Coluna do Hsia Hua Sheng

Como ETFs chineses podem ser alternativa de diversificação para investidores globais

31 mar 2025, 9:30 - atualizado em 31 mar 2025, 9:30
Mercados, Bolsas Asiáticas, China, Hong Kong, etfs
Para balancear e reduzir esse risco sistêmico dos índices americanos, investidores institucionais globais têm alocado recursos no mercado acionário chinês. (Imagem: REUTERS/Chaiwat Subprasom)

Os dois principais índices das Bolsas de Valores dos Estados Unidos, o S&P 500 e o Nasdaq, enfrentam riscos de perder sua liderança na representatividade global das maiores empresas do mundo, especialmente no setor de tecnologia. Essa vulnerabilidade é agravada pela política protecionista America First promovida pelo governo Trump, que gerou desafios econômicos e regulatórios para corporações norte-americanas.

Para balancear e reduzir esse risco sistêmico dos índices americanos, investidores institucionais globais têm alocado recursos no mercado acionário chinês, buscando maior diversificação e potencial de retorno superior. Devido à falta de familiaridade com o mercado chinês, esse investimento estrangeiro é geralmente feito por meio de gestão passiva, utilizando ETFs atrelados a índices de referência, como o Índice Hang Seng, o Índice China A50, o Índice Shanghai, o Índice SZSE Component e ETFs de tecnologia chinesa.

Como o mercado chinês complementa os índices americanos na diversificação de riscos globais?

  • Potenciais saídas de talentos dos Estados Unidos
    A política America First criou conflitos econômicos, financeiros e sociais, afetando inclusive a imigração de talentos da área de tecnologia. Isso pode resultar no êxodo de profissionais de pesquisa e desenvolvimento (P&D) das sete gigantes da tecnologia que sustentam o desempenho do S&P 500: Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet (Google), Tesla, Nvidia e Meta (Facebook). Caso esses talentos retornem aos seus países de origem, empresas americanas poderão enfrentar dificuldades na liderança em Inteligência Artificial (IA), impactando seu valor de mercado.
  • Integração eficiente e acessível da IA na China
    O avanço da IA na China, impulsionado por códigos abertos como o Deep Seek, tem facilitado a integração de software inteligente em processos industriais. Ao contrário dos Estados Unidos, a China tem conseguido elevar qualidade, eficiência e reduzir custos na cadeia produtiva, tornando suas empresas mais competitivas e lucrativas.
  • Consolidação da manufatura e da inovação tecnológica na Ásia
    Enquanto os Estados Unidos enfrentam dificuldades para desenvolver uma produção autônoma de semicondutores, como demonstrado pelos desafios da TSMC e da Intel, a China avança na produção independente de máquinas de litografia. Além disso, Japão e Coreia do Sul retomaram suas cooperações tecnológicas e econômicas com a China, consolidando ainda mais a região como um polo de inovação tecnológica.
  • Reflexo da transição econômica chinesa nos índices acionários
    O principal evento legislativo chinês, as “Duas Sessões”, confirmou medidas para impulsionar o consumo e aprimorar o ambiente econômico do país. Em resposta, os índices China A50 e Shanghai têm apresentado crescimento sustentado, impulsionados por empresas do setor de consumo, como bebidas, proteínas e eletrônicos. Essa diversificação garante maior resiliência a esses índices, que mostraram estabilidade mesmo diante das perdas recentes dos índices americanos.

Como os investidores brasileiros serão afetados?

Os investidores globais têm buscado ETFs chineses porque as ações na China estão subvalorizadas e apresentam baixa correlação com os índices americanos. Pela teoria moderna de portfólio, a introdução de ETFs chineses em carteiras anteriormente focadas apenas nos Estados Unidos pode reduzir riscos e aumentar a expectativa de retorno.

Para os investidores brasileiros, essa estratégia de diversificação está ainda mais acessível com o recente acordo entre a B3 e a Bolsa de Valores da China. O “ETF Connect Brasil-China” permitirá a listagem cruzada de ETFs, facilitando o acesso de investidores brasileiros aos índices chineses e vice-versa.

Diante desse cenário, considerar a exposição ao mercado chinês por meio de ETFs pode ser uma estratégia vantajosa para investidores que buscam maior diversificação e potencial de ganhos no longo prazo.

*As análises e opiniões são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam uma visão das instituições das quais o autor pertence.

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Hsia Hua Sheng é vice-presidente do Bank of China (Brasil) S.A. e professor associado de finanças na Fundação Getulio Vargas (FGV- EAESP). Ele é economista pela Universidade de São Paulo (FEA - USP), doutor e mestre em administração em finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV – EAESP). Foi pesquisador visitante na NYU Stern School of Business e na Shanghai University of Finance and Economics (SHUFE). É especialista em finanças internacionais com foco em mercados emergentes, com larga experiência profissional em multinacionais e possui várias publicações em revistas acadêmicas e profissionais de excelências internacionais e nacionais.
hsia.sheng@moneytimes.com.br
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Hsia Hua Sheng é vice-presidente do Bank of China (Brasil) S.A. e professor associado de finanças na Fundação Getulio Vargas (FGV- EAESP). Ele é economista pela Universidade de São Paulo (FEA - USP), doutor e mestre em administração em finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV – EAESP). Foi pesquisador visitante na NYU Stern School of Business e na Shanghai University of Finance and Economics (SHUFE). É especialista em finanças internacionais com foco em mercados emergentes, com larga experiência profissional em multinacionais e possui várias publicações em revistas acadêmicas e profissionais de excelências internacionais e nacionais.
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