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CSN, Gerdau e Usiminas sobem a despeito de “mini guerra comercial” do aço com EUA

02/12/2019 - 14:56
Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca
Trump quer que o Federal Reserve impeça que países tomem vantagem de um dólar mais forte (Imagem: Reuters/Yuri Gripas)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira no Twitter que irá retomar imediatamente tarifas norte-americanas sobre importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina.

Trump também pediu que o Federal Reserve impeça que países tomem vantagem de um dólar mais forte, desvalorizando suas moedas.

Juros menores e afrouxamento- Fed!”, escreveu ele no Twitter.

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“O Brasil e a Argentina têm promovido uma forte desvalorização de suas moedas, o que não é bom para nossos agricultores. Então irei, imediatamente, retomar as tarifas sobre todo aço e alumínio embarcado para os EUA a partir desses países”, escreveu Trump no Twitter.

Ele também pediu que o Federal Reserve impeça que países tomem vantagem econômica com a desvalorização de suas moedas.

Jair Bolsonaro
Bolsonaro mostrou tranquilidade sobre o assunto (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

Bolsonaro e Mercosul

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não vê como retaliação o anúncio de Trump e reiterou que, se for necessário, vai ligar para o presidente norte-americano.

“Vou conversar com ele para ver se não nos penaliza com a sobretaxa no preço do alumínio. A alegação dele, no Twitter dele, é a questão das commodities, a nossa economia basicamente vem das commodities, é o que nós temos. Espero que tenha o entendimento dele, que não nos penalize no tocante a isso, e tenho quase certeza de que ele vai nos atender”, acrescentou Bolsonaro.

Apesar disso, duas fontes do governo brasileiro questionaram o argumento usado por Trump. “Ele fez uma matemática complicada e uma equação que não fecha…No Brasil, não manipulamos o câmbio”, disse a primeira fonte. “No Brasil, o câmbio é flutuante e não há manipulação como Trump diz. Mas ele é muito imprevisível e acho que eleições lá estão ditando decisões”, avaliou a segunda fonte.

Ao serem questionadas sobre possíveis retaliações do Brasil aos EUA, as duas fontes disseram que a hora é de esperar e analisar os fatos antes de se tomar qualquer medida.

Já o Ministério de Relações Exteriores da Argentina informou que iniciará negociações com o governo dos EUA após a decisão de Trump.

Procurado, o Instituto Aço Brasil (IABr), que representa os produtores da liga no país –entre eles Gerdau, Usiminas e CSN– afirmou que recebeu com “perplexidade a decisão de Trump”. “O câmbio no país é livre e a decisão de taxar aço brasileiro como forma de compensar o agricultor americano é uma retalização ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, afirmou a entidade, acrescentando que a decisão de Trump “prejudica a própria indústria de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil”.

Segundo dados da entidade, os EUA são o maior destino das exportações brasileiras. Em 2018, o Brasil vendeu ao exterior 16 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos, das quais 6,6 milhões para os EUA. Em dólares, o total exportado correspondeu a 9,65 bilhões, dos quais 3,85 bilhões de dólares foram para os EUA.

Na abertura do mercado, os papéis do setor caíram, mas já apresentam alta (Imagem: REUTERS/Damir Sagolj)

Gerdau, Usiminas e CSN

Analistas do JPMorgan afirmaram que não consideram “material para Gerdau, Usiminas e CSN” a taxação norte-americana. “O volume destinado pelas três principais companhias do setor (destinado aos EUA) já estava muito baixo e, em nossa visão, não é material.”

Apesar disso, os analistas citaram que a Ternium, que tem uma grande usina siderúrgica instalada no Rio de Janeiro, “pode ser mais afetada por conta de suas exportações de placas para os EUA”.

Na abertura do mercado, os papéis do setor caíram, mas já apresentam alta.

As ações da  CSN (CSNA3) avançou 5,73%, Gerdau (GGBR4) ganhou 2,65% e Usiminas (USIM5) valorizou-se 2%. O Ibovespa mostrava variação positiva de 0,75% às 14h53. Os papéis da Ternium, em Nova York, tinham recuo de 2,36%.

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Também procurada, a associação de produtores de alumínio do Brasil, Abal, afirmou que desde 1º de junho do ano passado as exportações brasileiras de produtos de alumínio para os EUA são sobretaxadas. “Esse acerto foi ratificado no ano passado com governo Trump, quando este abriu a possibilidade de substituir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação. Na época, optamos pela sobretaxa e seguimos assim desde então”, afirmou a Abal.

Segundo a Abal, o Brasil exportou de janeiro a outubro deste ano 119,5 mil toneladas de produtos de alumínio, das quais 52 mil para os EUA. Desse volume, 47 mil toneladas pagaram a sobretaxa de 10%.

Última atualização por Bruno Andrade - 02/12/2019 - 19:00