Eurasia: Chance de Flávio Bolsonaro perder no 2º turno aumenta; veja o que mudou
A consultoria Eurasia Group reduziu de 80% para 75% as chances de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.
A vantagem, segundo comentário escrito por Christopher Garman, Raul Folino e Silvio Cascione, foi reduzida conforme os modelos de intenção de voto ganhram mais peso, mas uma vantagem de 3 pontos percentuais para Flávio continua sólida, considerando os eleitores prováveis. Antes, a diferença era de 5,4.
Na avaliação da consultoria, as promessas de última hora do presidente Lula, como o fim da escala 6×1, têm potencial para reduzir ainda mais a diferença nas pesquisas, mas um cenário desfavorável de temas, a improvável queda da abstenção e o ceticismo dos eleitores tornam uma virada improvável para o petista. Logo, Flávio segue como o grande favorito da disputa presidencial, apesar das pesquisas mais acirradas.
Esquerda superestimada
De acordo com a Eurasia, os pesquisadores recalibram seus levantamentos após o primeiro turno, melhorando seu histórico de acerto nos segundos turnos.
“Em 2022, superestimaram a esquerda em 4,2 pontos no primeiro turno e em 1,7 ponto no segundo. Ainda assim, a maioria não considera adequadamente a abstenção, o que acaba por subestimar o voto conservador. A correção desse viés acrescenta 1 ponto à vantagem de Flávio, elevando-a para cerca de 3 pontos”, afirma a consultoria.
Além disso, a Eurasia observa que as pesquisas estão convergindo para a vantagem de 3 pontos que a Eurasia previu originalmente.
A vantagem de 1,9 ponto de Flávio no primeiro turno, somada à distribuição das preferências dos eleitores dos candidatos eliminados, indicava uma vantagem ligeiramente superior a 3 pontos no segundo turno.
Já as pesquisas da semana retrasada mostravam Flávio quase 5 pontos à frente de Lula, elevando suas chances de vitória de 70% para 80%.
No entanto, a consultoria considera que esse salto provavelmente foi impulsionado por um viés de favorecimento do vencedor; as pesquisas mais recentes, que indicam uma disputa mais acirrada, podem refletir um retorno à vantagem esperada de cerca de 3 pontos, reduzindo ligeiramente suas chances.
Modelos de intenção de voto
Pelos modelos de intenção de voto, com maior peso, a consultoria sustenta a chance de 75% de vitória de Flávio. A Eurasia Group utiliza três modelos de previsão eleitoral baseados em índices de aprovação, principais temas e intenção de voto. O último ganha mais peso à medida que a votação se aproxima e pode ser analisado de duas formas.
Primeiro, o banco de dados do estatístico Nate Silver sobre eleições para o Senado americano mostra as chances de vitória em função do tempo restante antes da eleição e do tamanho da vantagem.
Esse indicador atribui a Flávio 87% de chances de vitória com uma vantagem de 5,5 pontos duas semanas antes do segundo turno, e 77% de chances com uma vantagem de 3 pontos uma semana antes do dia da votação.
Segundo, um modelo estocástico da distribuição de probabilidades que reflete a vantagem atual atribui a Flávio 76% de chances de vitória para uma vantagem de 3 pontos. Em conjunto, essas abordagens justificam a probabilidade de 75%. Se a vantagem de Flávio nas pesquisas se mantiver estável até o final da próxima semana, a Eurasia Group elevará novamente suas chances.
Abstenção como um entrave para Lula
Na avaliação da consultoria, o PT está pressionando para reduzir a abstenção, que raramente diminui no segundo turno. Para ser reeleito, Lula precisa conquistar mais de 60% dos eleitores dos candidatos eliminados, o que é improvável, ou convencer os que votaram em Flávio no primeiro turno a mudar de lado.
A Eurasia acrescenta que os apoiadores de Flávio poderiam se abster mais no segundo turno, mas mesmo esse impacto seria insuficiente para reverter o resultado.
Segundo a Eurasia, outro fator pesa contra Lula: as preocupações dos eleitores. Nos casos em que uma vantagem do primeiro turno foi revertida ou quase revertida no segundo turno, o cenário de temas favorecia o candidato que conseguiu a virada.
“Lula está em desvantagem em segurança e em corrupção, e pesquisas qualitativas indicam que a classe média se sente estagnada. A Eurasia Group subestimou a precisão desses modelos na previsão do voto no primeiro turno, e esse cenário prejudica o incumbente no segundo turno”, afirmam os analistas no relatório.
O que pode ajudar Lula a virar?
A Eurasia avalia que Lula ainda tem 25% de probabilidade de vitória e quatro fatores podem impulsionar uma virada. O primeiro é a participação em debates, considerada pela consultoria como a maior oportunidade do incumbente.
“Porém, é mais provável que o debate ressalte a diferença de idade entre os candidatos. Flávio é disciplinado e precisa apenas manter o foco na mensagem e nas dores dos eleitores. Lula precisa que Flávio tenha um desempenho muito ruim para sair na frente”, diz a consultoria.
Outro ponto mencionado são os ataques negativos, visto que o PT está obtendo algum sucesso ao vincular Flávio às milícias do Rio de Janeiro e ao temor de perda de benefícios sociais. Isso ajuda a reduzir a diferença nas pesquisas, mas não aumentou significativamente a rejeição a Flávio. Novas revelações contra Flávio são improváveis, acrescenta.
Um terceiro fator que ajuda o presidente são os recentes anúncios sobre tarifa zero no transporte público, auxílios a pequenos empreendedores e a aprovação do fim da escala 6×1 podem ajudar, mas pesquisas qualitativas indicam que os eleitores enxergam através dessas medidas. “É improvável que revertam a disputa, mas podem acirrá-la ainda mais” afirma a Eurasia.
Já o último ponto é a qualidade de campanha, visto que Lula precisa abordar segurança e custo de vista em uma mensagem. No primeiro turno, a avaliação da consultoria é de que o incumbente não conseguiu responder ao sentimento de estagnação entre os eleitores, mas sua campanha vem melhorando na reta final.