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Gabriel Casonato: Há solução para a guerra comercial?

Opinião - 14/05/2019 - 16:55

Caro leitor,

Donald Trump passou o fim de semana tuitando sobre a China.

Na noite de domingo, a sensação era de que ele não pretende mais fazer o menor esforço para tentar um acordo… Quer guerra!

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E foi esse clima de tensão que os mercados acabaram refletindo na véspera, depois de apostarem em uma trégua na sexta-feira (10).

“Pior do que um mau acordo seria não ter acordo nenhum”, escreveu o Financial Times, acreditando que EUA e China estão à beira de uma guerra comercial.

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A verdade é que o presidente americano está irado com o suposto recuo dos chineses em alguns pontos previamente acordados. No último de seus posts sobre o assunto no domingo, deu um jeito de enfiar as eleições no meio e disse que a China “ama explorar a América”.

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Pequim, que pouco antes havia adotado um tom conciliador, afirmando que a porta da China estaria sempre aberta e que não quer brigar, porque não há vencedores na guerra comercial, endureceu na resposta.

Disse que chineses não vão engolir nenhum fruto amargo que prejudique os seus interesses.

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Mas ainda no domingo à noite, o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, informou que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, devem se reunir na cúpula do G20 no Japão, no final de junho.

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Ele, no entanto, também disse que esperava uma retaliação da China à decisão dos EUA de subir de 10% para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, que pode ser estendido para mais US$ 325 bilhões.

(Imagem: Pixabay)

E ela já começou a ser esboçada ontem, com o anúncio de Pequim de que irá aumentar as tarifas sobre US$ 60 bilhões de importações americanas a partir de 1° de junho.

Como alento, os efeitos dos aumentos só começarão a ser sentidos de fato em cerca de três semanas, tempo médio da viagem de navio entre China e EUA. Isso acaba proporcionando uma janela para que os dois países recuem de uma temida guerra comercial, que certamente prejudicaria a economia global.

A esta altura, já está mais do que claro a convicção de Trump de que tem mais cartas para jogar do que os chineses.

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O bom ritmo de crescimento da economia, o pleno emprego e um mercado de ações dinâmico alimentam sua crença de que os EUA têm mais capacidade de absorver choques do que a China.

Além disso, o presidente americano acredita que não pode se dar ao luxo de fechar um acordo meia boca com uma eleição pela frente no ano que vem.

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Qualquer resolução que não enderece questões cruciais, como propriedade intelectual e manipulação do yuan, deixaria Trump exposto à acusação de ter cedido aos chineses. Em contrapartida, Xi Jinping também tem de lidar com a pressão de uma mentalidade mais nacionalista em sua terra.

Enquanto a maioria dos americanos vê uma China gananciosa determinada a roubar empregos e tecnologia dos EUA…

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A maior dos chineses enxerga nos EUA uma superpotência intimidadora tentando impor termos desiguais.

Diante de tamanho impasse, pouca gente ainda espera que os líderes dos dois países acabem chegando a um acordo mais abrangente.

Mas os mais otimistas ainda nutrem esperança de ver algum que ao menos afaste a possibilidade de uma guerra com repercussões catastróficas – economicamente falando.

Ironicamente, contribui neste sentido o sangramento recente do mercado americano de ações, que sofre com a enxurrada de notícias negativas em torno da guerra comercial.

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Como sabemos, nunca um presidente americano soube capitalizar tanto os recordes conquistados em Wall Street como Trump.

Para que as ações voltem a subir e ele continue com essa carta na manga, porém, seria bom deixar o ego político de lado e buscar uma solução pragmática para o conflito com a China.

Enquanto isso, fiquemos de olho nas oportunidades que começam a surgir a partir deste grande movimento de queda nos últimos dias.

Última atualização por Vitória Fernandes - 14/05/2019 - 20:05