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Fitch reduz Argentina para CCC e cita risco de descontinuidade política

Reuters - 16/08/2019 - 16:34
Argentina
“O resultado das eleições primárias aponta para riscos elevados de descontinuidade política após as eleições gerais de outubro de 2019”, afirmou a Fitch em nota (Imagem: REUTERS/Agustin Marcarian)

A agência de classificação de risco Fitch reduziu a nota da Argentina nesta sexta-feira de “B” para “CCC”, citando uma maior probabilidade de um default após o resultado surpreendente das eleições primárias que afundou o país em mais uma crise.

Os mercados argentinos despencaram ao longo de boa parte da semana depois da votação de domingo, quando o candidato de centro-esquerda Alberto Fernández ficou bem à frente do presidente Maurício Macri. A larga vantagem de Fernández indica que ele pode vencer as eleições de outubro no primeiro turno, potencialmente pondo fim a reformas liberais e a um plano de austeridade apoiado pelo FMI.

O rebaixamento da Fitch põe fim a uma semana difícil em que o peso perdeu quase 20% de seu valor, forçando o Banco Central argentino a consumir suas reservas com a oferta de leilões em dólar.

A Fitch elevou para 2,5% sua estimativa de contração da economia argentina em 2019, frente a uma projeção anterior de queda de 1,7%, e disse estimar uma estagnação da atividade no ano que vem. A agência acrescentou que espera que a dívida pública aumente para cerca de 95% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

“O rebaixamento do rating da Argentina reflete a incerteza política elevada após as eleições primárias, um aperto severo das condições de financiamento e uma deterioração esperada no ambiente macroeconômico que aumenta a probabilidade de um default na dívida soberana ou algum tipo de reestruturação”, disse a Fitch.

Alejo Czerwonko, estrategista de mercados emergentes do UBS Global Wealth Management, disse que o rebaixamento da Fitch não vai mudar substancialmente a opinião de muitas pessoas sobre a solidez da dívida argentina.

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“A Argentina já havia sido classificada em grau especulativo e isso está empurrando o rating um pouco mais fundo, mas revela pouca informação nova para os investidores”, disse ele. “Isso levará outras agências de classificação a reavaliar a classificação.”

A Fitch também disse que espera que o crescimento da Argentina seja estável em 2020, ao mesmo tempo em que adverte que provavelmente haverá muita incerteza “dada a falta de clareza em torno das principais políticas econômicas pós-eleições”.

A agência de classificação disse que as chances de Fernández vencer a eleição aumentaram, levantando dúvidas sobre o futuro do plano de austeridade de Macri apoiado pelo FMI. O fato da companheira de chapa de Fernández ser a ex-presidente de esquerda Cristina Fernández de Kirchner, cética há tempos sobre o programa do FMI, apenas aumentou essas dúvidas, disse a Fitch.

Última atualização por Bruno Andrade - 16/08/2019 - 18:52