia” países com déficit, como Brasil e Austrália. O método ignora princípios fundamentais da economia global, como os fluxos de capitais e as cadeias produtivas, apostando em uma visão protecionista radical.

Além da fragilidade do modelo, a apresentação oficial gerou gafes diplomáticas. Taiwan foi listado como país, contrariando a política externa dos EUA e potencialmente irritando a China. Além disso, até territórios desabitados, como a Ilha Heard e as Ilhas McDonald, foram incluídos na tabela tarifária, evidenciando inconsistências na formulação das medidas.

O resultado, segundo Spiess, é um desastre institucional que enfraquece a credibilidade comercial dos EUA. Diante da pressão do mercado e do impacto sobre os consumidores americanos, Trump pode recuar, como já fez no passado. Caso precise apontar um culpado, Howard Lutnick, peça-chave na política tarifária e já impopular em Washington, pode ser o escolhido para sair de cena. O estrago, no entanto, já está feito, reforçando a percepção de que a política comercial americana se aproxima mais de um improviso do que de uma estratégia bem planejada.

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3- Como fica o dólar?

A dinâmica do dólar vai depender de qual fator irá prevalecer em resposta às tarifas anunciadas pelo presidente Trump, disse o economista sênior do Inter, André Valério. “Se a economia americana absorver bem o choque, com baixo impacto na atividade e na inflação, a tendência é que o dólar se aprecie de maneira global”, comentou.

Por outro lado, caso o impacto das tarifas seja extenso, criando incertezas e desaceleração da economia, a tendência é observar a continuidade do movimento de depreciação do dólar.

“A reação do mercado aponta que a visão é de que as tarifas colocarão a economia americana em direção à recessão, com os juros de 10 anos recuando fortemente para em torno de 4,10%”, pontuou Valério.

De acordo com o economista, o real, em meio a isso, deve sofrer pouco. “O impacto sobre a balança comercial brasileira deve ser pequeno, uma vez que o fluxo comercial do Brasil com os Estados Unidos não é o mais relevante”.

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que aumento nas tarifas levam, na maioria das vezes, a uma apreciação da taxa real de câmbio na mesma magnitude do aumento das tarifas. O levantamento cobriu 151 países entre 1963 e 2014.

No entanto, Valério ressalta que o impacto sobre a balança comercial tende a ser nulo. Isso porque as tarifas limitam as importações, tornando-as mais caras, ao mesmo tempo em que a apreciação da taxa real de câmbio torna as importações mais baratas.

Além disso, o economista pontuou que alguns setores específicos devem sofrer mais, e tais setores não são altamente representativos na balança comercial. Por outro lado, o efeito líquido das tarifas pode ser positivo, especialmente se houver retaliação por parte da China e da Europa.

4 – A resposta do Brasil à tarifa de 10%

O governo brasileiro publicou um posicionamento lamentando a medida divulgada por Trump, na quarta-feira (2).

“A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, diz a nota do Ministério das Relações Exteriores.

O governo brasileiro afirmou que está aberto para negociação com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas. No entanto, não descarta medidas mais duras, como entrar com um recurso na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o Congresso já se adiantou e aprovou o projeto que a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar o projeto até sexta-feira (4).

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5 – EUA taxam carros importados em 25% a partir desta quinta (3)

A partir desta quinta-feira (3), os Estados Unidos começarão a taxar em até 25% os automóveis importados pelo país. A medida deve gerar uma arrecadação superior a US$ 100 bilhões.

A tarifa será aplicada a veículos como sedans, SUVs, picapes e vans, além de componentes como motores, transmissões e sistemas elétricos. Outros produtos do setor de autopeças também passarão a ser taxados a partir de 3 de maio.

O objetivo da Casa Branca é incentivar a produção de carros nos EUA, fortalecendo a indústria e gerando mais empregos.

O Brasil não deve ser significativamente afetado pela medida, já que o volume de veículos exportados para o mercado norte-americano é muito baixo. No ano passado, apenas 365 carros brasileiros foram enviados aos EUA.

Já o Canadá e o México ficarão isentos da tarifa de 25% por um mês. Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a decisão foi tomada após reuniões de Trump com lideranças das montadoras Ford, General Motors e Stellantis.

*Com informações de Reuters 

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua há 3 anos na redação e produção de conteúdos digitais no mercado financeiro. Anteriormente, trabalhou com produção audiovisual, o que a faz querer juntar suas experiências por onde for.
juliana.caveiro@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua há 3 anos na redação e produção de conteúdos digitais no mercado financeiro. Anteriormente, trabalhou com produção audiovisual, o que a faz querer juntar suas experiências por onde for.
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