Fim do mundo das criptomoedas? Perigo quântico avança mais rápido e Google aponta data limite para mercado se adaptar
O mercado global de criptomoedas teve seus temores renovados na última terça-feira (31) com uma publicação do Google Research apontando o avanço da computação quântica e o perigo para a rede do bitcoin (BTC).
Voltando alguns passos, a computação quântica é utiliza princípios da física quântica para processar informações. Em linhas gerais, é uma forma de usar as máquinas para dar escalabilidade à gestão de dados.
No entanto, esse processamento quase instantâneo de toneladas de informações abre um risco sistêmico para as criptomoedas, que é a quebra do algoritmo da blockchain.
Em termos simples, o processo de validação da rede se dá pela resolução de um problema, cuja dificuldade é ajustada pelo número de participantes e pelo poder de processamento de dados. No caso específico do bitcoin, esse processo é conhecido como mineração.
“Um novo estudo divulgado pelo Google aponta que futuros computadores quânticos poderão quebrar a criptografia de curvas elípticas, base de proteção de grande parte das blockchains atuais, utilizando menos recursos computacionais do que estimativas anteriores indicavam. Na prática, isso significa que sistemas hoje considerados seguros podem se tornar vulneráveis em um horizonte mais curto”, diz a pesquisa do Google, assinada por Ryan Babbush, Diretor de Pesquisa em Algoritmos Quânticos, e Hartmut Neven, Vice‑Presidente de Engenharia, Google Quantum AI, Google Research.
Risco da computação quântica para o bitcoin (BTC)
Segundo o relatório, o problema está no avanço da chamada computação quântica relevante para criptografia. Esses sistemas, ainda em desenvolvimento, têm potencial para resolver cálculos complexos de forma exponencialmente mais rápida do que computadores tradicionais.
O Google estima que algoritmos quânticos já podem ser executados com uma quantidade significativamente menor de qubits — as unidades básicas da computação quântica — reduzindo em cerca de 20 vezes os recursos necessários para quebrar esse tipo de criptografia.
Em termos práticos, os pesquisadores indicam que um computador quântico com menos de 500 mil qubits físicos poderia, em tese, comprometer chaves criptográficas de 256 bits em questão de minutos. Embora máquinas com essa capacidade ainda não existam comercialmente, o ritmo de evolução tecnológica tem encurtado o horizonte dessa ameaça.
Por fim, a empresa também propôs um cronograma que mira 2029 como horizonte para a transição mais ampla para sistemas pós-quânticos — um prazo que, embora ainda distante, pode ser curto diante da magnitude das mudanças necessárias.