Alta de 1%, queda de 2,45%: Ibovespa em dólar vira montanha-russa com tarifaço de Trump

O EWZ, o Ibovespa em dólar, chegou a disparar 0,9% após o presidente Donald Trump anunciar uma taxação de 10% sobre o Brasil, que possivelmente ficou abaixo do esperado.
O anúncio faz parte do pacote de tarifas recíprocas anunciado por Trump.
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Apesar disso, o índice devolveu os ganhos e chegou a despencar 2,45%. Entre os índices futuros norte-americanos: o S&P 500 despencou 3%, Nasdaq chegou a cair mais de 4% e Dow Jones recuou cerca de 2%.
De acordo com Paula Zogbi, gerente de research da Nomad, embora o anúncio tenha como objetivo estimular e expandir a indústria doméstica, o mercado observa potenciais pressões inflacionárias e aumentos nos custos.
“A volatilidade deve seguir sendo a tônica do mercado enquanto acompanhamos novos desdobramentos das medidas, com prováveis novas revisões de expectativas para os resultados das companhias por analistas e uma possível continuidade do fluxo financeiro para teses mais defensivas e outras economias globais”, afirmou.
Brasil beneficiado?
Na visão de Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, o anúncio de tarifas globais acima do normal tem sido uma estratégia utilizada por Trump para negociar com parceiros comerciais.
Em entrevista ao Giro do Mercado desta quarta-feira (2), a especialista afirmou que o Brasil pode acabar se dando bem em relação a outros países.
“O foco deve ser os países nos quais os EUA têm déficit comercial, que não é o nosso caso. Com isso, o Brasil não é um alvo para ser taxado de maneira generalizada”, afirma Quaresma.
Para André Valério, economista sênior do Inter, Brasil tende a ganhar market share de suas exportações, à medida que essas regiões direcionem suas demandas para outro lugar, particularmente o agro, que sofre grande competição com o agro americano.
“Além disso, o fato de o Brasil ter sido menos taxado, tornará os nossos produtos relativamente mais competitivos em relação aos outros países, o que pode permitir maiores exportações aos Estados Unidos”.
Finalmente, diz o economista, hoje observamos um elevado diferencial de juros entre a economia brasileira e americana, o que deve fornecer um suporte para uma eventual depreciação do real.
“Atualmente, o real é uma das moedas favoritas dos investidores justamente por conta desse fato, com as posições vendidas em dólar contra o real sendo a maior aposta contrária à divisa americana”.