Flávio Bolsonaro promete ‘tesouraço’ em impostos e guerra aos ‘narcoterroristas’
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, prometeu promover um “tesouraço” nos impostos e na burocracia caso seja eleito. Ele também afirmou que pretende declarar guerra ao narcotráfico a partir de janeiro, com medidas de endurecimento da segurança pública.
As afirmações foram feitas nesta terça-feira (13) em discurso a empresários e representantes de entidades do setor produtivo durante o Grande Encontro do Associativismo, promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo.
“Vamos fazer tesouraço em impostos, sim. Vamos fazer tesouraço na burocracia do primeiro dia, já está pronto”, afirmou. Segundo Flávio, um decreto deverá revogar mais de mil atos normativos do governo atual, que, em sua avaliação, criaram entraves para os empreendedores.
O senador disse que pretende seguir uma estratégia semelhante à adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai, de buscar novas reduções de impostos à medida que a arrecadação aumentasse. “Cada vez que a arrecadação subia com a redução de impostos que ele vinha fazendo, ele queria cortar mais impostos”, afirmou, ao recordar conversas com o então ministro da Economia Paulo Guedes.
Flávio também criticou a reforma tributária e a alíquota estimada para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que, segundo ele, poderá chegar a 28% ou mais. O candidato classificou a estimativa como um risco para os empreendedores e afirmou que a indefinição sobre a alíquota prejudica a avaliação dos efeitos da reforma.
“É um governo que faz uma reforma tributária, que tem pontos positivos, mas tem um ponto muito negativo, que é o maior IVA do mundo, que está estimada em 28%. E pode ser que venha maior”, declarou.
Dívida pública e juros
O candidato também relacionou a possibilidade de mudanças econômicas à percepção do mercado sobre o resultado eleitoral. Segundo ele, a passagem para o segundo turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria provocado uma queda de dois pontos percentuais nas taxas de juros futuros.
“A dívida do governo federal chegou a R$ 11 trilhões. Uma continha rápida, já caiu 2% da taxa de juros futuro, R$ 220 bilhões que vai abrir o orçamento, gente. Menos dinheiro que vai ser usado para pagar a dívida”, afirmou.
Flávio afirmou ainda que pretende acabar com a reeleição presidencial, utilizando o capital político de um presidente recém-eleito para viabilizar a mudança. “Eu só preciso de um mandato para recolocar o país no caminho da prosperidade”, disse.
Endurecimento na segurança pública
Na área de segurança, Flávio prometeu declarar guerra às organizações criminosas, como o PCC e Comando Vermelho a partir de janeiro e ampliar a capacidade do sistema penitenciário.
“Não pensem que é fácil. […] Eu acho que, nesse momento, poucas pessoas têm tomado mais risco do que eu. Essas organizações passarão a ser tratadas como narcoterroristas”, afirmou.
O candidato também anunciou a intenção de criar o programa Smart Brasil, inspirado no Smart Sampa, da capital paulista. A proposta, segundo ele, prevê a instalação de mais de 2 milhões de câmeras com sistemas de identificação, integradas entre municípios e Estados.
“Um vagabundo que agrediu uma mulher aqui em São Paulo, se estiver no Rio vai ser preso no Rio, se estiver na Amazônia vai ser preso na Amazônia”, declarou.
Flávio afirmou ainda que pretende criar mais de 500 mil vagas em presídios e endurecer as penas para determinados crimes. Para o roubo de celulares, defendeu uma pena mínima de oito anos de prisão e a obrigação de trabalho por parte dos condenados. Ele também defendeu castração química para estupradores e disse que fará isso acontecer.
O senador também prometeu ampliar o monitoramento de agressores de mulheres que estejam sujeitos a medidas protetivas e criar espaços de acolhimento para vítimas sem condições financeiras de deixar suas casas.