Ibovespa despenca mais de 3% e dólar supera R$ 5,80 — e a ‘culpa’ é da China e dos EUA

Depois de “segurar as pontas” na véspera, Ibovespa (IBOV) iniciou a sessão desta sexta-feira (4) com queda de mais de 3 mil pontos e com apenas duas ações da carteira teórica operavam em alta: Carrefour Brasil (CRFB3) e SLC Agricola (SLCE3).
Desde então, o principal índice da bolsa brasileira acelera as perdas na esteira das bolsas de Wall Street — com temor da escalada da guerra comercial e recessão dos Estados Unidos.
O principal índice da bolsa brasileira encerrou a sessão com queda de 2,96%, aos 127.256,00 pontos. Durante o pregão, o Ibovespa renovou mínima intradia aos 126.465,55 pontos (-3,56%).
Com a forte perda, o Ibovespa zerou os ganhos do mês.
Pela manhã, o dólar à vista (USBRL) renovou a máxima intradia a R$ 5,8455, com avanço de 3,86% sobre o real. A divisa fechou o dia próximo do maior valor intradiário, a R$ 5,8350.
Pelo segundo dia consecutivo, as atenções — e a aversão ao risco — ficam concentradas no exterior, em meio ao crescente temor de uma guerra comercial semelhante a de 2018, desencadeada pelo plano tarifário dos Estados Unidos, apresentado pelo presidente Donald Trump na última quarta-feira (2).
Nas datas, Trump informou que o país adotará uma nova política comercial que combina uma tarifa universal de 10% sobre todas as importações com tarifas recíprocas adicionais, direcionadas a países com grandes déficits comerciais e barreiras mais elevadas à entrada de produtos norte-americanos.
De acordo com a Casa Branca, China (com taxa de 34%), Vietnã (46%), União Europeia (20%) e Taiwan (32%) serão os mais impactados. A América Latina, com exceção do México, será sujeita à alíquota-base, de 10% — já que nesses países, os EUA têm superávit comerciais.
Com isso, os agentes financeiros elevaram o risco de uma recessão na maior economia do mundo. Na avaliação do JP Morgan, a probabilidade de recessão dos Estados Unidos aumentou de 40% para 60% após o anúncio das tarifas recíprocas, com a política comercial norte-americana se tornando menos favorável às empresas. No último final de semana, o Goldman Sachs também elevou a sua probabilidade para 35%.
Além do “tarifaço”, os investidores também repercutem a retaliação da China. A segunda maior economia do mundo anunciou uma tarifa de 34% sobre a importação dos produtos norte-americano, que começa a valer na próxima quinta-feira (10) — um dia após a tarifa de 34% dos EUA contra a China entrar em vigor.
Na rede social Truth Social, Trump afirmou que a “China jogou errado, eles entraram em pânico”. Segundo ele, a “única coisa” que o país asiático poderia “era se dar ao luxo de fazer” retaliações.
“A resposta da China às novas tarifas dos EUA aumentou as preocupações do mercado. Não apenas com o impacto econômico direto dessas tarifas… A preocupação é que a medida possa levar a uma possível escalada adicional da guerra comercial pelo lado norte-americano”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
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Tensão continua em Wall Street
Ontem (3), o índice Nasdaq, que reúne as maiores empresas do setor de tecnologia, registrou a maior perda diária desde março de 2020. S&P 500 teve a pior sessão desde junho de 2020 e Dow Jones registrou o maior declínio desde setembro de 2022.
Mas um dia após registrar a pior sessão de 2025 em reação ao plano tarifário do presidente Donald Trump, os investidores repercutem novos dados do mercado de trabalho norte-americano — que aliviam, em parte, as tensões com a economia mundial e o risco de recessão nos EUA. Os índices de Wall Street caem mais de 3%.
O relatório oficial de empregos, o payroll, apontou a criação de 228 mil vagas de emprego em março, acima das expectativas do mercado de 137 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,2%, enquanto o número de desempregados fechou março em 7,1 milhões. A expectativa, entretanto, era que essa taxa seguisse em 4,1%.
“Apesar de certa resiliência demonstrada pelo mercado de trabalho, a divulgação dos dados de hoje teve impacto limitado nos índices acionários americanos. O mercado segue aumentando suas projeções para a possibilidade de recessão nos Estados Unidos”, afirma Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.
Após os dados, os agentes financeiros elevaram as apostas de uma redução de juros mais agressiva pelo Federal Reserve (Fed) em 2025, mas manteve junho como o mês mais provável para o início de cortes nas taxas, segundo a ferramenta de monitoramento FedWatch, do CME Group. Hoje, a taxa está no intervalo de 4,25% a 4,50% ao ano.
Os traders agora veem a chance de 54,9% de o Fed reduzir 125 pontos-base até dezembro. Antes do payroll, a probabilidade era de 56,3%.