EWZ derrete 19% com reeleição de Lula (PT) à Presidência
O iShares MSCI Brazil (EWZ), que é um fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) negociado na Bolsa de Nova York (NYSE) que replica o desempenho do mercado acionário brasileiro — e que também opera influenciado por fatores externos –, derrete 19,63%, a US$ 34,23, nos primeiros minutos de pregão de after hour neste domingo (25).
Nos primeiros negócios em Tóquio, o Nomura NF Ibovespa Link ETF caía 12,75%, para 285,3 ienes.
O desempenho sucede à reeleição do Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com mais de 99% das urnas apuradas, o presidente tinha 51,76% dos votos válidos ante 48,24% do adversário Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos.
O resultado contrariou as pesquisas eleitorais e a disputa do primeiro turno, em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista.
“Ainda é cedo para dimensionar esse movimento [de queda dos índices], porque os mercados estão fechados e os contratos futuros têm liquidez menor, mas os sinais apontam para uma queda expressiva, revertendo boa parte do movimento de valorização vista após o primeiro turno”, avalia William Castro, estrategista-chefe da Avenue.
A ‘frustração’ do mercado com uma possível vitória do petista também já era esperada. A Capital Economics já prevê uma queda entre 5% a 10% do principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa (IBOV), no primeiro pregão após o segundo turno das eleições.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, destaca que, com Flávio à frente nas pesquisas e no primeiro turno, o mercado vinha assimilando a possibilidade de uma mudança relevante na condução da política econômica, com expectativas relacionadas ao ajuste fiscal e à redução do prêmio de risco na curva de juros.
A perspectiva havia favorecido o desempenho de ativos brasileiros, mas os desdobramentos da disputa eleitoral já vinham estimulando maior cautela entre os investidores.
Na mesma linha, Felipe Balassiano, head de multimercados do ASA, avalia que o mercado não estava posicionado para este desfecho. “Diferente dos cenários de vitória de Bolsonaro — onde quanto maior a vantagem, melhor andariam os ativos —, amanhã devemos passar por um ajuste severo de preços na abertura”, afirma.
“Esperamos forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa, depreciação do real e abertura das curvas de juros, até que o novo governo e reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal”, acrescenta.