Ibovespa (IBOV) abre em queda com ‘Dia da Libertação’ no radar; 5 coisas para saber ao investir hoje (2)

O Ibovespa (IBOV) abre o pregão desta quarta-feira (2) em queda. O principal índice da bolsa brasileira recuava 0,02%, aos 131.114,65 pontos, por volta de 10h04 (horário de Brasília).
Hoje, o dólar à vista rondava a estabilidade ante o real, mantendo-se abaixo dos R$ 5,70, à medida que os investidores se posicionam para o anúncio de tarifas recíprocas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais tarde, com a expectativa de uma guerra comercial global no radar.
Por volta das 10h, o dólar recuava 0,06%, a R$ 5,6780.
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Radar do mercado:
5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta quarta (2)
1 – O Dia D
O dia mais esperado (e temido) pelo mercado chegou. Nesta quarta-feira, Donald Trump irá anunciar novas medidas tarifárias, momento que o presidente norte-americano está se referindo como o “Dia da Libertação dos Estados Unidos“.
O evento “Make America Wealthy Again” está previsto para começar às 17h (horário de Brasília). No entanto, faltando poucas horas, ainda não está claro quais são os planos de Trump. Ele não especificou o percentual do reajuste, quais países serão afetados ou se haverá margem para negociação.
A expectativa do mercado varia de uma alíquota universal de 20% a todos os países, adicionada uma sobretaxa para um subgrupo de países, até tarifas distintas para cada país que faz negócio com os norte-americanos.
Na semana passada, Trump chegou a acenar para os investidores, afirmando que as taxas podem ser menores do que ele estava se comprometendo, mas a preocupação persiste. A avaliação geral é que as medidas protecionistas devem resultar em um aumento dos preços dos produtos, dificultando a convergência da inflação da meta de 2%, tão perseguida pelo Federal Reserve nos últimos anos.
A porta-voz do governo, Karoline Leavitt, já adiantou que tanto as tarifas recíprocas quanto as taxas sobre automóveis entrarão em vigor na quinta-feira (3).
2- Antes das tarifas…
Apesar do clima de apreensão que antecede novos anúncios tarifários do governo Trump, as bolsas americanas tiveram um desempenho surpreendentemente positivo. O mercado ignorou, ao menos temporariamente, os riscos protecionistas, mas o cenário econômico segue delicado, segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Os últimos indicadores reforçam sinais de desaceleração, com dados fracos tanto na produtividade quanto no setor manufatureiro. “Uma combinação nada animadora para quem já via sinais de desaceleração no horizonte”, observa Spiess.
Agora, a atenção se volta para o Relatório Nacional de Emprego de março, que pode confirmar essa tendência. Caso os números venham abaixo do esperado, o impacto no mercado pode ser ambíguo: por um lado, reforçaria as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve; por outro, aumentaria os temores de uma recessão.
“Soma-se a isso o fato de que, mesmo com o respiro pontual dos índices, o mercado continua andando sobre gelo fino — e a temperatura segue em queda”, avalia.
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3 – Senado aprova reciprocidade a medidas comerciais contra o Brasil e Câmara pode votá-la ainda nesta semana
O Senado aprovou na terça-feira (1) um projeto que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra o país, como o tarifaço dos Estados Unidos, e a medida legislativa pode ser votada ainda nesta semana pela Câmara dos Deputados.
Com o apoio de governistas e de setores do Congresso que se alinham à oposição, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a proposta foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado — antes, pela manhã, ela foi aprovada com facilidade pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa –, e segue, agora, para a Câmara dos Deputados.
O texto aprovado estabelece medidas de resposta a decisões unilaterais de outros países que impactem negativamente a competitividade brasileira e não se refere apenas aos Estados Unidos, mas a todos os mercados com os quais o Brasil tem comércio exterior.
4 – Avaliação de Lula piora
A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma deterioração em março, mostrou pesquisa Genial/Quaest, e a desaprovação se descolou da aprovação, avançando com 15 pontos percentuais de diferença.
Segundo a pesquisa, 27% dos entrevistados avaliaram o governo como “positivo” em março. Na rodada anterior, em janeiro, eram 31%. Os que consideram a gestão regular ou negativa oscilaram de 28% em janeiro para 29% em março, e de 37% para 41% respectivamente.
Já a aprovação caiu de 47% para 41%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 56%.
A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
5- GPA (PCAR3): Proposta do Saint German para destituir conselho recebe apoio de dois acionistas
O GPA (PCAR3) informou nesta terça-feira (2) que as propostas apresentadas pelo fundo de investimento Saint German, controlado pelo investidor Nelson Tanure, receberam apoio dos acionistas Casino Guichard-Perrachon e Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira.
No domingo, o varejista informou que o Saint German solicitou a convocação de uma assembleia geral extraordinária para destituir o atual conselho de administração do GPA e eleger novos membros, incluindo executivos indicados por Tanure.
O GPA, dono da rede de supermercados Pão de Açúcar, disse nesta terça-feira que recebeu cartas de ambos os acionistas manifestando “seu apoio ao pedido de convocação de assembleia geral extraordinária da companhia e às propostas apresentadas por Saint German Fundo de Investimento Financeiro Multimercado”, conforme fato relevante ao mercado.
O Casino é controlador indireto de 22,5% das ações emitidas pela companhia, enquanto Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira é detentor de cerca de 5,50% do capital social do GPA, segundo cartas anexadas ao fato relevante.
*Com informações de Reuters