Internacional

Europa: 3º Trimestre resiliente da BP é ofuscado pelo IPO da Aramco

29 out 2019, 11:58 - atualizado em 29 out 2019, 11:58
BP iniciou a temporada de lucros com números que estavam modestamente à frente das expectativas (Imagem: Jason Alden/Bloomberg)

Por Geoffrey Smith/Investing.com

Investidores que temem um banho de sangue pelo Big Oil depois de um terceiro trimestre de alta nos preços do petróleo podem ficar tranquilos. A BP iniciou a temporada de lucros com números que estavam modestamente à frente das expectativas, mas ainda assim obscurecidos por notícias em outros lugares.

As ações caíam 2,7% às 6h30 (horário de Brasília), mas isso foi menos um reflexo dos resultados do que das notícias de que a Saudi Aramco planeja começar a divulgar seu IPO no domingo. Isso está fazendo os investidores abrirem espaço em seus livros para as novas ações, comparando com as participações existentes.

A BP fez o possível para reduzir as expectativas nas semanas que antecederam o anúncio, principalmente alertando para uma taxa de ajuste de até US$ 3 bilhões em relação às alienações anunciadas durante o trimestre (os ativos de gás herdados da BPX Energy em primeiro lugar). Como se viu, a BP na verdade reportou um prejuízo de US$ 2,6 bilhões, bem abaixo do máximo temido.

Não havia como escapar do impacto de preços mais baixos, no entanto. O petróleo bruto dos EUA oscilou entre US$ 68 e US$ 74 por barril no ano anterior, mas a desaceleração econômica global e o medo de excesso de oferta o mantiveram preso na metade dos 50 durante todo o verão.

Como resultado, o lucro implícito do custo de reposição – a medida preferida da BP – caiu mais de um terço, para US$ 2,25 bilhões. Os resultados reportados atingiram uma perda de US$ 749 milhões. O fluxo de caixa operacional ficou em US$ 6,5 bilhões ainda saudáveis, graças ao desempenho acima do esperado da Rosneft e de suas operações de downstream.

A perda relatada foi menos preocupante do que um aumento indesejável nas engrenagens, pois as alienações de ativos falharam em reduzir significativamente a dívida líquida.

O Gearing, que mede a dívida líquida como uma proporção do valor total da empresa, subiu para 31,7% em relação a 31% três meses antes, afastando-se da faixa de 20% a 30%.

O diretor financeiro Brian Gilvary disse que espera que ele fique acima de 30% até o final do ano (mesmo que o grupo esperanfo vender quase US$ 3 bilhões a mais em ativos até lá), antes de cair para cerca de 25% no próximo ano. Isso reflete o otimismo da BP de que pode continuar gerando caixa suficiente para cobrir investimentos e dividendos a preços de mercado e ainda restar algo para fortalecer o balanço patrimonial.

Enquanto isso, todos os principais índices da Europa estavam no vermelho. O FTSE 100 cai 0,55%, enquanto o DAX alemão sobe 0,4%. O índice de referência Stoxx 600 em baixa de 0,26%, para 396,58.