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Guerra comercial e incertezas políticas derrubam Ibovespa; dólar dispara

Investing.com Brasil - 17/05/2019 - 19:11
A moeda americana confirmou o patamar acima dos R$ 4,00 e fechou em alta de 1,62%, negociado a R$ 4,1019

Por Investing.com

O aumento da disputa comercial entre EUA e China e incertezas políticas internas derrubaram novamente o Ibovespa na semana, com perdas acumuladas de 4,52%. Apenas uma sessão terminou no azul e nesta sexta-feira fechou abaixo dos 90 mil pontos, após boa parte da sessão operar em alta seguindo o até então otimismo do exterior, acima dos 91 mil pontos.

A reversão ocorreu após o presidente Jair Bolsonaro compartilhar um texto apócrifo no whatsapp apontando que seu governo não consegue fazer as mudanças necessárias por causa de “corporações” que o impedem de governar. No exterior, a CNBC informou que as conversas entre chineses e americanos para um acordo comercial foram interrompidas, derrubando os índices em Wall Street.

O principal índice acionário brasileiro caiu 0,04% na sessão de sexta-feira, a 89.992,73 pontos, com 22 ações encerrando o pregão no azul e 44 no vermelho. A bolsa brasileira caminha para outro mês de maio fechando no vermelho. O último maio com ganhos aconteceu em 2009.

Neste ano, até agora apenas três sessões fecharam o dia no campo positivo, com perdas acumuladas de 6,6% até o momento, chancelando um famoso ditado no mercado financeiro: “sell in May and go away” (venda em maio e se mande). Maio vermelho também eliminou os ganhos acumulados do Ibovespa neste ano, cujo pico foi atingido em 18 de março, quando o Ibovespa chegou aos 100 mil pontos no intraday, fechando a 99.993,92 pontos.

Desde então, o índice perdeu um total de 9,22%. No ano, o Ibovespa ainda opera no azul, alta de 2,4%, mas se aproxima dos 87,8 mil pontos com que se iniciou o ano.

Dólar

A alta da moeda americana reflete as incertezas internas e externas. Nesta sexta-feira a moeda americana confirmou o patamar acima dos R$ 4,00 e fechou em alta de 1,62%, negociado a R$ 4,1019. É o maior patamar desde 19 de setembro. Na semana, o dólar acumulou alta de 4%, maior alta acumulada desde agosto do ano passado, ainda durante as incertezas relacionadas ao período eleitoral.

A moeda americana também se fortaleceu no exterior. O Índice Dólar, que mede a força do dólar norte-americano em comparação com uma cesta das seis principais moedas mundiais conversíveis, subiu 0,12%, para 97,97 às 14:39 (horário de Brasília). Destaque para a queda da libra, que caiu pelo sexto dia consecutivo, com GBP/USD caindo 0,52%, para 1,2728, quando as negociações entre o Partido Trabalhista e o Conservador pararam, diminuindo novamente as chances de um acordo Brexit.

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Índices exterior

Em Nova York, após operar em alta em partes da sessão, os três principais índices fecharam no vermelho na sexta-feira. Dow Jones caiu 0,38%, S&P 500 cedeu 0,6% e Nasdaq desabou 1,04% com a notícia de interrupção das negociações comerciais entre EUA e China. O Euro Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, perdeu 0,36% com a tensão comercial.

O índice VIX, que mensura o sentimento dos investidores em relação à volatilidade, voltou a subir na sexta-feira, com alta de 4,12%. Desde o recrudescimento de chineses e americanos em torno do comércio, o índice acumula alta de 24,01%, mas já arrefeceu o sentimento de aversão ao risco, pois já chegou a uma alta acumulada de 60%.

A demanda por ativos porto-seguro também aumenta em tempos de incerteza, entre os quais os títulos de 10 anos do Tesouro americano. Quando a demanda por esse ativo cresce, seu rendimento cai. Foi o que aconteceu nesta semana, com o prêmio por carregá-lo na carteira chegou a 2,393%. Antes de estourar a atual animosidade tarifária sino-americana, o rendimento era por volta de 2,54%.

Semana: Política Brasileira

A articulação do Palácio do Planalto com o Congresso atingiu o pior momento desde a posse de Bolsonaro. O governo não conseguiu levar nenhuma Medida Provisória ao plenário, entre as quais a do marco regulatório do Saneamento Básico (que interessa a Sabesp (SBSP3) e Sanepar (SAPR11)), a que autoriza o controle de 100% de uma companhia aérea e, a principal, da reforma administrativa que reduziu o número de ministérios.

Além disso, o governo não conseguiu evitar a convocação do ministro da Educação para explicar o contingenciamento de recursos na pasta na quarta-feira, diminuindo verbas tanto para educação básica como para o ensino superior e pesquisa. O resultado foi um mal-estar entre ministro e deputados.

Contingenciamento na educação foi o catalisador para a principal manifestação pública na quarta-feira contra o governo Bolsonaro (Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O contingenciamento na educação foi o catalisador para a principal manifestação pública na quarta-feira contra o governo Bolsonaro, com apenas 5 meses de governo. Mais de 190 cidades de todos os Estados tiveram protestos contra a queda do orçamento da pasta.

Um dia antes, o sigilo bancário do filho do presidente e senador Flávio Bolsonaro foi quebrado a pedido do Ministério Público. O senador recebeu, segundo a revista Veja, R$ 9 milhões com venda de 19 imóveis. O ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, e de outros pessoas ligadas ao atual senador e à família Bolsonaro também tiveram quebrado o sigilo bancário.

Na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro divulga texto apócrifo abordando a dificuldade de governar o país, responsabilizando “corporações” de impedir o avanço de suas pautas, entre as quais a reforma da Previdência.

A confusão política ocorreu com o presidente da Câmara Rodrigo Maia no exterior, participando de evento com investidores em Nova York. O deputado federal é visto como a “esperança” para a reforma da Previdência avançar no Congresso, de acordo com o relator da matéria na Comissão Especial, o deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Maia foi o principal articulador para que o texto fosse apreciado na CCJ e na agilidade para instalação da Comissão Especial.

Hoje, o presidente da Câmara disse que a reforma da Previdência será aprovada na Câmara até julho. Pesa contra Maia a delação premiada do empresário Henrique Constantino, cuja família é proprietária da Gol (GOLL4) Linhas Aéreas.

Trechos da delação foi divulgada na terça-feira. Constantino acusa ter pago indevidamente deputados federais para defender interesses de sua empresa e do setor aéreo, entre os quais estão Rodrigo Maia, além dos ex-deputados Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Alves e o ex-presidente Michel Temer.

Semana: Ata do Copom

O Banco Central avalia que o PIB do 1º tri da economia brasileira provavelmente tenha tido um ligeiro recuo em relação ao trimestre anterior. Esta foi a avaliação na última reunião do Copom, fortalecida com a divulgação, pelo IBGE, da atividade ligadas a serviços em março, que caiu 0,7% em relação a fevereiro.

A ata divulgada na terça-feira manteve, no entanto, discurso de que o BC precisa de tempo para analisar o cenário antes de tomar decisão sobre mudança de juros, além de afirmar que deixará de usar a frase “cautela, serenidade e perseverança” em sua próxima reunião.

Ante a divulgação de indicadores econômicos negativos ou abaixo do consenso, o BC é pressionado a realizar cortes na Selic para animar a atividade. No último Boletim Focus, analistas de mercados reduziram projeção de alta do PIB para 1,45%.

Para o BC, números decepcionantes da economia são choques vividos na economia em 2018. Pesa para a manutenção da taxa básica, em contraponto à baixa atividade, incertezas sobre o sucesso da aprovação das reformas, que depende da frágil articulação política do governo no Congresso.

Semana: EUA-China

Na segunda-feira, a China impôs taxa de 20% a 25% sobre US$ 60 bilhões em mais de 5 mil produtos americanos a partir de 1 de junho, mesmo com Trump alertando os chineses a não retaliar, enquanto chineses afirmavam que iam se defender.

Os dois lados afirmavam durante a semana que as negociações comerciais continuariam, apesar da elevação de tarifas. Trump chegou a falar de se reunir com o líder chines Xi Jinping na reunião do G-20 em junho, no Japão.

A inserção da Huawei na lista negra no Departamento de Comércio dos EUA, que impede a atuação da companhia chinesa no território americano, catalisou a ira chinesa, que foi manifestada hoje. A CNBC informou, durante a tarde de sexta-feira, que as negociações comerciais haviam sido interrompidas.

Última atualização por Diana Cheng - 17/05/2019 - 19:11